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Especialistas alertam que busca por prazer pode se tornar vício

Imediatismo é uma marca da sociedade moderna incontestada pelos especialistas. Porém, a busca imediata por prazer pode tornar hábitos em ...

Última atualização

Imediatismo é uma marca da sociedade moderna incontestada pelos especialistas. Porém, a busca imediata por prazer pode tornar hábitos em comportamentos repetitivos, causando dependência e vício.

É o que explicam especialistas no assunto, como a psicóloga Jennifer Pereira Cardoso, da Green House Psiquiatria. “A compulsão é o desejo máximo de fazer algo e se torna um mecanismo disfuncional para obter prazer de forma rápida”.

Ela diz que há um sistema de recompensa cerebral que avalia, de acordo com cada situação, o nível de prazer.

 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Esse prazer é gerado por um neurotransmissor chamado de dopamina. Quanto mais prazer você tiver, mais chance de repetir aquele comportamento. Porém, quando se repete um comportamento, a dopamina se esgota, necessitando novamente de tal repetição”, detalha Jennifer Cardoso.

Em situações de muito estresse, as pessoas acabam procurando algo para compensar o desprazer, pontua o psiquiatra Valber Dias. “Em situações de incômodo, ansiedade, vamos tender a repetir esses hábitos compulsivamente e, então, há o risco de se tornar um vício”.

O comportamento repetitivo, inicialmente, pode ser para reduzir a ansiedade, como observa o psiquiatra Valdir Campos, mas também pode ser um hábito para preencher um vazio, uma busca de prazer que traz prejuízos para a vida física e mental.

A psicóloga Camila Carvalho, da Clínica Aube, alerta que é importante buscar ajuda profissional ao perceber excessos interferindo no bem-estar.

“Assim, a pessoa poderá descobrir novos comportamentos mais saudáveis. Os grupos de ajuda anônimos também podem contribuir muito no processo de tratamento, pois são espaços em que o indivíduo encontra pares e, juntos, pensam em novas alternativas para lidar com o comportamento excessivo”, ressalta.

A psiquiatra Karen Vasconcelos, coordenadora do curso de Medicina do Unesc, explica que o tratamento da compulsão é abordagem psicoterápica associada a antidepressivos.

“Em alguns casos, ansiolíticos podem trazer benefícios. Para casos mais graves, há possibilidade de estimulação magnética transcraniana (EMT), eletroconvulsoterapia (ECT) ou até neurocirurgia”.


SAIBA MAIS


Terapia, medicamentos e exercícios

Tratamentos da compulsão

  • O primeiro passo é reconhecer os sintomas do exagero e entender que o excesso está atrapalhando a vida em diversos aspectos.
  • Uma avaliação do psiquiatra ou psicólogo. Para quem usa o SUS, a porta de entrada são as unidades de saúde.
  • A psicoterapia com abordagem comportamental ajuda a buscar alívio e prazer em hábitos mais saudáveis, como exercícios e meditação.
  • Antidepressivos indicados pelo médico ajudam o cérebro a usar melhor a serotonina, substância que controla a ansiedade e compulsividade.

Fonte: Especialistas consultados.


O vício e o cérebro


DOPAMINA

  • Um hábito que dá prazer e diminui o incômodo do estresse ou da ansiedade, como exposição a celular, jogos, compras, comida, sexo ou a qualquer objeto do vício, aumenta a quantidade de dopamina no cérebro. Conhecido também como hormônio do prazer, o neurotransmissor é produzido pelos neurônios.

CONSEQUÊNCIA

  • Quanto maior a produção de dopamina no cérebro, mais neurotransmissores ficam no núcleo accumbens (NAc). Nessa área, fica o centro do sistema de recompensa, que produz substâncias responsáveis por bem-estar, satisfação e prazer.

DEPENDÊNCIA

  • O sistema de recompensa do cérebro reage a cada exposição ao objeto do vício, o que diminui sua sensibilidade. Para ter o mesmo prazer, será necessário mais tempo ou novas exposições, levando à dependência.

ESTÍMULO

  • A dopamina, durante o pico da compulsão, chega a ser 10 vezes maior que a produzida por prazeres cotidianos, como passear, namorar ou comer, levando ao êxtase. Com isso, o cérebro entra em comportamento de vício e pede cada vez mais dopamina.

Onde procurar ajuda


Devedores Anônimos

  • É um grupo que funciona dentro dos moldes de Alcoólicos Anônimos. Em reuniões presenciais e online, buscam trilhar o programa de 12 Passos e as 12 tradições para alcançar a recuperação. Compartilham depoimentos contando dificuldades em lidar com o dinheiro, sejam elas por: compras compulsivas, endividamentos compulsivos e autoempobrecimento compulsivo.
  • Contato: http://www.devedoresanonimos-sp.com.br

Jogadores Anônimos

  • É um grupo cujos membros compartilham experiências, força e esperança com o intuito de ajudar outros a se recuperarem de problemas de jogo. No Estado, não existem locais com reuniões presenciais, mas há reuniões online, de acordo com a agenda no site da instituição.
  • Contatos: linha de ajuda pelo WhatsApp (31) 99367-9655 ou (21) 97135-7131. Site: https://jogadoresanonimos.com.br.

D.A.S.A.

  • Os Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (D.A.S.A.) são um grupo de pessoas anônimas que se baseiam no programa de recuperação de 12 passos dos Alcoólicos Anônimos para ajudar as pessoas maiores de 18 anos com comportamento compulsivo sexual ou emocional.
  • Contato: www.dasa-sp.org.

Fonte: Grupos anônimos e pesquisa AT.

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