Um dos reflexos da pandemia na área da saúde é a restrição nos hospitais à presença de acompanhantes e visitas de familiares a pacientes internados até por outras enfermidades, além da Covid-19.
A equipe de uma rede de hospitais particulares do Estado teve uma ideia para ajudar humanizar o tratamento desses pacientes, diminuindo a solidão dos internados e criando vínculos com os profissionais da saúde que os atendem, ações que ajudam na recuperação.
Como é de praxe em todo hospital, cada paciente internado tem uma ficha com o nome, idade, tratamento que tem realizado, alergias, etc. Agora, essas pessoas ganharam mais um prontuário, o afetivo. Nele, além de nome e idade, os profissionais listam o gosto musical, time do coração, comida preferida, família, animais de estimação e outras informações que possibilitem um acolhimento maior dessa pessoa.
Esse prontuário afetivo fica fixado na porta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde o paciente está internado, de forma que todos os profissionais que vão realizar o atendimento possam conhecer um pouco mais sobre a pessoa que está ali.
O projeto foi uma sugestão dada pela psicóloga hospitalar de UTI, Ingrid Meneghetti. Ela conta que a iniciativa foi inspirada em uma postagem que viu nas redes sociais.
“A ideia é de uma médica de outro estado. Era uma ideia simples, uma folha de papel chamex, na qual pegou uma caneta e colocou as iniciais do paciente e algumas coisas que ele gosta. Isso mexeu muito comigo”, explica.
A psicóloga levou a sugestão aos colegas de equipe, que gostaram a iniciativa, e também apresentou para a direção do hospital, que aprovou a ação e já foi iniciada no dia seguinte.
No caso dos pacientes que estão conscientes, essas informações são coletadas diretamente com eles pela equipe de psicologia. Já aqueles que estão intubados e inconscientes, os profissionais entram em contato com a família, perguntando se eles aceitam participar do projeto.
“Quando o paciente esta intubado, a gente liga para a família para pegar essas informações e eles gostam, até riem porque lembram das características da pessoa”, relatou Ingrid.
Normalmente, a única ligação que as famílias dos pacientes internados recebem é da equipe médica, que transmite dessa maneira o boletim médico diário.

Além de diminuir a solidão de um quarto de UTI isolado e longe de familiares, o prontuário afetivo cria uma proximidade entre os profissionais e o paciente e também resgata a identidade de quem está passando pelo tratamento.
“O paciente admitido na UTI deixa para traz uma parte de sua identidade. Ele só leva para o setor o corpo dele. Não pode entrar com celular, roupa nem aliança. Com a pandemia, o familiar não pode vivenciar essa internação”, disse ela.
Outro resultado dessa humanização no atendimento é que o profissional de saúde não se acomode com a rotatividade de pacientes no setor e passe a enxergar o prontuário não apenas como dados de um paciente, mas que veja pessoas ali.
“Mãozinhas do Amor” simulam aperto de mão de familiar

Essa rede de hospitais particulares do Estado também tem um projeto chamado “Mãozinhas do Amor” para dar apoio a pacientes com Covid-19.
A iniciativa consiste em encher luvas com água e envolver nas mãos dos pacientes, simulando um aperto de mão.
A ação foi inspirada em uma técnica criada por duas enfermeiras do interior de São Paulo. O projeto tem como objetivo proporcionar acolhimento a pacientes internados nas UTI’S em uso de sedativos, isolados, sem seus familiares.
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As luvas de procedimento são preenchidas com água e envolvidas nas mãos dos pacientes, junto com recadinhos de motivação, escritos pelas equipes de enfermagem do hospital.
“A Luvinha do Amor tem o objetivo de trazer um pouquinho do conforto, do aconchego do ser humano, uma vez que os nossos pacientes, nessa pandemia, não têm tido mais a visita de parentes”, explica a enfermeira de UTI, Daniela Peniche.
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A gerente de enfermagem da rede de hospital, Valesca do Carmo Tesch, relata como esse projeto pode ajudar na recuperação do paciente.
“Ele se sente acolhido. É como se tivesse alguém ali, de mãos dadas com ele, durante esse período difícil de recuperação. É uma forma de apoio, carinho e humanização, não só física, mas também emocional. O paciente no centro do cuidado é nossa prioridade, humanizar faz parte desse trabalho.”, explica Valesca.
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