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A viagem de Minas Gerais para Guarapari até poderia ser com a companhia de dois amigos, mas um casal da cidade de Mariana preferiu deixá-los para trás e trazer a caixa de som gigante, que possui uma bateria de caminhão e dura 12 horas ligada no volume máximo, enquanto curte as férias na Praia do Morro.
O aparelho, que possui duas cornetas, um grave e até microfones, é tão pesado que os mineiros vão com o carro até bem perto da praia, descarregam o som e voltam para a casa, onde uma vaga para estacionar é mais fácil de encontrar.
“Nós gostamos demais de som. O nosso é para aguentar até a hora de ir embora da praia. Se tiver com o volume mais baixo dura até o dia seguinte, mas a gente gosta mesmo é do som alto, e Guarapari é festa nessa época”, explicou o turista, que preferiu não se identificar.
“Então, a caixa dura 12 horas de som alto. E trouxemos até microfones porque, se empolgarmos com outras pessoas, a gente canta também”, observou.
E para a caixa chegar até Guarapari, o casal deixou até amigos para trás. “Tinha um casal de amigos nossos querendo vir também. Mas aí a caixa não ia caber no carro. Preferimos deixar eles para trás e trazer a caixa. Não vim trazendo nem o amigo para trazer a caixa”, completou ele.
Durante a entrevista com o casal, a reportagem do jornal A Tribuna informou sobre a proibição da caixa de som nas praias de Guarapari. A multa para quem descumprir a proibição chega a R$ 9.700 em algumas cidades da Grande Vitória.
O som alto não se limita à Praia do Morro, segundo moradores. Na praia da Bacutia, Enseada Azul, as caixas de som gigantes são vistas por toda parte, e há turistas levando até em carrinhos adaptados, justamente por causa do peso.
“É desesperador assistir os turistas chegando na praia puxando um carrinho com caixa de som gigante e cooler. Eles vão passar o dia inteiro na praia, ouvindo amúsica na maior altura, e o poder público não intervém”, reclama o advogado e morador da orla da Bacutia Hugo Gaspar.
“A poluição sonora é uma afronta ao direito e à saúde pública. Não podemos ouvir televisão dentro de nossas residências. Infelizmente mostramos que somos uma terra sem lei”, lamenta.
Festas na praia têm DJ até o dia amanhecer
Como se não bastasse o som alto vindo das caixas gigantes que são levadas para a areia nas praias de Guarapari, os turistas não se limitam à curtição somente durante o dia.
Muitos estão ficando até a madrugada e contratando DJs para agitar as festas ao ar livre.
Quando o dia amanhece, vão embora descansar. O problema é que quem mora na cidade ou vai passar a temporada de verão na orla da praia não consegue descansar.
Barulho
O aposentado José Roberto Cabral relatou que não dorme desde a quarta-feira passada. “As várias caixas de som são na grande maioria com músicas de baixo calão. E apesar da prefeitura afirmar ser proibido o uso de caixas na praia, o barulho ensurdecedor se inicia nas primeiras horas da manhã e atravessa toda a madrugada. Onde está a fiscalização municipal?”, questiona ele.
José Roberto disse ainda que já tentou ligar para o Disque-Silêncio por diversas vezes e nunca foi atendido. A música alta na areia da praia já ficou até 4h20 da manhã na direção do apartamento dele, e o que eram para ser dias de férias têm virado um verdadeiro tormento.
“O excesso de pessoas não incomoda. O problema é mesmo a música alta, com as batidas fortes, que nos impedem até de desacelerar”, desabafa o aposentado.
Na praia da Bacutia, além do som alto até tarde da noite, os banhistas adaptaram luzes piscantes debaixo das árvores.
“Se não há fiscalização e punição, não adiantam as leis. Qualquer um chega com caixas de som, algumas são alimentadas por bateria de carros, e não é questionado por nenhuma autoridade fiscalizadora. Sinceramente, acho que nem existe fiscalização”, completa o advogado Hugo Gaspar, morador da Bacutia.
Reclamações
Menos qualidade de vida
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O empresário e presidente da Associação de Moradores da Enseada Azul (Ameazul), Sérvulo Clermont, destaca que o som alto nas praias de Bacutia e Peracanga é uma reclamação antiga, e que já foi levada ao conhecimento do Ministério Público, mas até o momento não houve fiscalização. “Não sabemos mais o que fazer. Não dá para abrir a janela dos apartamentos por causa do som alto. A falta de educação e fiscalização não permite ter qualidade de vida durante a alta temporada”.
Turismo prejudicado
Na Praia do Morro, um aposentado, de 77 anos, morador de Juiz de Fora (MG), que prefere não mostrar o rosto por medo de represália, relata que o turismo vai se acabando com a falta de ordenamento nas praias. “Quem veio conhecer Guarapari não volta mais, já os baderneiros estão garantidos, porque têm a certeza que aqui eles podem tudo. A cada ano que passa parece ter mais barulho”, comenta ele.
O outro lado
Prefeitura diz que há fiscalização
A Prefeitura de Guarapari, através da Secretaria de Postura e Trânsito (Septran), frisa a proibição de caixas de som e veículo tipo carro de som nas areias das praias, e declara que as equipes de postura e trânsito estão atuando em todas as praias e no trânsito diariamente.
Quem não respeitar a legislação vigente no município está sujeito à multa no valor de até R$ 2 mil, ter o material apreendido e o veículo irregular poderá ser removido.
Além de fiscalizar, o município também conta com o Disque-Silêncio, que funciona 24h, e pode ser acionado pelo telefone:(27) 99905-6397.