|
Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Conteúdo Sensível:
Estilo:
Uma dona de casa, de 34 anos, passou por momentos de terror, nas mãos do próprio marido, um pintor, de 32. O homem promoveu uma sessão de tortura com socos, puxando a vítima pelos cabelos e pisando em suas costas, na frente dos filhos, dentro da casa onde eles viviam, em Consolação, Vitória.
A mulher, que tentou escapar das agressões, correndo pelas ruas do bairro, andou cerca de um quilômetro até chegar próximo a uma igreja, onde foi salva pelo pastor.
Segundo a família, as agressões, na noite de segunda-feira, começaram depois que o suspeito ficou com ciúmes da mulher porque ela conversava com uma amiga ao celular.
Alterado, ele deu início a uma discussão e, depois, partiu para cima da dona de casa. A filha dela, de 13 anos, e o filho do casal, de 6, presenciaram a cena.
“Ele deu um soco no nariz dela. Ela foi descer as escadas porque a filha mais velha tentou puxá-la para buscar socorro e ele a puxou pelos cabelos. Ela caiu e quebrou o nariz. A minha neta falou que só viu o sangue sair depois”, relata a mãe da vítima, uma aposentada, 52 anos, que pediu para não ser identificada.
Depois das primeiras agressões, o homem ainda segurou a mulher, impedindo que ela saísse de casa. Foi nesse momento que a filha e o irmão correram para rua em busca de ajuda. Eles conseguiram chamar a polícia, mas quando voltaram para a residência, a mãe e o agressor já não estavam ali.
As crianças foram levadas para a casa dos avós, em outro bairro de Vitória. Os militares, que haviam sido acionados pelas crianças e que estavam em busca da mulher, foram informados que vítima e agressor estavam na frente de uma igreja, no bairro Horto.
De acordo com relatos dos militares, quando chegaram à igreja, a dona de casa estava caída no chão, com a boca sangrando, com dificuldade de respirar e de falar.
O agressor também estava no local. Lá, eles descobriram que a mulher havia sido salva por um pastor, que interferiu nas agressões e protegeu a vítima.
“Ela estava muito machucada, não conseguiu ficar de pé. Ficou deitada no chão. E ele ficou a toda hora ameaçando-a, dizendo que ia terminar o que ele tinha começado. Não podíamos deixar que fizesse o pior”, disse o pastor, que não quis se identificar.
O homem foi preso em flagrante e autuado por lesão corporal e ameaça. A vítima foi encaminhada para o hospital, mas a unidade não deu informações sobre seu estado de saúde. O caso foi registrado no Plantão Especializado da Mulher.
“Ele bate nela há oito anos. Já foi parar no hospital”
Com dificuldades para conversar, devido a um segundo acidente vascular cerebral, a mãe da dona de casa espancada pelo marido disse que tentou diversas vezes tirar a filha dessa situação.
Agora, só deseja que a mulher esqueça de vez o ex-marido. Ela acompanhou inúmeros episódios de violência sofridos pela filha “Que nunca mais fale com ele”, disse a aposentada, de 52 anos.
A Tribuna – O que ele (marido) fez na ocasião de segunda-feira?
Aposentada – Minha neta, que presenciou tudo junto com o irmão, de 6 anos, contou que ele (agressor) começou a brigar com a minha filha. Foi por causa de uma mensagem no celular, ele quebrou o celular dela. Aí começou a briga. Ele deu um soco no nariz dela. Ela foi descer as escadas e ele puxou o cabelo dela. Ela caiu e quebrou o nariz. A minha neta falou que só viu o sangue sair.
Além das crianças, todos sofrem com essa situação.
Eu sofri e ainda sofro por causa da briga deles. Tive um câncer. Quando eu me curei, eles brigaram. Eu levantei para socorrer ela e ele (ex-marido) quase arrancou o dreno que eu usava.
Então as brigas acontecem desde quando?
Ele bate nela há oito anos. Em uma dessas vezes, ela já foi parar no hospital. As brigas acontecem com frequência. Ela vive esse drama. Ele sempre agride ela, enforca ela, tentou cortar o pescoço dela com a faca. Eu tentei intervir várias vezes, mas meu marido pediu para eu não mexer mais, porque eu ia acabar morrendo. Eu precisei me mudar de lá para cá.
Como é para senhora viver esse drama?
Eu já durmo pensando no pior. Todo dia eu penso que vou ter notícia de que ela vai morrer.
E as crianças, como estão?
O mais novo não consegue ir ao banheiro. A mais velha está mais tranquila. Mas o mais novo chegou a dizer que não queria ter um pai como ele.
O que gostaria de dizer para sua filha agora?
Para nunca mais falar com aquele cara de novo. Quero que ela esqueça ele para sempre. Eu estou sofrendo mais do que ela. Um filho dela, de 16 anos, já saiu de casa por conta disso.
“Jamais poderíamos deixar aquilo acontecer”
“Tínhamos terminado de limpar a igreja e estava na frente quando ele apareceu com ela. Vi que estava batendo nela e interferimos na agressão. Ele falou que queria matá-la. Jamais poderíamos deixar aquilo acontecer na nossa frente.
A mulher parecia muito preocupada com os filhos, que tinham ficado em casa. Quando chegou à igreja, dizia que sentia muita dor na cabeça e estava com muita dor na barriga. Estava muito machucada, não conseguia ficar de pé e nós a deitamos no chão. Ele ficou a toda hora ameaçando, dizendo que ia terminar o que tinha começado.”
Pastor, que ajudou a vítima e preferiu não se identificar.
Filhos de vítima pediram socorro à Polícia Militar
Desesperados com a cena que presenciaram, ao ver a mãe sendo vítima nas mãos do próprio marido, os filhos da dona de casa saíram correndo para rua e foram buscar ajuda. A adolescente, de 13 anos, e o irmão, de apenas 6, conseguiram chamar a Polícia Militar e pedir socorro para a mãe.
Segundo familiares da dona de casa, no momento da confusão, a menina ainda tentou ajudar a mãe, mas também acabou agredida pelo padrasto. “Sempre que batia na minha filha, ele batia também na minha neta, como fez ontem”, contou a mãe da dona de casa, uma aposentada, de 52 anos, que pediu para não ser identificada.
A aposentada contou ainda que o casal estava junto há cerca de oito anos e que, por todo esse tempo, a filha era vítima de violência doméstica. Em uma das vezes, segundo a mãe da dona de casa, o agressor chegou a chutar a barriga da filha, que estava grávida de três meses.
“Ela perdeu o bebê, inclusive. Batia muito nela. Eu sempre tentava apartar as brigas, porque era a minha filha, mas de um tempo para cá, eu comecei a ficar doente e meu marido pediu para não mexer com eles mais”, disse a aposentada.