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Engenheira faz campanha para doações de medula

O diagnóstico de um câncer, no dia 14 de abril, trouxe um novo capítulo para a vida da engenheira civil Cinthia Mattos, de 39 anos. Em tratamento ...

Casal Rafael e Cinthia, com os filhos João Pedro e Elisa: família motiva engenheira a fazer campanha pela vida

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Casal Rafael  e Cinthia, com os filhos João Pedro e Elisa: família motiva engenheira a fazer campanha pela vida (Foto: Beto Morais/at)

O diagnóstico de um câncer, no dia 14 de abril, trouxe um novo capítulo para a vida da engenheira civil Cinthia Mattos, de 39 anos. Em tratamento contra a leucemia, a moradora de Vitória está em campanha para incentivar as pessoas a se cadastrarem como doadores de medula óssea.

Ela tem compartilhado nas redes sociais sua história e caminhada na busca pela cura. Mãe de dois filhos, João Pedro, de 2 anos e 11 meses, e de Elisa, de apenas 9 meses, Cinthia ficou internada por 24 dias após o diagnóstico.

“Eu só pensei nos meus filhos. Meu mundo caiu. No dia seguinte eu já estava internada. Graças a Deus tive alta um dia antes do Dia das Mães, e pude estar com eles”, diz ela, que desde então faz quatro sessões semanais de quimioterapia e conta com o apoio do marido Rafael Correa.

Segundo Cinthia, o tratamento está se encaminhando para uma provável necessidade de um transplante de medula. A chance de pacientes que precisam de um transplante de medula encontrar um doador compatível é de 30% entre irmãos e muito menor quando se busca por doadores não-aparentados: um em cada 100 mil pessoas.

Passar por tudo isso fez com que a engenheira tivesse a ideia de incentivar as doações de sangue e medula óssea por meio de campanhas nas redes sociais.

Usando lemas como “Você é o tipo certo de alguém”, a capixaba posta mensagens falando da importância de se tornar doador de sangue e de se tornar um voluntário para a doação de medula.

“Não sou apenas eu que preciso, e existem muitas doenças que levam as pessoas a precisarem do transplante. E encontrar pessoas compatíveis se torna mais fácil com mais pessoas cadastradas. Quem doa pode estar salvando a vida de alguém, inclusive a minha”, disse Cinthia.

Segundo Juliana Mattos, irmã de Cinthia, testes preliminares apontaram que os parentes mais próximos não têm 100% de compatibilidade.

“Eu e meus pais fizemos o teste de compatibilidade, mas somos 50%. Nossa campanha é para que mais pessoas se cadastrem e aumente a chance da Cinthia e outros pacientes encontrarem um doador 100% compatível”, contou a irmã, que acompanha a engenheira de perto no enfrentamento da doença.

“Transplante não foi descartado”

Diagnosticada com leucemia linfoide aguda, Cinthia Mattos, 38 anos, iniciou uma campanha nas redes sociais mostrando sua rotina de tratamento, e incentivando as pessoas a se tornarem doadores de sangue e medula óssea.

A Tribuna – Como foi receber o diagnóstico da leucemia?
Cinthia Mattos – Uns dias antes eu estava sentindo dores no pescoço, no braço, mas achava que era torcicolo, excesso de trabalho. Então fiz um exame no dia 14 de abril que acusou a leucemia, e que precisa de tratamento rápido. No dia seguinte já estava internada.

Ficar longe dos filhos foi o pior momento da internação?
Eu só pensava neles. Passa um filme na sua cabeça, sobre a educação que você gostaria de dar, os momentos que pretendia viver com eles, os caminhos que você gostaria de ver eles seguindo. Nem tive tempo de me despedir direito. A Elisa tinha quatro meses, ainda estava amamentando.

Você mostra a rotina do tratamento nas redes sociais. Quando surgiu essa ideia?
Desde o início a ideia era usar a minha história para incentivar as pessoas a aderirem a doação de sangue e medula. Graças a Deus eu estou reagindo bem ao tratamento, mas o transplante não foi descartado. Mas tem muitas outras pessoas que vão precisar.

Como está a repercussão?
Muitos me marcam em publicações mostrando que foram doar sangue e se cadastrar. Importante as pessoas seguirem todo o processo. Infelizmente muitos desistem após fazer a análise de compatibilidade. Cerca de 40% das pessoas chamadas para dar continuidade nos testes não aparecem.

A doença mudou sua forma de ver a vida?
Quando passamos por algo assim, abrimos nossos olhos para as nossas fragilidades e para a necessidade de receber ajuda. Eu mesma só tinha doado sangue duas vezes na vida. Durante as sessões de quimioterapia, convivo com pessoas que precisam encontrar doadores compatíveis, isso te faz acordar para outra realidade. Quando precisei de doações de plaquetas, fui ajudada por pessoas que nunca vi na vida, mas que sabem da importância de amparar o próximo.


SAIBA MAIS


  • A medula óssea, encontrada no interior dos ossos, contém as células-tronco hematopoéticas que produzem os componentes do sangue
  • Para ser um doador é necessário ter entre 18 e 55 anos, estar em bom estado de saúde, não ter doença infecciosa transmissível pelo sangue (como HIV ou hepatite), não apresentar história de doença neoplásica (câncer), hematológica ou autoimune.
  • Para o cadastro, é necessária fazer uma coleta de sangue (5 ml) para testes de tipificação. Pode ser feito nos Hemocentros de Vitória, Colatina, Linhares ou São Mateus. Informações pelo telefone (27) 3636-7920.
  • Os dados serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).
  • Identificado um doador compatível, ele é contatado e convidado a realizar novos testes e uma avaliação clínica e laboratorial. Confirmada a compatibilidade com o paciente e o bom estado de saúde do doador, a doação é agendada. Não é necessária nenhuma mudança de hábitos de vida.
  • Na coleta de medula óssea, o procedimento ocorre em centro cirúrgico, sob anestesia, e requer internação de 24 horas. As células serão coletadas através de punções na região pélvica posterior (osso do quadril) e dura cerca de 90 minutos.
Fonte: Instituto Nacional de Câncer.
 

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