As duas últimas semanas foram de muita tristeza para uma família de Pinheiros, no Norte do Estado. Nesses 14 dias, o novo coronavírus (Covid-19) levou a mãe, uma idosa de 91 anos, e três dos seus oito filhos. Uma outra filha da aposentada também está internada em uma unidade do município, mas passa bem.
Apesar de todas as perdas, o filho de uma das vítimas, o autônomo Tonny Pereira Da mota, de 44 anos, conversou com o Tribuna Online e explicou como tudo aconteceu.
De acordo com o vendedor de marmitas e espetinhos, a primeira a adoecer foi a avó dele, a aposentada Iraci Pereira da Mota, 91 anos. Ela precisou ser levada para o hospital no dia 22 de março e morreu no dia 25 do mesmo mês, no dia de seu aniversário e antes de conseguir uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Logo depois, Pedro Piu Pereira da Mota, de 67 anos também adoeceu e precisou ser hospitalizado. Ele, que morava com a mãe, morreu no dia 26 de março, um dia após dona Iraci e sem saber da morte dela. O idoso era envolvido com esportes no município e, segundo seu sobrinho, tinha duas filhas.
A mãe de Tonny, a professora Marilda Pereira da Mota, de 69 anos, também foi infectada pela doença e foi intubada na UTI do Hospital Roberto Silvares, em São Mateus. Ela, que tinha três filhos, não resistiu às complicações da doença e morreu na última segunda-feira (5).
A última a morrer, foi a também professora Maria Aparecida Mota do Livramento, de 63 anos, na madrugada desta quinta-feira (8). De acordo com Tonny, ela estava internada em um hospital particular em Linhares.
“Ela se alimentava bem, praticava exercícios, corria, andava de bicicleta. Na madrugada de hoje (8), recebi um telefonema da minha prima e ela disse ‘Tonny, mamãe está no céu’. Eu fiquei devastado. A gente espera uma notícia ruim, mas nunca essa”, contou o sobrinho.

“Ela chegou a receber alta, mas quando chegou em casa e viu que a mãe e o irmão não estavam lá, ela sentiu falta deles e precisou ser levada novamente para o hospital. Ela ainda não sabe da morte da minha mãe e nem da minha tia”, explicou.
Tonny explicou que a família Mota é tradicional de Pinheiros e que todos eles eram muito conhecidos na cidade.
“Eles eram muito católicos, muito queridos aqui. Quando eu andava na rua, as pessoas perguntavam da minha mãe, dos meus tios. A gente fica procurando uma forma de pensar o por que disso acontecer. Eu sei que é uma doença grave, mas parece uma facada no nosso peito”, lamentou.
Apesar da tristeza, Tonny lembra de todos os familiares com muito carinho. “Todo ano minha avó fazia esse presépio e ele era muito visitado. Todo ano, podia acontecer o que fosse, que ela montava. Isso era atentada demais. Ela só morreu por causa da Covid, porque se fosse depender dela adoecer, ela não ia morrer não, ia ficar aí”, lembrou.

