Um jogo de apostas no celular, que era para ser um passatempo para aliviar o estresse do dia a dia, se tornou uma dor de cabeça para a família e um sofrimento para um contador de 45 anos, morador do Estado.
Por causa do vício no jogo, ele acumulou uma dívida de mais de R$ 500 mil e teve de pedir dinheiro a amigos e familiares, além de fazer empréstimos para pagar as apostas.
Hoje, o contador faz tratamento e está estável, segundo o psiquiatra Jairo Navarro. “Atendo vários pacientes que sofrem com vício em jogos. Apesar do grande prejuízo que teve, esse paciente conseguiu ter uma boa estabilização”.
O médico cita que a compulsão causa um enorme desconforto ao paciente. “Gera prejuízo horrível. A pessoa não tem controle sobre seus atos e sabe que seu comportamento é disfuncional e inadequado”.
Uma enfermeira de 33 anos lembra dos momentos de sofrimento que teve ao ver o armário cheio de roupas e bolsas de todos os tipos e valores, ainda com etiquetas, e uma dívida de mais de R$ 10 mil em cartões de crédito diferentes.
“Tinha acabado de entrar na faculdade e consegui um cartão de crédito universitário. Nunca repetia roupas, mas sofria sozinha quando as faturas dos cartões chegavam. Essa tristeza era mais um motivo para entrar no site e comprar mais. Quando o primeiro cartão ficou sem limites, logo dei um jeito de fazer outro”, conta.
A enfermeira buscou ajuda quando se viu com cinco cartões de crédito, uma dívida de R$ 10 mil sem ter como pagar, e com vergonha de pedir dinheiro aos pais. “Não sabia o que fazer. Depois de muita resistência, procurei um psicólogo e fiz tratamento”.
O psiquiatra Valber Dias explica que a dependência começa com um hábito que desperta o prazer, se torna regular e, depois, passa a causar problemas, já que a pessoa não consegue mais parar.
“Ela perde o controle. Há pessoas que são, aparentemente, bem controladas, mas, quando têm a oportunidade, como por exemplo o dinheiro, acabam exagerando naquilo que é objeto de dependência”.
A compulsão fica entre o prazer e o sofrimento a todo momento, como explica a psicóloga Raquel Mello. “Ela aparece para aliviar o desconforto. Mesmo quando a pessoa tem consciência dos prejuízos causados pela compulsão, não consegue parar”.
Alguns casos
Sexo o tempo todo
Um homem, morador da Grande Vitória, procurou ajuda para tratar a compulsão sexual e contou que acordava cedo para fazer sexo com a mulher. No emprego, tinha relação com uma colega de trabalho. E, antes de ir para casa, passava em saunas livres para fazer sexo com desconhecidos.
Passou mal sem o celular
Uma jovem de 25 anos procurou ajuda psicológica depois que passou mal porque ficou um dia inteiro sem celular. O carregador quebrou em uma viagem, o que se transformou em angústia, acelerou o coração e causou sudorese.
Prazer e sofrimento
Uma dona de casa de 31 anos, viciada em sexo, conta que teve relações com mais de 200 homens antes de conseguir se recuperar. Moradora da Grande Vitória, ela diz que a escolha dos parceiros não tinha critério e que a vontade era só saciar o desejo sexual, mas sofria em seguida.
Risco de perder a bolsa de estudos
Um jovem de 30 anos foi estudar fora do País. Após 6 meses, não saía de casa e estava para perder a bolsa na universidade, pois passava quase todo o tempo online, jogando. Pediu ajuda quando viu que perderia a vaga.
Dramas dos famosos
Compulsão sexual
O ator Michael Douglas foi uma das primeiras celebridades a confessar ser viciado em sexo. O astro de Hollywood contou que já chegou a se internar em uma clínica para se tratar da compulsão e colocou no vício a culpa pelas constantes traições à ex-mulher. Atualmente, parece recuperado da compulsão.
Corrida de cavalos
Recentemente, o cantor Latino contou que é viciado em aposta de cavalos e chegou a perder todo o dinheiro que ganhou com a sua carreira em 10 anos de sucesso.
“Eu me viciei em corrida de cavalos. Perdi tudo. Por baixo, perdi uns R$ 30 milhões”, contou o artista a um programa de rádio.
Latino contou, no ano passado, que também teve de fazer tratamento para o vício em sexo.
Dívidas com peças de luxo
A cantora Preta Gil revelou, em 2017, que sofreu por causa de compulsão por comida e compras, há mais de 20 anos.
A cantora se endividou comprando peças de luxo idênticas e teve até que vender o próprio apartamento para conseguir pagar as dívidas. Hoje, diz que está 100% curada.
Viciado em games
O ator Daniel Craig, conhecido por ser o atual James Bond, assumiu ser viciado em games e contou que o excesso de horas à frente de jogos prejudicou seu antigo namoro com a produtora cinematográfica Satsuki Mitchell.
O britânico disse que precisava escolher bem como dividir seu tempo, já que, se sua namorada na época visse as embalagens dos jogos, seria o fim do relacionamento.
