O aumento de preços de produtos e serviços variados continuam assustando os consumidores do Estado. Somente em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,88%.

O aumento do preço da conta de luz foi o que pressionou o índice. Somente no Estado, a tarifa de energia subiu 4,65% em julho, o que equivale a cinco vezes a inflação regional, segundo os dados do IBGE. A variação acumulada nos últimos 12 meses é de 15,41%.
De acordo com Fernando Otávio Campos, vice-presidente financeiro da Federação das Indústrias do Estado (Findes), as empresas não têm margem para segurar aumentos como o da conta de luz.
“Se aumentarmos os custos, temos que jogar para a frente. Os produtos vão acabar subindo de preço, isso é inevitável. A margem das empresas está pequena, pois consumiram o seu crédito na pandemia. Teremos que transferir”, disse.
O economista Marcelo Loyola Fraga citou os juros baixos como um dos responsáveis pelo cenário.
“Juros muito baixos fizeram com que os recursos das famílias fossem para consumo e não para investimentos financeiros. Outro fator que os juros baixos acarreta é o aumento das exportações, pois o dólar fica muito alto. Dessa forma, os produtores preferem exportar a produção, encarecendo os produtos no mercado interno”.
O economista ressaltou que espera que a inflação ultrapasse o patamar de 10% até o final do ano. “Há descontrole da inflação, uma vez que o governo demorou muito para agir. A inflação até o final do ano ultrapassa os 10%”, disse.
A gastrochef Cláudia Lima está sentindo na pele o aumento da inflação. Ela destacou que os custos tiveram que ser repassados para o consumidor, pois boa parte dos produtos que utiliza subiram de preço durante o ano.
“A gente segurou até onde pôde o repasse para o consumidor. Foi a primeira vez que reajustamos este ano o preço dos nossos pratos. Ficou impraticável. Fazendo panificação, a gente gasta muito gás, não tem como não repassar. Existe tempo e logística para o preparo”, lamentou a empreendedora.