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CIDADES

Enfermeira aos 55 anos para ajudar africanos

Após 32 anos em país africano, Irmã Creny retornou ao Brasil para estudar e, depois de formada, voltou à África para cuidar de doentes

Irmã Creny entre mulheres africanas que passam por dificuldade na rotina do dia a dia.

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Há mais de 40 anos Creny Maria da Cruz, hoje com 57, decidiu deixar Burarama,  interior de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. Estudou em um convento no Paraná, no Sul do Brasil, onde tornou-se freira aos 19 e em 1993 foi trabalhar na África. 

Após 32 anos no segundo continente mais populoso do mundo, retornou para o Estado para estudar na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde formou-se em Enfermagem aos 55 anos e voltou para cuidar da saúde dos africanos.

“Cheguei em Moçambique no mesmo ano em que a guerra civil Moçambicana acabou. Lá, trabalhei 18 anos e presenciei a reconstrução do país. Para atender aos muitos doentes precisávamos conhecer um pouco de enfermaria. Porém, em determinado momento, senti a necessidade de melhorar e retornei ao Brasil onde cursei enfermagem pela Ufes e, após a conclusão, voltei à África. Atualmente, trabalho no Chade, um país do Centro-Africano. Minha missão se chama Deressia”. 

 
















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Atualmente, Irmã Creny, como é chamada pelos católicos, faz parte das Irmãs Missionárias Combonianas, uma congregação religiosa fundada por São Daniel Comboni que traz a missão de cuidar dos mais pobres, e conta os desafios dos dias de hoje. 

“É uma realidade realmente desafiadora. O Chade é um país completamente isolado com muitos doentes. Temos apenas um médico para atender milhares de pessoas. É humanamente impossível. Por isso, todo o trabalho de consultas e tratamento é conosco, ‘missionários da enfermagem’”.

 Segundo a Irmã Creny, com pequenos gestos os missionários estão conseguindo ajudar às pessoas. As crianças estão tendo acesso às escolas.  As mulheres, chamadas ‘mamas’, aprendem artesanatos. A religiosidade também faz parte da rotina deles.

“Você vive, trabalha estuda junto deles e entrega aquilo que pode. Eu sempre trabalhei na saúde, mas há missionários que trabalham na horta, na educação, na enfermaria e na  catequese. É muito grande a nossa responsabilidade. São vidas em nossas mãos. Por isso, sempre peço a Deus que ele nos conduza”.

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