- Vitória, ES 22°C

Vitória 22°C

Anúncio
Cidades

Colégio vai demitir professora suspeita de fazer saudação nazista em aula

Direção da escola repudiou o ato, o qual classificou como imprudência, descuido e um grande erro da docente

Última atualização

Um vídeo gravado dentro de uma sala de aula mostra uma professora de redação do Colégio Sagrada Família, em Ponta Grossa (PR), fazendo um gesto semelhante a saudação nazista.

Instantes antes de erguer o braço em direção ao horizonte, a mulher havia prestado continência. É possível ouvir um hino, não identificado, ao fundo. No momento do ato, a docente usava uma bandeira do Brasil presa ao corpo.

Segundo professores da mesma escola ouvidos pela reportagem, a cena ocorreu na sexta-feira (7), durante uma aula para alunos do ensino médio.

A professora atua na instituição de ensino há quase duas décadas.

A direção do colégio repudiou o ato, o qual classificou como imprudência, descuido e um grande erro da professora, nas palavras da diretora-geral, irmã Edites Bet. Segundo ela, a escola decidiu demitir a profissional.

Procurada no domingo (9), a mulher solicitou que a reportagem entrasse em contato com seu advogado. Nesta segunda-feira (10), o advogado da docente, Alexandre Jorge, encaminhou mensagem para a reportagem, na qual negou que sua cliente tenha feito uma saudação nazista.

“O posicionamento dela é que não existiu qualquer gesto típico de saudação nazista.

Foi no momento de descontração, no encerramento da aula, que se for se considerar gesto típico de alguma natureza seria saudação à bandeira e à pátria”, escreveu Alexandre Jorge.

O advogado ainda citou que qualquer acusação ou imputação contra sua cliente sobre gesto nazista configura fato criminoso.

Um professor relatou para a reportagem que viu o vídeo com muita tristeza e afirmou ser absurda a postura da docente.

 “A escola tem uma posição neutra politicamente junto aos seus alunos e professores. Orientamos aos mestres que procedam com neutralidade e respeito em todas as situações”, escreveu a diretora-geral.

Fazer apologia ao nazismo é considerado crime no Brasil, com penas variadas.

Para o advogado e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Ariel de Castro Alves, é necessária a abertura de uma apuração sobre o ocorrido.

“O gesto dela, em princípio, faz propaganda do nazismo e trata-se, claramente, de gesticulação nazista. Se tiver relação com a música, pode ser mais associado à propaganda e defesa do nazismo”, disse.

“De qualquer forma, ela deveria ser afastada das funções durante as investigações. Os atos dela são incompatíveis com o que se espera de um educador”, acrescentou Castro Alves, que também é membro do Instituto Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

O advogado lembrou que a suposta tentativa de impor as ideias delas aos estudantes também pode ser passível de punição.

O artigo 232 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê detenção de seis meses a dois anos por submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento.

Em nota conjunta, a Conib (Confederação Israelita do Brasil) e a Feip (Federação Israelita do Paraná) manifestaram repúdio à conduta da professora. As entidades disseram esperar uma apuração rigorosa dos fatos e punição exemplar à referida profissional.

“O nazismo é um movimento que promove o ódio e a morte e executou o extermínio de 6 milhões de judeus e outras minorias, como ciganos e LGBTQIAP+, durante a Segunda Guerra Mundial. Ele deve ser combatido de forma efetiva, conforme a legislação vigente”, encerra o comunicado.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.