A combinação de calor e poluição tem gerado transtorno para os moradores da Enseada do Suá, em Vitória. Após a redução das partículas de pó preto durante os primeiros meses da pandemia, por conta do isolamento social, o índice de poluentes voltou a subir no ar da capital.
E o pior: o aumento vem junto com as altas temperaturas do verão, o que agrava o problema.
“A situação está absurda. Com mais tempo em casa, ou os moradores passam calor com a janela fechada ou precisam varrer a casa várias vezes por dia por conta do pó preto”, ressaltou Eduardo Borges, presidente da Associação de Moradores, Empresários e Investidores da Enseada do Suá.
Dados da rede de monitoramento do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) mostram uma evolução nos índices de poluição no bairro, que abriga uma das estações de controle do ar. Ontem, o Índice de Qualidade do Ar na Enseada do Suá ficou no nível 17. Como comparação, o de Jardim Camburi estava em 4.
Como o nível vai até 200, o índice atual é considerado o menos elevado pelo Iema. Mesmo assim, crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas podem apresentar tosse e cansaço, segundo o próprio órgão. Além disso, há o incômodo de ter de viver em uma casa sempre suja.
É o caso da funcionária pública Rosana Barbieri Eller, de 59 anos. Ela conta que a poluição tem aumentado a cada ano, piorando ainda mais no verão.
“A casa fica empoeirada até com a janela fechada. Se eu quiser manter limpa, preciso limpar três vezes por dia, além de espalhar panos molhados pelo chão para passar o pé a todo momento”, disse.
Um relatório divulgado em julho de 2020 apontou que a atmosfera da Grande Vitória registrou uma queda no índice de poluentes que estão ligados à circulação de veículos e à produção industrial no Complexo de Tubarão.
No entanto, com a volta da circulação maior de veículos e a retomada da produção normal na indústria, os índices voltaram a subir. No último sábado, a ONG Juntos SOS ES Ambiental protocolou uma denúncia sobre a poluição e cobrou ações fiscalizatórias dos órgãos estaduais e municipais nas empresas.
Empresas dizem que controlam emissão
Mesmo com o aumento dos índices de poluição no ar, as empresas que atuam no Complexo de Tubarão afirmam que as tecnologias de controle ambiental estão funcionando normalmente.
Em nota, a mineradora Vale disse que realiza investimentos continuamente, sendo o mais relevante o Plano Diretor Ambiental, iniciado em 2018, que conta com ações para reduzir a emissão de poeira.
“As ações implantadas reduziram em 84% as emissões difusas de poeira emitidas pela empresa em relação a 2010 e a previsão é chegar à redução de 93% em 2023”, disse a empresa, em nota.
Já a siderúrgica ArcelorMittal Tubarão afirmou que tem feito “sucessivos e expressivos investimentos na área ambiental”. A empresa ressaltou, em nota, que já destinou R$ 137 milhões de um total programado de R$ 1,14 bilhão, até 2023, à sua gestão ambiental.
“As ações podem ser conferidas no aplicativo Evoluir ArcelorMittal”, destacou a ArcelorMittal.
Já a prefeitura de Vitória informou, em nota, que a nova gestão vem realizando, “nestes 6 primeiros dias úteis de trabalho, o levantamento das informações dos projetos e programas da Secretaria de Meio Ambiente”. O Iema não respondeu até o fechamento desta edição.
