
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sindipostos-ES), o preço pode chegar aos R$ 5,15 com a reposição dos estoques nos estabelecimentos. O óleo diesel também aumentou cerca de 6%.
Já o gás de cozinha aumentou cerca de 5%, e pode chegar aos R$ 100 no Estado, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Gás Liquefeito de Petróleo do Estado (Sinregás-ES).
“Não vai ter gasolina a menos de R$ 5 no Espírito Santo. Essa série de reajuste está prejudicando o mercado, porque raramente o motorista enche o tanque. A gente está vendo as pessoas abastecerem R$ 50, R$ 100 no máximo, estritamente o necessário”, disse o presidente do Sindipostos, Eval Galazi: “Os preços devem ficar entre R$ 5,10 e R$ 5,15”.
Anderson Basílio, proprietário de um posto de combustível na Praia do Canto, em Vitória, afirmou que a tendência é de reajuste a curto prazo.
“Nós sempre analisamos os preços da concorrência antes de aplicar o reajuste. Mas dessa vez será difícil segurar o repasse. O valor da gasolina deve ficar, no mínimo, R$ 0,11 mais caro” afirmou Basílio. Ontem, o combustível estava sendo vendido a R$ 4,79 no estabelecimento.
O gás de cozinha também passou por uma série de reajustes no ano passado, trazendo dificuldades para estabelecimentos e consumidores.
“É prejudicial para todo mundo. E agora, dependendo do local, a partir desta terça-feira vai ter botijão de cozinha custando de R$ 90 a R$ 100”, lamentou o presidente do Sinregás-ES, Cristiano do Vale. O valor antes do reajuste era de R$ 85 a R$ 88.
Dona de um restaurante no bairro Ilha de Santa Maria, em Vitória, Amanda Pimentel pretende segurar o preço, reduzindo drasticamente a margem de lucro.
“Se fôssemos repassar esse reajuste, teríamos que aumentar em 25% o valor do quilo do prato. A situação é complicada”, reclamou a empresária.
Proposta para mudar tributação
O governo federal estuda apresentar ao Congresso, ainda esta semana, um projeto de lei para tentar reduzir os impostos sobre os insumos.
A ideia é que o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que incide sobre os combustíveis, seja pago nas refinarias ou tenha um valor fixo.
“Ou um valor fixo para o álcool, gasolina e diesel. Quem vai definir esse percentual, ou valor fixo, serão as assembleias legislativas de cada estado”, disse o presidente Jair Bolsonaro, na última sexta-feira.
O presidente do Sindicato dos Bares, Restaurantes e Similares do Espírito Santo (Sindbares-ES), Rodrigo Vervloet, está acompanhando as propostas.
“A gente espera que não haja novos reajustes, já sofremos demais com os prejuízos. Estamos aguardando medidas do governo para tentar segurar esse preço com a redução dos impostos nos estados e União”, afirmou.
No entanto, o economista José Márcio Soares de Barros, por outro lado, não acredita na eficácia dessa solução.
“As ameaças de greve por parte dos caminhoneiros, por conta dos altos preços do diesel, exigem soluções imediatas, mas a proposta que foi apresentada é simplória”, comentou.
“Seria prejudicial reduzir uma das principais fontes de receitas dos estados, que já têm suas próprias regras para calcular os impostos e cobrir as despesas. A solução ideal seria a própria reforma tributária”, opinou Soares de Barros.
Segundo o economista Marcelo Loyola Fraga, esse aumento não está sendo causado por crescimento no valor de custos, e sim por intervenção dos produtores de petróleo de outros países.
“Se o governo não subsidiar esse preço, vamos ter uma série de problemas, como o aumento da inflação e a greve dos caminhoneiros. Sem esse controle, o preço da gasolina pode chegar a R$ 6”, concluiu o especialista.