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EMPODERAMENTO

Mulheres querem menos cobranças sobre efeitos da idade

A aparência do corpo, a falta de liberdade e a invisibilidade social são os principais medos delas, de acordo com especialistas

Débora Catarina Pfeilsticker

Última atualização

O envelhecimento como um caminho para a liberdade não é para todos: o preconceito sobre a relação das mulheres com o tempo reforça cobranças  de comportamento, de acordo com especialistas. O cenário, contudo, se transforma rapidamente e as mulheres querem menos cobranças sociais ao envelhecer.

Os julgamentos relacionados à idade têm nome: etarismo. De acordo com uma pesquisa da empresa britânica de educação Pearson, 87% das mulheres acreditam que têm menos oportunidades do que os homens e se preocupam que o preconceito com a idade seja uma barreira profissional. 

A doutora em Antropologia e professora da UFRJ Mirian Goldenberg explica que a velhice assusta aos homens e às mulheres, porém a aparência do corpo, a falta de liberdade e a invisibilidade social são os principais medos delas. Menos cobranças as tornam mais felizes na velhice, analisa.

“Em uma cultura em que a juventude é extremamente valorizada, existem cobranças e um pânico em relação ao envelhecimento, principalmente para as mulheres. No Brasil, só a juventude é considerada  bonita e produtiva. O sofrimento com  velhice é cultural”.  

As cobranças às mulheres maduras têm estruturas sociais profundas, segundo  psicóloga, doutora em Filosofia e professora da Ufes Claudia Murta.   

A especialista analisa que as exigências sociais de controle do corpo da mulher são históricas, e até a forma como  isso afeta a aceitação do envelhecimento é controlada. 

“A altura dos cabelos, o tipo de roupa, a postura, todo o corpo da mulher é passível de controle. Isto é uma violência de gênero e, quando se associa à idade, é etarismo. As marcas do envelhecimento são encaradas com vergonha”.

Para a consultora de moda e imagem social Jani Valença, as representações de beleza se tornam cada vez mais diversas. “Respeitar os próprios desejos é um caminho para uma boa autoestima na terceira idade”, opina.   

“O autocuidado é fundamental na velhice, quando as mulheres tendem a ficar desanimadas. Para mulheres nos 60, se conhecer e respeitar os próprios desejos levam à boa autoestima”.

Mais felicidade após os 50, diz estudo

O envelhecimento pode tornar as mulheres tão felizes como na juventude, aponta uma pesquisa. A liberdade e a superação das críticas de outras pessoas tendem a aumentar com o tempo e se refletem em mais bem-estar para as mulheres maduras e idosas.  

De acordo com o economista David Blanchflower, professor da Universidade Dartmouth College, nos Estados Unidos, a curva da felicidade aponta dois momentos de ápice dessa sensação de bem-estar durante a vida: aos 20 anos e aos 50 anos. 

A antropóloga Mirian Goldenberg estuda a felicidade entre os brasileiros. Ela constatou que a curva da felicidade das mulheres do País é fiel ao padrão mundial.

“Aquelas entre 40 e 50 anos se sentem mais infelizes. Após os 50 anos, a curva tende a subir e, em alguns casos, este se torna o momento mais feliz da vida. A liberdade e a resistência ao olhar dos outros aumentam e isso as tornam mais felizes consigo mesmas”. 

No livro “A Invenção de Uma Bela Velhice”, a antropóloga analisa que reverter os estigmas sobre o envelhecer é algo urgente para a felicidade durante a velhice. 

“Vivemos em uma cultura em que o valor é colocado na juventude. Temos que mudar o olhar sobre a velhice e lembrar: o jovem de hoje é o velho de amanhã”.

Autocuidado | Reinvenção

 













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Aposentada como professora na área de Enfermagem, Débora Catarina Pfeilsticker, 60, mantém a mente ativa e valoriza e tem ainda mais  autocuidado na terceira idade.  

Durante a pandemia, ela  cursou  pós-graduação em Educação a Distância e iniciou um novo projeto: hoje, trabalha como consultora educacional. 

“É preciso mudar a percepção sobre o envelhecer feminino.  Após a aposentadoria, pude   olhar para mim mesma. Descobri uma necessidade de reinvenção”.

Desejo pela vida | “Não minto a idade”

 













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A empresária Marize Reges vive, aos 60 anos, um dos melhores momentos de sua vida. O preconceito de que há um “prazo de validade” para viver passa bem longe dela: dança, pilates, caminhada, vida social e até conteúdo para as redes sociais fazem parte da rotina da empresária.

“Perdi 12 kg na pandemia e sinto ainda mais desejo pela vida. Dialogo com todas as idades e continuo inovando no trabalho.  O amadurecimento me libertou do olhar do outro! Sou feliz e não minto a idade”.

Gravidez aos 55 anos |  Porta-voz contra etarismo

Aos 55 anos, a atriz Claudia Raia é alvo de ofensas pela idade desde que anunciou sua gravidez. A posição contra a discriminação a tornou um símbolo contra o etarismo. 

Nas redes sociais, ela reforça que as mulheres têm liberdade sobre seus corpos e não deveriam ser julgadas por isso. 

“Cabelo branco não significa idade, significa hereditariedade. Eu pinto o meu cabelo desde os 25. A pessoa faz o que quer. Se quiser pintar, pinta. Se quiser ficar com ele branco, fica. Ser mulher é ser livre”, afirmou.

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