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As fortes chuvas que atingem todo o Espírito Santo desde o último dia 24 estão deixando rastros de destruição por todas as regiões do Estado. Segundo o último boletim divulgado pela Defesa Civil estadual, até o fechamento desta edição, 2.126 pessoas, entre desabrigadas e desalojadas, estavam fora de suas casas.
Além disso, um homem de 57 anos morreu soterrado após a casa onde morava desabar enquanto ele dormia, no bairro Vila Belém, em Viana.
Ao sair para trabalhar, a nora do casal disse que se deparou com a parte da frente da residência destruída. A sogra, Angela Maria Borges Spiller, teve ferimentos leves na cabeça e no joelho e passa bem.
Cenas de pessoas e animais ilhados, moradores sendo resgatados e pessoas tentando salvar móveis por todo o Estado foram comuns durante todo o dia de ontem.
No bairro Santo André, em Cariacica, Mariana Rosa Passos, de 22 anos, passou momentos de sufoco ao ver que a água da chuva já estava passando da sua cintura.
Ela estava em casa sozinha com a filha de dois meses quando foi socorrida por moradores e bombeiros. A jovem e o bebê foram resgatadas em um bote inflável.
“Foi muito angustiante, perdi tudo dentro de casa, mas naquele momento a minha preocupação era a minha filha”, destacou.
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De acordo com a Defesa Civil do Espírito Santo, o município com maior quantidade de moradores que precisaram deixar suas casas foi Viana, com 1.031 pessoas. Elas foram abrigadas nos terrenos da escola Professora Biluca, que fica no centro da cidade.
Viana foi o segundo município do Estado que mais registrou chuvas nas últimas 24 horas, com 171.8 milímetros de água. A cidade só ficou atrás de Fundão, município que registrou maior acumulado de chuvas, com 225.8 milímetros.
Até agora, pelo menos sete prefeituras já decretaram situação de emergência ou calamidade pública no Estado.
Fundão, Ibiraçu, Santa Leopoldina, Cariacica e Linhares decretaram emergência e Viana e Vila Pavão calamidade pública.
Em entrevista coletiva realizada na tarde de ontem, o governador Renato Casagrande admitiu que o quadro atual tem causado preocupação, mas disse que ainda não cogita acionar o governo federal em busca de auxílio no enfrentamento à crise ocasionada pelas chuvas.
Corrida contra o tempo para fazer transplante
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Uma idosa de 70 anos foi transportada ontem por uma aeronave do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), do distrito de Araguaya, em Marechal Floriano, até um hospital em Vila Velha, para fazer um transplante de rim.
Na fila de espera pela doação do órgão, a paciente, identificada como Ilda Moreira da Silva, recebeu a notícia da equipe médica na manhã de ontem sobre o recebimento de um rim provavelmente compatível com as condições dela.
A partir daí, teve início uma corrida contra o tempo para que a paciente não perdesse a chance de realizar o transplante.
Por conta das fortes chuvas dos últimos dias, o deslocamento de Ilda pelas rodovias seria muito demorado, uma vez que há queda de barreiras em diversos pontos da BR-262 e, em Viana, a pista estava interditada durante a manhã por conta de alagamento.
Para conseguir fazer o transplante, a paciente precisaria chegar até as 14 horas no Hospital Evangélico, em Vila Velha. O tempo seria o suficiente para realizar os exames necessários e a preparação devida para conseguir ir para cirurgia às 18 horas (tempo limite de sobrevida do órgão).
Por conta da dificuldade de transporte que permitisse tempo suficiente para o transplante, o Notaer foi acionado.
Cenas de chuva
Resgate
Moradores da rua Belo Horizonte, em Santo André, Cariacica, entraram em rua alagada para ajudar no resgate de vítimas da chuva, inclusive um bebê.
Interdições
Por conta das interdições, empresas de ônibus anunciaram o cancelamento de viagens e desvios por outras rotas, causando atrasos nos deslocamentos.
Desespero
Também no bairro Santo André, em Cariacica, um flagrante do desespero das pessoas para salvarem os seus pertences. Dois amigos, um na água e outro em uma caixa d’água, tentam salvar um freezer de ser arrastado pela chuva.
Por um fio
A atendente Marcela Vieira, de 26 anos, contou que faltava pouco para entrar água no segundo andar de sua casa, em Novo Horizonte, Cariacica. “Estamos por um fio”, lamentou.
“Perdi alimentos”
A doméstica Marta Correa da Silva, 43 anos, relata que está precisando de mantimentos, pois a água invadiu a sua casa, no bairro Planeta II, em Cariacica. “Perdi cinco quilos de arroz, cinco de açúcar, e também feijão. Eram as únicas coisas que tinham no armário”.