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CIDADES

UPA vira abrigo para moradores de rua na Serra

Comerciantes, pedestres e vizinhos da unidade reclamam que eles promovem brigas, usam drogas e até fazem sexo no local

UPA vira abrigo para moradores de rua na Serra
- Pessoas em situação de rua dormem na parte de baixo da Unidade de Pronto Atendimento de Serra-Sede.

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Brigas, uso de drogas e relações sexuais em público. Essas são algumas ações praticadas  por moradores de rua que se instalaram na parte de baixo da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serra-Sede, gerando incômodo para pessoas que residem próximo ao local, comerciantes e para quem passa por lá. 

Uma moradora que reside em frente à UPA desde a inauguração afirmou que a presença de pessoas em situação de rua no lugar tem aumentado nos últimos quatro anos. Ao longo do tempo, ela contou ter presenciado diversos tipos de cenas.

“O uso de drogas é frequente. Atos sexuais também são comuns, porque têm casais ali que se estabeleceram como se fosse a casa deles. A violência também existe. Inúmeras vezes alguns já saíram dali cortados por facas, facões e todo tipo de arma branca”, disse.

Ela afirmou que nunca presenciou violência contra um morador do bairro, mas que ultimamente,  os moradores de rua estão coagindo as pessoas. “Já aconteceu comigo. Pediram alimento e dinheiro de maneira grosseira. Como se eu tivesse que entregar”, falou.

Uma comerciante que trabalha com a venda de peças de motos em uma loja próxima à UPA contou que alguns deles atrapalham seu trabalho. 

“Sinto-me coagida e insegura. Às vezes estou aqui sozinha e eles entram. Eles também incomodam o cliente para pedir dinheiro e comida”, falou. 

Vale ressaltar que a UPA não é o único lugar na Serra-Sede em que moradores de rua estão presentes. Muitos deles ficam próximos a comércios e praças da região.

Ameaças

O empresário Marcos Ximenis, dono de uma açaiteria, disse que eles causam um grande problema para os comerciantes porque urinam na porta da loja, defecam, fazem sexo, brigam o tempo todo com facas e ameaçam os funcionários. “É um transtorno gigante e fora que é um cheiro insuportável”, falou.

O vendedor de pastelaria Bruno Pereira também tem relatos negativos. “Eles entram pedindo as coisas aos clientes. A nós, funcionários, eles não têm respeito nenhum. Eles bagunçam e xingam. Já puxaram a faca duas vezes para mim. Já brigaram com meu chefe. Bagunçam o banheiro”, lamentou. 

“Hoje mesmo já entrou um homem aqui que me xingou muito. É uma situação chata e constrangedora”, completou o trabalhador. 

Abrigos ainda têm vagas

A Secretaria de Assistência Social da Serra (Semas) informou, por nota, que oferta atendimento psicossocial de forma continuada para  moradores de rua, buscando a resolução das necessidades imediatas deles por meio do Centro Pop, em Jardim Limoeiro, além de abordagem social e os acolhimentos institucionais. 

A Semas também mantém seis abrigos, sendo um albergue noturno e os demais 24h. Os abrigos dispõem de vagas para receberem as pessoas em situação de rua.

Sobre a situação na UPA de Serra-Sede, o Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas) esclareceu que “cerca de oito pessoas em situação de rua se abrigam no entorno da unidade normalmente em períodos de chuva e saem do local, migrando para outro, logo após cessar a chuva”. 

Em relação à segurança, a Secretaria de Defesa Social (Sedes) afirmou que a Guarda Municipal realiza patrulhamento preventivo nas unidades de saúde do município, garantindo a segurança da população. O patrulhamento também é feito ao redor dos comércios.  

A secretaria  esclareceu também  que “não há registros de ocorrências relacionadas a pessoas em situação de rua cometendo crimes nos arredores da UPA, que também é monitorada com auxílio de videomonitoramento”.

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