- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Polícia

10 dúvidas da polícia sobre a morte de engenheiro na tirolesa do Morro do Moreno

O que aconteceu na tarde do último sábado que explicaria a morte do engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis, 47 anos, durante descida na tirolesa no ...

Tirolesa, no Morro do Moreno, em Vila Velha, onde João Paulo (destaque) morreu em acidente enquanto se divertia

Última atualização

Tirolesa, no Morro do Moreno, em Vila Velha, onde João Paulo (destaque) morreu em acidente enquanto se divertia (Foto: Leone Iglesias/AT | Reprodução/Acervo Pessoal)

O que aconteceu na tarde do último sábado que explicaria a morte do engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis, 47 anos, durante descida na tirolesa no Morro do Moreno, em Vila Velha?

As investigações, conduzidas pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), buscam esclarecer, pelo menos, 10 dúvidas sobre o acidente.

Uma pergunta crucial refere-se ao sistema de frenagem, segundo o gerente de Relacionamento Institucional do Crea-ES, Giuliano Battisti, que é engenheiro civil, ambiental e de Segurança do Trabalho.

“O controle de frenagem é feito pelo operador, e não identificamos nenhum dispositivo mecânico, com freio, que pudesse controlar a velocidade dessa pessoa. Então, se o operador, que usa um pano ou uma luva, soltar, acelera a velocidade. Precisamos saber, de fato, o que aconteceu”, disse Giuliano.

Ele informou que ainda não é possível afirmar a velocidade em que o engenheiro desceu na tirolesa. “Sabe-se que foi uma velocidade muito grande. Houve um impacto muito forte. Agora, se ele ficou pendurado, se foi arremessado, a gente não fechou ainda”.

Segundo o delegado Tarik Souki, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa de Vila Velha, o caso segue sob investigação. “Estamos esperando os laudos da perícia. As investigações estão sendo feitas, mas, inicialmente, os laudos são apenas preliminares”.

Sobre a interdição do local, o Crea e a Polícia Civil afirmaram que não é de responsabilidade deles interditar o acesso.

Já a Prefeitura de Vila Velha informou, por nota, que “o local é privado e os responsáveis devem ser questionados sobre operação no local e as condições do equipamento, instalado em área particular”.

Disse ainda: “O Morro do Moreno é uma área aberta e as atividades estão liberadas, pela classificação de risco do governo do Estado, desde que atendam aos requisitos de biossegurança. O ocorrido será investigado pelo órgão responsável”.

O diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Luiz Del Vigna, frisou que há um conjunto de novas técnicas que precisam ser seguidas e que a atividade é, no geral, segura, quando seguidas as regras.

A investigação do caso apura a questão das regras e se a manutenção estava sendo feita.

Tirolesa fica a 173m de altura

  • A tirolesa do Morro do Moreno possui 500 metros de extensão, com duas divisões.
  • O primeiro deque, contemplativo, é onde a pessoa coloca os equipamentos de segurança. O local possui 100 metros de extensão.
  • A velocidade é controlada manualmente por um condutor.
  • Já no segundo deque, são 400 metros de extensão, com uma velocidade média de 35 km/h.
  • Na segunda etapa, a velocidade não é controlada de forma manual.
  • A parada final é feita pelo sistema em série de molas absorvedoras de impacto (ABS).
  • A chegada é do outro lado do Morro do Moreno.
  • O peso mínimo para utilização é de 18 kg. O máximo é de 120 kg.
  • A tirolesa tem 173 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de 57 andares.

SAIBA MAIS


Os questionamentos

 (Foto: Jornal A Tribuna)

1 – Há um sistema que controla a velocidade na tirolesa?
No local, há informações de que no primeiro lance – trecho onde aconteceu o acidente com o engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis –, o controle da velocidade é feito por um operador.

 (Foto: Jornal A Tribuna)

2 – Teve tentativa de frenagem? Por que não funcionou?
A Polícia Civil e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) investigam qual era o sistema de frenagem da tirolesa, como era o seu funcionamento e o que aconteceu no dia do acidente.

 (Foto: Jornal A Tribuna)

3 – Houve falha humana do operador da tirolesa?
Outra resposta que precisa ser esclarecida é se houve falha humana do operador ou uma falha mecânica no equipamento.

 (Foto: Jornal A Tribuna)

4 – Qual foi a causa da morte, colisão ou queda?
A investigação vai apontar se o engenheiro morreu logo após colidir com a estrutura de madeira, ainda na primeira etapa da descida, batendo a cabeça do lado esquerdo e morrendo pelo impacto.

5 – A vítima foi arremessada após o impacto?
No dia do acidente, a tenente Andresa Silva, do Corpo de Bombeiros, disse que a vítima foi encontrada logo depois da primeira parada, a três metros. A pergunta é: como o corpo foi parar nesse local?

6 – Uma tira rompida pode ter provocado o acidente?
Em vistoria no local ontem, equipes do Crea encontraram pedaços de tira de proteção que podem ter se rompido no acidente. Essa pode ter sido a causa?

7 – Qual o peso máximo permitido? O peso da vítima pode ter contribuído com o acidente?
O peso máximo permitido é 120 quilos. A família informou que João Paulo pesava 110 quilos, o que está sendo confirmado.

8 – Quem era responsável pela manutenção? Estava em dia?
Quais manutenções foram feitas, qual era o período das manutenções ou elas não foram realizadas? São perguntas que estão sendo apuradas.

9 – A tirolesa foi construída de acordo com as normas técnicas exigidas?
Para chegar a essa resposta, equipes se debruçarão no projeto e em interrogatórios aos responsáveis pela tirolesa.

10 – A cena do acidente foi realmente modificada pelos responsáveis do equipamento?
Um cabo dos bombeiros, que é sócio da empresa responsável pela tirolesa está sendo investigado no inquérito policial que apura o acidente. Uma ocorrência feita pela Polícia Militar diz que ele se recusou a entregar os equipamentos que ele mesmo tirou do corpo da vítima.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.