Imagine estar em casa, num domingo à noite, e ser surpreendido com mais de 300 tiros sendo disparados na rua. Foi por esse pânico que moradores de Balneário Ponta da Fruta, em Vila Velha, passaram no último final de semana. O resultado desse ataque foram duas pessoas baleadas.
Os tiros começaram por volta das 19h30. Testemunhas relataram que os criminosos estavam em duas motos. Eles começaram a disparar no final da rua do Marmelo e foram rodando o quarteirão, atirando sem parar.
“Foram mais de 300 tiros. Estávamos reunidos curtindo uma música e assistindo televisão quando começou o tiroteio intenso”, revelou um motorista, de 52 anos. Ele pediu para não ser identificado.
Duas pessoas foram atingidas: uma jovem de 18 anos, que ficou com uma perfuração na perna e outra no braço, e um homem de 30 anos, baleado nas costas, braço e coxa.
Ferido, o rapaz correu até cair no portão da casa do motorista. “Fez aquele barulho dele caindo no portão, pedindo ajuda. Coloquei ele no carro e levei até o Pronto Atendimento. Foi o que eu pude fazer. Alguém pedindo ajuda na minha porta, eu não podia omitir socorro”, disse.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, a jovem baleada foi socorrida pelos próprios familiares até o Hospital Antônio Bezerra de Faria. Os parentes da vítima disseram para os policiais que ela teria envolvimento com o tráfico.
As investigações iniciais apontam que os responsáveis pelos disparos seriam traficantes rivais que querem tomar o controle dos pontos de venda de droga da região.
Para quem estava em casa e ouviu os tiros, o sentimento foi de terror. “Me senti fragilizado, uma bala pode acertar um filho da gente ou a gente mesmo. A gente se sente desprotegido, sem segurança, podendo morrer a qualquer momento sem ter nada a ver com a vida deles”, desabafou o motorista.
A mulher dele precisou se esconder com as crianças em casa. “Havia umas oito crianças, a mais velha de 10 anos. Foi desesperador, eles estavam brincando no quintal e tive que colocar todo mundo para dentro, alguns começaram a chorar”, lembrou a dona de casa, de 37 anos, sem se identificar.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Até a publicação desta reportagem, ninguém tinha sido preso.
