O que aconteceu na tarde do último sábado que explicaria a morte do engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis, 47 anos, durante descida na tirolesa no Morro do Moreno, em Vila Velha?
As investigações, conduzidas pela Polícia Civil e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), buscam esclarecer, pelo menos, 10 dúvidas sobre o acidente.
Uma pergunta crucial refere-se ao sistema de frenagem, segundo o gerente de Relacionamento Institucional do Crea-ES, Giuliano Battisti, que é engenheiro civil, ambiental e de Segurança do Trabalho.
“O controle de frenagem é feito pelo operador, e não identificamos nenhum dispositivo mecânico, com freio, que pudesse controlar a velocidade dessa pessoa. Então, se o operador, que usa um pano ou uma luva, soltar, acelera a velocidade. Precisamos saber, de fato, o que aconteceu”, disse Giuliano.
Ele informou que ainda não é possível afirmar a velocidade em que o engenheiro desceu na tirolesa. “Sabe-se que foi uma velocidade muito grande. Houve um impacto muito forte. Agora, se ele ficou pendurado, se foi arremessado, a gente não fechou ainda”.
Segundo o delegado Tarik Souki, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa de Vila Velha, o caso segue sob investigação. “Estamos esperando os laudos da perícia. As investigações estão sendo feitas, mas, inicialmente, os laudos são apenas preliminares”.
Sobre a interdição do local, o Crea e a Polícia Civil afirmaram que não é de responsabilidade deles interditar o acesso.
Já a Prefeitura de Vila Velha informou, por nota, que “o local é privado e os responsáveis devem ser questionados sobre operação no local e as condições do equipamento, instalado em área particular”.
Disse ainda: “O Morro do Moreno é uma área aberta e as atividades estão liberadas, pela classificação de risco do governo do Estado, desde que atendam aos requisitos de biossegurança. O ocorrido será investigado pelo órgão responsável”.
O diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Luiz Del Vigna, frisou que há um conjunto de novas técnicas que precisam ser seguidas e que a atividade é, no geral, segura, quando seguidas as regras.
A investigação do caso apura a questão das regras e se a manutenção estava sendo feita.
Tirolesa fica a 173m de altura
- A tirolesa do Morro do Moreno possui 500 metros de extensão, com duas divisões.
- O primeiro deque, contemplativo, é onde a pessoa coloca os equipamentos de segurança. O local possui 100 metros de extensão.
- A velocidade é controlada manualmente por um condutor.
- Já no segundo deque, são 400 metros de extensão, com uma velocidade média de 35 km/h.
- Na segunda etapa, a velocidade não é controlada de forma manual.
- A parada final é feita pelo sistema em série de molas absorvedoras de impacto (ABS).
- A chegada é do outro lado do Morro do Moreno.
- O peso mínimo para utilização é de 18 kg. O máximo é de 120 kg.
- A tirolesa tem 173 metros de altura, o equivalente a um prédio de cerca de 57 andares.
SAIBA MAIS
Os questionamentos
1 – Há um sistema que controla a velocidade na tirolesa?
No local, há informações de que no primeiro lance – trecho onde aconteceu o acidente com o engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis –, o controle da velocidade é feito por um operador.
2 – Teve tentativa de frenagem? Por que não funcionou?
A Polícia Civil e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) investigam qual era o sistema de frenagem da tirolesa, como era o seu funcionamento e o que aconteceu no dia do acidente.
3 – Houve falha humana do operador da tirolesa?
Outra resposta que precisa ser esclarecida é se houve falha humana do operador ou uma falha mecânica no equipamento.
4 – Qual foi a causa da morte, colisão ou queda?
A investigação vai apontar se o engenheiro morreu logo após colidir com a estrutura de madeira, ainda na primeira etapa da descida, batendo a cabeça do lado esquerdo e morrendo pelo impacto.
5 – A vítima foi arremessada após o impacto?
No dia do acidente, a tenente Andresa Silva, do Corpo de Bombeiros, disse que a vítima foi encontrada logo depois da primeira parada, a três metros. A pergunta é: como o corpo foi parar nesse local?
6 – Uma tira rompida pode ter provocado o acidente?
Em vistoria no local ontem, equipes do Crea encontraram pedaços de tira de proteção que podem ter se rompido no acidente. Essa pode ter sido a causa?
7 – Qual o peso máximo permitido? O peso da vítima pode ter contribuído com o acidente?
O peso máximo permitido é 120 quilos. A família informou que João Paulo pesava 110 quilos, o que está sendo confirmado.
8 – Quem era responsável pela manutenção? Estava em dia?
Quais manutenções foram feitas, qual era o período das manutenções ou elas não foram realizadas? São perguntas que estão sendo apuradas.
9 – A tirolesa foi construída de acordo com as normas técnicas exigidas?
Para chegar a essa resposta, equipes se debruçarão no projeto e em interrogatórios aos responsáveis pela tirolesa.
10 – A cena do acidente foi realmente modificada pelos responsáveis do equipamento?
Um cabo dos bombeiros, que é sócio da empresa responsável pela tirolesa está sendo investigado no inquérito policial que apura o acidente. Uma ocorrência feita pela Polícia Militar diz que ele se recusou a entregar os equipamentos que ele mesmo tirou do corpo da vítima.




