
Rose precisou realizar uma cesariana de emergência no dia 16, porque o bebê estava em sofrimento. O pai da doméstica, o pintor Marcos Aurélio Calixto, 57, conta que ela deu entrada no Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (HIFA), na Praia do Morro.
O bebê nasceu e precisou ser levado para a Unidade de Terapia Intensiva Infantil (Utin), pois completava somente sete meses. Rose ficou internada no dia 17, mas no dia seguinte foi liberada e no dia 19 o pesadelo da família começou.
“Na terça-feira (19) ela se sentiu mal e voltamos no hospital. Eles deram um medicamento e ela foi liberada. Voltamos na quarta (20) porque a dor não passava, a barriga dela estava muito inchada. Mais uma vez foi só remédio. Continuou a mesma coisa e voltamos na quinta e ela recebeu só soro para a dor”, lembra o pai.
“Na quinta (21) ela chorou a noite toda e logo na manhã de sexta (22) nos falamos, pois era aniversário dela. Saí para pegar o ônibus e ir trabalhar. Quando eu estava pegando o coletivo, minha mulher me ligou para falar que ela tinha morrido”, contou o pintor.
Rose estava tomando água de coco quando fechou os olhos e morreu na cama onde dormia. “Minha mulher estava dando água de coco para ela. Ela fechou o olho e morreu. Ela estava com muita dor e não faziam nada. Minha filha sofreu muito de dor”, afirmou o pai em lágrimas.
Para Marcos Aurélio, o hospital não deu a atenção necessária para a filha, que acabou morrendo em casa. Ele acredita que o hospital foi negligente e pede por justiça.
“Eu não acho que foi negligência, eu tenho certeza. E vou lutar contra isso! O que aconteceu com minha filha pode acontecer com qualquer um. Eu perdi a minha filha, que eu mais amo no mundo. Por causa do hospital, o presente que eu recebi no dia do aniversário dela, foi esse (a morte da filha). Estou desde às 9 horas de sexta-feira sem comer. Estávamos marcando um churrasquinho de comemoração do aniversário”, chora o pai.
O bebê continua na Utin e deve receber alta nesta semana, segundo a família.
Um laudo provisório foi entregue pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para a família para os trâmites do enterro. A causa da morte segue indeterminada esperando o laudo cadavérico em 30 dias.
O outro lado
O Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (Hifa) de Guarapari se manifesta com muito pesar sobre o óbito e ressalta que disponibiliza todo suporte aos familiares.
Neste momento, o Hifa aguarda a liberação do laudo emitido pelo Serviço de Verificação de óbitos (SVO).
A instituição reforça ainda que segue os protocolos de atendimento recomendados pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).