Se o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus trouxe estresse e aflição para algumas pessoas, para outras foi um tempo de descobertas. Tomando os cuidados necessários, a terceira idade não ficou parada e se dedicou às mais diversas atividades, como culinária, pintura, aulas virtuais de inglês e tecnologia, música e até o taekwondo.
Para os entrevistados pelo AT2, esses momentos de descontração renderam sensações de liberdade, alegria e bem-estar.
A psicóloga Adriana Severine explica que esses momentos de descontração são de extrema importância por ajudar a terceira idade a lidar com o estresse do isolamento social, a se conectar com eles mesmos e proporcionar momentos mais criativos.
“Eles poderão se alegrar descobrindo novas habilidades ou retomando algumas que deixaram por falta de tempo. Isso reforça muito a autoestima da pessoa, que volta a se sentir ativa e é capaz de sonhar e realizar novas atividades”, diz.
Segundo Adriana, as pessoas com mais de 60 anos de hoje em dia são “mais jovens” do que de tempos atrás, graças aos avanços da medicina que permitem uma vida mais saudável.
“Socialmente, muitas barreiras estão sendo quebradas e não há mais regras tão duras sobre como um idoso deve ou não se vestir ou se comportar. As pessoas se sentem mais livres para se expressarem e pertencerem a grupos com o mesmo interesse, e não de acordo apenas com a idade”, analisa.
Além da descontração, a neuropsicóloga Daniela Generoso explicou que esses momentos recreativos das pessoas com mais de 60 anos também ajudam a mudar o foco em relação ao novo coronavírus e a manter a mente ativa.
No entanto, ela faz um alerta: o fato da melhor idade estar ativa não significa que ela está bem. E a família tem que se fazer presente.
“A ideia não é produzir para passar o tempo e sim para continuar inserido no convívio social. É preciso estar atento para que o mais jovem não esqueça de ouvir e estar ao lado desse idoso”, afirma.
Pintura para ocupar a mente
A pintura em porcelana em vidro foi um trabalho artístico descoberto por Vanilda Netto Abrantes Campos, 64 anos.
Como sua filha Hybria Abrantes é proprietária do ateliê, ela a convidou para ajudá-la na confecção das peças. E hoje ela atua pintando parte das porcelanas.
Segundo Vanilda, o novo trabalho a ajuda a ocupar mais a mente.
“Agora, trabalhando, não dá tempo nem de pensar, mas tomo os cuidados que tem que ser tomados. E esse trabalho ainda é mais prazeroso, porque estou trabalhando ao lado da minha filha. Quando junta tudo, é só amor”, salienta.
Aulas de teclado
Com o auxílio de uma professora particular que dá aulas em domicílio, a aposentada Evany do Parto Pereira Fortuna, 80, começou a fazer aulas de teclado.
Ela conta que resolveu aprender um instrumento musical para ocupar o tempo, já que não pode sair de casa. “Gosto muito, porque ocupa minha mente”, diz.
Taekwondo poderoso
Aos 69 anos, a aposentada Teresa Cristina Seba de Souza dá um show no taekwondo. Embora pratique a arte coreana há dois anos, para não ficar parada na pandemia ela resolveu fazer aulas particulares tomando todos os cuidados necessários.
“É gratificante, eu me sinto poderosa! É o que tem me salvado na quarentena”, frisa ela.

O ator Ary Fontoura, 87, ganhou a simpatia nas redes sociais ao compartilhar sua rotina de confinamento social. As atividades incluem exercícios, preparo de pudins e bolos, lavar louças e roupa na máquina, ler e tomar sol. “Meus dias têm sido diversificados. Faço de tudo”, conta.
Treinamento funcional
A aposentada Margarette Berger Frade, 64, definitivamente não ficou parada na pandemia! Ela fez vários trabalhos manuais, como uma colcha de patchwork, e até entrou na aula de treinamento funcional. E está gostando da experiência.
“É maravilhosa! Melhora a autoestima, a circulação sanguínea, as dores no corpo, além de ajudar no controle do peso”, explica.
Tecnologia
A professora aposentada Auxiliadora Mendonça, 72, costuma participar de atividades oferecidas por sua igreja, mas foi na quarentena que ela começou a fazer aulas de tecnologia e inglês de forma virtual.
“Foi excelente, prazeroso, divertido e informativo. Aprendemos a usar o Zoom, Meet, Instagram, Face e outras plataformas que nos conecta com o mundo”, destaca.
Música online
Maria Tereza Garcia Mendonça, 77, faz aula de canto há mais de 10 anos, mas foi na pandemia que ela se aventurou nas aulas virtuais.
“A escola teve que se reinventar e oferecer aulas online. Para mim foi uma experiência bem diferente, mas com um aproveitamento excelente graças à dedicação do meu professor. Até me apresentei numa live”, ressalta.

