Com muitas atividades voltando ao normal, ainda que com as medidas de segurança para evitar a contaminação pela covid-19, especialistas defendem a apresentação do comprovante de vacinação dos pais nas escolas em que os filhos estão matriculados.
A exigência seria uma espécie de “passaporte vacinal”, como já vem sendo exigido em outros países, geralmente para eventos maiores.
A professora e doutora em Epidemiologia Ethel Maciel explica que a obrigatoriedade da apresentação dos comprovantes de vacinação já acontece desde a década de 1970, no entanto, no geral, as vacinas eram tomadas ainda na infância, situação diferente da atual em relação à vacina para a covid.
“A diferença agora é que precisamos refletir que estamos em uma pandemia, e que os adultos devem se vacinar e não temos vacinas para as crianças. O que a gente tem de discutir é que as pessoas que moram com essas crianças, o núcleo familiar, a bolha social dela, precisariam estar vacinadas para que essas crianças estejam protegidas e para que elas protegessem colegas de classe, professores e outros trabalhadores da educação”, disse.
Ela defende que, enquanto as crianças e adolescentes não tenham acesso à vacina e estão frequentando as aulas presenciais, pelo menos os pais devem estar vacinados. “Assim, podemos proteger a comunidade escolar”.
O infectologista Moacir Soprani também reforça a importância da apresentação do comprovante de vacinas pelos familiares do estudante. “Caso os pais não sejam vacinados, certamente não vacinarão os filhos. O risco seria a disseminação na escola, de outras crianças e para a família, caso a criança adquira na escola”, frisou Soprani.
Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, Danielle Grillo, a exigência da carteira de vacinação das crianças para matrículas nas escolas é uma regra estadual.
“Para vacina da gripe, por exemplo, o grupo prioritário das crianças é de maiores de 6 meses a 5 anos 11 meses e 29 dias. Por isso é muito importante que as escolas cobrem a carteira de vacinação para que não tenhamos surtos de doenças preveníveis”.
Em nota, a Secretária de Estado da Saúde (Sesa) informou que o assunto ainda entrará em pauta, de acordo com o avanço das faixas etárias e da disponibilidade de doses da vacina contra a covid-19.