Agências de inteligência dos Estados Unidos acreditam que a Ucrânia autorizou o atentado com carro-bomba que matou, em agosto, Daria Dugina, filha do ideólogo nacionalista russo Alexander Dugin, conhecido como “guru” de Vladimir Putin. Washington agora teme que isso possa ampliar o conflito, e que Rússia se volte contra alvos ucranianos estratégicos. Os EUA não participaram do ataque, disseram.
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Autoridades americanas também negaram ter tido conhecimento da operação com antecedência, afirmando que teriam se oposto ao assassinato se tivessem sido consultadas. Depois, teriam repreendido as autoridades ucranianas pelo assassinato.
A avaliação do envolvimento ucraniano, que não foi relatada anteriormente, foi compartilhada em Washington na semana passada. A Ucrânia negou participação no assassinato imediatamente após o ataque, e altos funcionários repetiram essas negações quando questionados sobre a análise da inteligência americana.
O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia abriu uma investigação em agosto e chegou a afirmar, dois dias após o atentado, que teria sido “confirmado que o crime foi orquestrado e realizado pelas forças especiais ucranianas”.
Segundo o FSB, um homem chamado Bogdan Petrovich Tsiganenko teria cruzado da Estônia para a Rússia para fornecer placas de carro falsas e um documento de identidade para a outra suposta coautora do ataque, Natalya Povlovna Vovk — uma ucraniana de 43 anos que estava na Rússia havia pouco menos de um mês e que foi identificada em apenas 48 horas. Tsiganenko a teria ajudado a montar o dispositivo explosivo em uma garagem alugada em Moscou.
Desde o início da guerra, os serviços de segurança da Ucrânia demonstraram sua capacidade de realizar operações de sabotagem na Rússia. O assassinato de Dugina, no entanto, seria uma das operações mais ousadas, mostrando que a Ucrânia pode se aproximar muito de russos proeminentes.
Autoridades americanas suspeitam que o pai de Dugina, Alexander Dugin, era o verdadeiro alvo da operação, com os perpetradores acreditando que ele estaria no veículo com sua filha. O ultranacionalista russo é uma das vozes mais proeminentes em defesa da intensificação da guerra na Ucrânia e tem sido um dos principais proponentes de uma Rússia agressiva e imperialista.
Falta de transparência em ações
A Rússia não retaliou de maneira específica pelo assassinato, mas os EUA temem que tais ataques — embora de alto valor simbólico — tenham pouco impacto direto no campo de batalha e possam incitar Moscou a realizar seus próprios ataques contra altos funcionários ucranianos.
Autoridades americanas reclamaram da falta de transparência da Ucrânia sobre seus planos militares e secretos, especialmente em solo russo. Embora o Pentágono e as agências de espionagem tenham compartilhado informações confidenciais do campo de batalha com os ucranianos, ajudando-os a atacar postos de comando russos, linhas de suprimentos e outros alvos importantes, os ucranianos nem sempre dizem às autoridades americanas o que planejam fazer.
Os EUA pressionaram a Ucrânia a compartilhar mais sobre seus planos de guerra, mas nem sempre foram bem-sucedidos.