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Casal dono de restaurante é vítima de homofobia em Vitória

Um casal foi vítima de homofobia em frente ao próprio restaurante, localizado no centro de Vitória. Os donos do estabelecimentos, Caio Cruz e ...

Fabrício e Caio foram ofendidos por idosa

Última atualização

Um casal foi vítima de homofobia em frente ao próprio restaurante, localizado no centro de Vitória. Os donos do estabelecimentos, Caio Cruz e Fabrício Costa, relatam que foram atacados por uma idosa, de 64 anos, que acabou detida pela Polícia Militar.

De acordo com Fabrício, na tarde de sábado (7), o restaurante estava aberto e com vários clientes nas mesas, quando a acusada, que disse ser médica, entrou no estabelecimento. A mulher estaria em um bar em frente ao restaurante e entrou no local reclamando porque havia um carro atrapalhando a passagem na rua.

“Ela adentrou o espaço para tirar satisfação, perguntando de quem era o veículo, falando alto, com muita grosseria. Uma funcionária nossa abordou a mulher e falou que o carro não era de nenhum cliente nosso. A funcionária disse que já tinha perguntado a todos e eles falaram que não era de nenhum deles, mas a mulher insistiu e disse que era para tirar o carro, porque ela iria tirar na marra”, contou ele.

Em seguida, a mulher deixou o restaurante, mas, na saída, derrubou a placa que fica na entrada do estabelecimento e tem gravada nela palavras de gentileza.

Fabrício e Caio foram ofendidos por idosa   (Foto: Antonio Moreira/AT)

Os donos do restaurante estavam no local, mas em outro ambiente e foram informados pela funcionária sobre a confusão causada pela idosa. O casal então decidiu ir até o bar e conversar com a mulher.

“Antes de eu terminar de me apresentar como dono do restaurante, ela levantou me agredindo verbalmente e querendo me agredir fisicamente, mas um homem segurou ela”, relatou Fabrício.

O casal se afastou da mulher, atravessou a rua e começou a ligar para a Polícia Militar. Nesse momento, a idosa insistiu com mais ofensas e expressões homofóbicas, conta Fabrício. Ela xingou os dois e ainda afirmou que estava movimentando uma rede para acabar com o restaurante.

Após a chegada da PM, a idosa foi encaminhada até a delegacia, junto com o casal, a funcionária e um vizinho de empreendimento que também foi testemunhar em favor de Fabrício e Caio.

Fabrício destaca que, mesmo na delegacia cercada por policiais, a acusada não parou com as ofensas. “Para ela, ofender uma pessoa é normal. Mesmo na delegacia, ela insultava a gente na frente dos policiais”, afirmou ele.

A Polícia Civil informou, em nota, que a idosa foi autuada em flagrante por injúria racial qualificada e, como não pagou fiança arbitrada pelo delegado de plantão, foi encaminhada ao Centro de Triagem de Viana (CTV).

De acordo com a audiência de custódia realizada no domingo (8), obteve o benefício da liberdade provisória e sem a necessidade de pagamento de fiança.

Defesa alega que idosa precisa de tratamento psiquiátrico

Na audiência de custódia no presídio, a defesa da idosa apresentou motivos para que a prisão dela não fosse convertida em provisória e que a ela fosse concedida a liberdade provisória.

“A Defesa, em síntese, requereu a liberdade provisória, com ou sem aplicação de medidas cautelares, com dispensa da fiança, diante da hipossuficiência da autuada, destacando que a indiciada necessita de tratamento psiquiátrico”, diz trecho da audiência de custódia, onde é apresentado ainda uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para reforçar esse argumento.

O juiz Ricardo Furtado Chiabai acolheu o pedido de liberdade provisória para a idosa, mas estabeleceu algumas sanções a serem cumpridas por ela. Em caso de violação, a mulher voltará para cadeia.

Entre as medidas está a proibição dela sair da Grande Vitória sem prévia autorização do juiz natural da causa, a proibição de frequentar o restaurante do casal e o recolhimento domiciliar de 20h às 6h.

Vítima diz ter medo

O restaurante onde o caso de homofobia aconteceu completa dois anos no próximo mês. Fabrício diz que nunca foi vítima de um ato tão violento de homofobia. “Tanto eu, quanto o Caio estamos ainda muito abalados processando isso e verificando formas de dar segmento ao processo contra ela, porque não pode ficar impune”, afirmou.

Fabrício disse que, na delegacia, soube que a mulher tem um histórico de ocorrências por ofender outras pessoas na rua. “Não era um caso típico de violência urbana, não é um caso de uma pessoa que vai atacar qualquer um na rua. Ela tem um público alvo que são pessoas negras e gays”, disse ele.

Com isso, apesar das restrições estabelecidas pelo juiz em audiência de custódia, Fabrício revela ter medo.

“A sensação que fica é de medo de ela tentar qualquer coisa contra a gente, de ela não ser punida. Mas a gente acredita que ela vai ser punida, porque ninguém está acima da lei”, ressaltou.

E completou: “A nossa esperança é que ela pague pelos crimes que cometeu e que a justiça seja feita. E que isso seja um forma de educar e ela mude o comportamento dela para não atacar ninguém pela cor, orientação sexual ou qualquer outro motivo”.
 

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