Eleito pela primeira vez, em 2020, o agora vereador Alcihélio Lima de Negreiros, o Cecéu (PTC), de 41 anos, tem dividido as tarefas na Câmara de Aracruz com as do seu antigo ofício: a de garçom em uma grande churrascaria do município.
Agora, além de escutar os pedidos quanto ao cardápio, tem também ouvido dos clientes as demandas relacionadas a cidade.
“Aproveitam a oportunidade para fazer cobranças. Fazem pedidos, melhorias em ruas, infraestrutura, saúde. Além do churrasco e as bebidas, pedem umas demandas básicas para bairros e ruas”, brinca.

“Gosto da profissão, do contato com as pessoas no dia a dia, dos eleitores e clientes da churrascaria. Sou garçom desde 1998. Hoje estou vereador, não sou vereador. É um cargo provisório”, disse o parlamentar, que também é líder comunitário do bairro Morobá, na cidade do Norte capixaba.
“Nasci para servir. Seja em comunidade de bairro, na churrascaria ou na Câmara de Vereadores, o pensamento é o mesmo. Aprendi que não se pode prometer às pessoas aquilo que a gente não pode cumprir”, afirma.
Cecéu foi eleito como o segundo mais votado na cidade com 1.192 votos, 133 a menos do que o primeiro colocado, e 246 a mais do que o terceiro. Essa foi a segunda vez que concorreu. Em 2016 também se candidatou ao cargo de vereador e não levou. Teve 617 votos, pouco mais da metade do último pleito, ocorrido em outubro.
O salto na votação ele creditou tanto ao trabalho no restaurante como também ao fato de ter sido coordenador de esportes na cidade, ter envolvimento em trabalhos sociais nas comunidades e aos oito anos de trabalho como líder comunitário. Este último herdado da mãe, que também foi liderança no bairro onde mora.
Formado em Mecânica e História, Cecéu também tem no currículo aulas que deu a detentos no sistema prisional. Atualmente, o garçom vereador divide o tempo em andanças pela manhã nos bairros, sessões da Câmara nas segundas e trabalho como garçom de quarta a domingo. Recebe do restaurante R$ 1.800 e líquido da Câmara R$ 5.800.
Trabalhador do comércio e político, ele teve que conciliar também seu posicionamento em relação à pandemia: “Sempre tive opinião formada que o comércio é o menos culpado. As contaminações ocorrem nos bairros onde as pessoas menos usam máscaras”.