- Vitória, ES 25°C

Vitória 25°C

Anúncio
Economia

Prorrogado corte de energia a clientes de baixa renda

O governo federal negocia com grandes consumidores de energia, como a indústria, um programa de deslocamento de consumo, com a ideia de ofertar ...

Carlos Sena vê dificuldades para as empresas com possíveis alterações no horário de trabalho de empregados

Última atualização

Carlos Sena vê dificuldades para as empresas com possíveis alterações no horário de trabalho de empregados (Foto: Fábio Nunes — 17/06/2019)

O governo federal negocia com grandes consumidores de energia, como a indústria, um programa de deslocamento de consumo, com a ideia de ofertar benefícios como descontos na fatura para aqueles que reduzirem o consumo em horários de pico do sistema.

Nesta semana, o Ministério de Minas e Energia se reuniu com grandes consumidores para discutir as bases do plano, que deve vigorar no mês que vem.

A ideia é oferecer algum incentivo na conta de luz, como descontos na tarifa ou créditos futuros. O percentual de desconto ainda não foi revelado. Também há a intenção de incluir consumidores residenciais no programa.

Uma das sugestões é que as próprias empresas apresentem ao governo um cronograma prévio com o montante de energia a ser poupado durante determinado período. Dessa forma, elas podem planejar melhor sua produção para evitar queda de atividade.

Em outra frente, grandes consumidores podem se voluntariar a ter o consumo reduzido por determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nos momentos de alta demanda.

A proposta é parte do pacote de medidas para enfrentar a seca nos reservatórios de hidrelétricas na região Sudeste, que já incluiu a contratação adicional de usinas térmicas, o que deixa a energia mais cara para o consumidor.

Em ambos os casos, entretanto, a economia não seria obrigatória. Em 2001, diante do risco de apagões em todo o País, o governo federal determinou que os consumidores reduzissem em 20% o consumo de energia, sob pena de um aumento na conta de energia para aqueles que não o fizessem.

Reorganização
Para o diretor do Sindicato da Indústria de Energia do Estado (Sinerges), Carlos Sena, medidas como a adequação de horários para o consumo das empresas são complexas, já que podem demandar reorganização de produção.

“Isso envolve o deslocamento do horário de trabalho, e evidentemente causa custos adicionais. Hoje a ponta de carga do sistema está ocorrendo entre 15h e 16h. Se colocar-se as indústrias para reduzir consumo nesse horário, para manter a produção, reflete-se na jornada de trabalho”, opinou o especialista.

Ainda segundo o diretor, a inclusão de consumidores residenciais teria impacto pouco significativo diante da demanda de energia.

Conta vai ficar mais cara

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, disse ontem que a bandeira vermelha, a mais cara cobrada sobre a conta de luz, deverá subir mais de 20%.

Em meio ao baixo nível dos reservatórios de água, usinas térmicas são acionadas e isso afeta o consumidor por meio da bandeira tarifária cobrada.

Neste mês, já está vigente a bandeira vermelha nível 2, a mais cara, que cobra R$ 6,24 para cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. Agora, a agência discutia elevar essa cobrança para R$ 7,57 a cada 100 kWh.

Ainda segundo o diretor da Aneel, o valor pode ser até maior. Ontem, ele esteve em audiência pública na comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados para discutir a crise hídrica.

Segundo Pepitone, a decisão deve ser comunicada oficialmente ainda neste mês.

Durante o debate, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, disse que estão sendo adotadas medidas para que não haja risco de racionamento de energia neste ano, diante da crise hídrica.

Custo de R$ 8,99 bilhões com térmicas
O acionamento das usinas termelétricas (térmicas) para suprir a seca que atinge as hidrelétricas deverá criar um custo adicional de R$ 8,99 bilhões somente neste ano, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Desse total, R$ 4,3 bilhões já foram gastos até abril.

“Isso terá um impacto na tarifa de 5%”, disse o diretor da Aneel, André Pepitone. Parte desse valor será transferido para 2022, de acordo com o diretor.


SAIBA MAIS


Seca histórica provoca a crise

Crise hídrica

  • A vazão de água que chega aos reservatórios das usinas é a pior entre os meses de setembro a maio desde 1931, segundo dados do Sistema Interligado Nacional (SNI).

  • Em maio, o Ministério de Minas e Energia criou um grupo interministerial de trabalho que vem discutindo medidas para garantir o fornecimento de energia.

  • Uma das primeiras foi o acionamento das usinas termelétricas, que vêm produzindo a R$ 1.500 o MWh (megawatt-hora).

Plano de redução

  • O governo estuda um programa para incentivar a redução de consumo de energia, e a ideia é recompensar as empresas que aderirem ao programa com créditos futuros ou descontos na tarifa.

  • O valor dos descontos ou créditos ainda não foi definido, mas a indústria defende que o cálculo tenha como parâmetro o custo das usinas térmicas que seriam acionadas para atender a essa demanda.

  • A conta seria compartilhada por todos os consumidores. Os grandes consumidores defendem que haveria economia, já que o preço pago teria um desconto em relação ao custo das térmicas.

  • A adesão ao programa, entretanto, não seria obrigatória.

  • A conta de luz deve subir 20%, com novo reajuste na bandeira vermelha.

Fontes: Aneel e Ministério de Minas e Energia
 

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.