Uma criança de 2 anos foi agredida em um bairro no município de Cariacica, na madrugada de ontem. À polícia, familiares disseram que o principal suspeito do crime, seria o próprio avô, um homem de 53 anos.
Nenhum nome dos envolvidos ou do bairro vão ser divulgados para preservar a criança. Segundo a mãe da menina, eles estavam em um churrasco na casa de um familiar, quando a criança teria sofrido uma tentativa de assassinato pelo próprio avô, de 53 anos.
“Por volta de 23h, a festa já estava encerrando e a neném adormeceu. Deixamos ela no sofá da sala dormindo e ele deitou ao lado dela”, contou.
A mãe, disse ainda, que ele começou a fazer carinho na neta. “Até aquele ponto eu achei normal, porque ele é avô né”. Em seguida, ela foi para outro local da casa conversar com uma tia e em seguida enteada pediu socorro.
“Minha enteada veio gritando dizendo que meu pai estava estrangulando a minha filha. Entrei em desespero. Quando cheguei na sala ele estava dando uma gravata (mata-leão) na minha filha. Eu e as crianças começamos a bater nele pra ele soltar, mas ele não soltava, foi quando gritamos para as pessoas do lado de fora.”
Todos que ainda estavam no local entraram e resgataram a criança. “Como ela estava dormindo, não teve tempo de chorar como uma forma de reação. Foi tudo bem rápido. Foi como minha tia disse ‘ele agiu como um monstro’”.
A confusão continuou na cozinha e o homem foi retirado do local pelo irmão, para não ser agredido. “Toda vez que ele bebe ele fica agressivo, mas nunca que eu ia imaginar que ele faria isso com uma neta dele”, disse a mãe.
A mãe da menina pede justiça. “Só quero justiça. É meu pai, mas eu quero ele na cadeia. A partir do momento que encostou em um filho meu, eu não quero saber quem é, quero que pague pelo que fez”.
Com o olhar assustado e com medo de quem se aproxima dela ou da mãe, a menina apresenta hematomas no rosto e no braço.
De acordo com a polícia, todos os envolvidos foram ouvidos, e a vítima encaminhada a exames de lesão corporal. Até o fechamento desta edição, o suspeito não havia sido preso. A investigação segue para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
“Podia estar morta no meu aniversário”
No dia em que comemora seu aniversário, a mãe da menina de 2 anos, que teria sido agredida pelo avô, não tinha motivos para comemorar. A alegria deu lugar a um sentimento de luto. “Eu poderia tá velando minha filha hoje”, desabafou a mãe da menina.
A Tribuna – O que aconteceu?
Entrevistada – Estávamos em uma festa de família, meu pai, que já tem históricos negativos quando bebe, chegou mais tarde. Tiramos as fotos, interagimos e quase na hora de ir embora, a minha filha dormiu. Colocamos ela deitada no sofá da sala. Meu pai deitou ao lado dela e ficou, até então estava tudo normal.
E como você viu que ela estava sendo agredida?
Eu estava em outro cômodo conversando com minha tia, quando minha enteada chegou gritando dizendo que meu pai estava enforcando minha filha. Entrei em desespero.
Qual foi a sua primeira reação?
Eu não acreditei, sai correndo, quando cheguei na sala vi ele dando um golpe de gravata nela. Começamos a gritar pedindo para ele soltar, e ele não soltava de jeito nenhum. Foi quando eu e as crianças começamos a bater nele, mesmo assim ele não soltou. Gritamos mais alto para as pessoas que estavam do lado de fora entrarem e ajudar, aí a resgatamos.
A criança não teve reação no momento?
Como ela estava dormindo, não teve nem tempo de chorar, foi uma coisa muito rápida. Ninguém acreditou naquilo. Minha tia mesmo disse que a atitude dele foi a de um monstro.
E depois o que aconteceu?
A confusão continuou na cozinha e meu tio tirou meu pai do local, com medo dele ser mais agredido e até acontecer algo pior. Eu não sei porque o meu pai fez isso, não sei onde ele está e nem quero saber, quero só justiça.
Qual foi a sua maior preocupação?
Era a vida dela, por isso não chamamos a polícia na hora, fomos direto ao médico. Pensei que ele pudesse ter feito algo além do estrangulamento, fiquei com aquilo na cabeça. Mas o médico disse que não tinha marcas, só as do hematomas no rosto e no bracinho.
Ele tem algum histórico de agressividade?
Ele tem problema com álcool e um histórico de ser agressivo, mas não a esse ponto, nunca eu iria imaginar que ele faria isso com uma neta dele.
Como está sua filha hoje?
Ela tá muito assustada, não quer ir no colo de ninguém, só no meu ou do meu marido. É um trauma. Além disso, ela tá com um machucado abaixo do olho e uns hematomas no braço. Hoje à tarde (domingo) vamos ao médico do DML para exames, só quem havia olhado foi o médico do Pronto Atendimento de Alto Laje.
Como você se sente?
Eu estou sem chão. Hoje é meu aniversário e é como se eu tivesse de luto, eu poderia está velando minha filha nesse momento. Só quero justiça. É meu pai, mas eu quero ele na cadeia, a partir do momento que encostou em um filho meu, eu não quero saber quem é, quero apenas que pague.
