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POLÍCIA

Família tem carro metralhado por bandidos ao passar por “rua do tráfico”

Pai, filha e neto voltavam da casa da babá quando foram surpreendidos por homens armados. Só bebê não foi baleado

Janela do carro foi destruída por disparo: eletricista foi atingido com tiros nas costas, no braço e na mão direita.

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Uma família viveu momentos de terror ao passar de carro por uma rua do bairro Ataíde, em Vila Velha. Pai, filha e o neto, de apenas 2 anos, voltavam  da casa da babá da criança, quando foram surpreendidos  por criminosos armados, que efetuaram vários disparos em direção ao veículo.

O menino não foi baleado, mas a mãe dele, uma consultora de vendas, de 31 anos, e o pai dela,  um eletricista, de 62, foram atingidos. Eles foram socorridos e levados para um hospital do município. 

A ocorrência foi registrada por volta das 19h30 de terça-feira. O eletricista e a filha tinham acabado de buscar o menino e já estavam próximo  de casa, quando o veículo em que eles estavam, um Toyota  Corolla prata, foi abordado por criminosos armados,  que saíram de um beco. Sem falar nada, os bandidos  começaram a efetuar vários disparos. 

Pelo menos 15 tiros acertaram o carro, sendo a maioria deles  na parte traseira e na lateral. A mãe da criança foi atingida com um tiro no braço esquerdo e o pai dela, com três tiros: nas costas,   no braço e na mão direita. O menino, que estava sentado no colo da mãe, nada sofreu. 

“Quando cheguei à rua, eu obedeci todas as regras do bairro, como abaixar o farol, andar devagar e etc. Só que, como estava chovendo muito, o vidro não ficou aberto. Do nada, um camarada saiu do beco dando tiro no carro todo”, contou o eletricista, que preferiu não ser identificado.

Assim que percebeu que ele e a filha haviam sido atingidos, o eletricista contou que, mesmo ferido,  dirigiu até a chegada da rua onde mora e lá,  ao descer do carro, pediu socorro. 

“Descobri que minha filha havia sido atingida quando ela gritou, me avisando. Desci do carro e fui a pé até minha casa, onde pedi socorro”, disse. 

A filha e o pai foram levados por familiares e moradores até um hospital de Vila Velha. Eles foram atendidos, receberam alta e  passam bem. 

O crime ainda é um mistério para a família, que mora em Ataíde,  uma vez que eles afirmam que nunca tiveram problemas com criminosos. 

“Eu estou surpreso! Não sei o  que aconteceu. Sei que todo mundo do meu bairro conhece o meu carro, todo mundo me conhece. Não sei o que aconteceu, se confundiram meu carro”, disse. 

“Já tive vários livramentos na vida”

O eletricista, 61 anos, baleado  com a filha, 31, ao passar de carro em  uma rua do bairro Ataíde, em Vila Velha, acredita que todos estão  vivos graças a um milagre.

A Tribuna – Como aconteceu o ataque?

Eletricista  – Eu, minha filha e meu neto voltávamos da casa da babá, de carro.  Quando eu passei por uma rua do meu bairro, fui surpreendido pelos tiros.

Em que  momento descobriu que vocês foram baleados?

Quando eu senti uma ardência nas costas e minha filha gritou: “atingiu meu braço”.  Eu continuei dirigindo até chegar em casa, depois desci do carro e pedi socorro.

Quem socorreu vocês?

Moradores e família. 

Acha que foram pessoas do seu bairro que fizeram isso?

Em quase todos os bairros, tem o pessoal do movimento, no meu não é diferente. Mas eu acho que não é o pessoal do bairro que fez isso.  

O que o senhor acha que aconteceu?

Não sei. Estou surpreso. Meu carro é conhecido ali no bairro. Eu também segui as regras, como abaixar o farol. Só o vidro que não estava totalmente aberto porque estava chovendo muito e eu estava com criança dentro do carro.

E quem estava dentro do carro? 

Eu, minha filha e meu neto de 2 anos. Minha  filha foi baleada no braço e eu levei  três tiros. Ela ficou desesperada. Ela só falava: “vou morrer”. 

E a criança?

Ele estava no colo dela e não entendeu o que estava acontecendo.

O seu bairro tem regras colocadas pelo tráfico?

Andar com o farol baixo, vidros abertos. Eu estava com o farol baixo, só o vidro que não por conta das chuvas. 

Acha que teve livramento?

Já tive vários livramentos nesta vida. Eu nasci com o cordão umbilical no pescoço. Fui dado como morto pelo médico. Já adulto, sofri um acidente em que o carro teve perda total  e eu não sofri um arranhão. E ontem (terça-feira), tive mais um livramento. Sou temente a Deus e minha fé nos salvou.

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