- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Cidades

Mutirão para reduzir lista de espera por cirurgias no Estado

A redução do número de pessoas internadas com a Covid-19 no Espírito Santo vai permitir que o Estado amplie os atendimentos destinados a outras ...

Keyla Vasconcelos com o filho Tiago Vasconcelos Oliveira, de 12 anos: cirurgia por causa de um abscesso de septo nasal

Última atualização

A redução do número de pessoas internadas com a Covid-19 no Espírito Santo vai permitir que o Estado amplie os atendimentos destinados a outras doenças. Para o segundo semestre, o governo prepara um mutirão que visa reduzir a fila de cirurgias sem urgência e a fila de exames.

Isso será possível porque o governo está revertendo leitos hospitalares dedicados a pacientes com Covid-19 para atender pessoas com outras doenças, como explica o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.

“Estamos organizando uma grande mobilização de cirurgias, e também de atendimentos e exames no segundo semestre”, disse em entrevista coletiva nesta semana.

Nésio Fernandes ressaltou, no entanto, que os detalhes de quantidade de cirurgias que serão realizadas, assim como exames, serão divulgados nos próximos dias pelo governador Renato Casagrande.

Entre janeiro e abril, as cirurgias eletivas (sem urgência) ficaram suspensas. O motivo foi a piora no cenário da pandemia, que fez com que as equipes de profissionais de saúde e leitos fossem destinados a pacientes infectados pelo vírus.

Desde maio, segundo a Sesa, com a retomada das cirurgias foram realizados 6.875 procedimentos. As maiores demandas do sistema são relacionadas à oftalmologia, cirurgia geral e ortopedia.

O presidente da Cooperativa dos Anestesiologistas do Espírito Santo (Coopanestes), Célio Miranda dos Santos, contou que no último fim de semana foi realizado o primeiro mutirão no Hospital Dório Silva, na Serra, desde o início da pandemia. Na ocasião, foram realizados 24 procedimentos e cirurgias eletivas, da especialidade de ginecologia.

De acordo com ele, as principais demandas na ginecologia são: laqueadura tubaria, histerectomia (remoção do útero) e períneo. Para ele, os mutirões são fundamentais para reduzir a fila que formou-se em mais de um ano de pandemia.

Sobre a capacidade dos hospitais em realizar cirurgias diárias, ele disse que isso varia conforme o hospital, mas deu um exemplo: “No Dório Silva dá para fazer, em média, entre 24 a 30 cirurgias em mutirão, mas tem a logística, temos que ter a retaguarda, os leitos de recuperação. Não são procedimentos que se faz e o paciente vai embora”.

Keyla Vasconcelos com o filho Tiago Vasconcelos Oliveira, de 12 anos: cirurgia por causa de um  abscesso de septo nasal (Foto: Beto Morais/AT)

Correção de problema no septo nasal

Quem está na expectativa do mutirão é a cabeleireira Keyla Vasconcelos, de 41 anos. Seu filho Tiago Vasconcelos Oliveira, de 12 anos, necessita de uma cirurgia de correção por causa de um abscesso de septo nasal.

Os pais já o levaram para fazer exames e aguardam a cirurgia pelo SUS. “O procedimento foi marcado para fevereiro de 2020, seria no dia 12 de novembro do ano passado, mas a pandemia fez com que o agendamento fosse cancelado”, contou a mãe.

Toda semana, os pais entram em contato com setores de saúde pública, mas recebem a resposta que, por enquanto, não há previsão.

“Ele caiu da cadeirinha do carro aos 3 anos e bateu o nariz na porta. Sua narina esquerda é 100% obstruída. A nossa esperança que é ele consiga. Seria um alívio”, disse a mãe.

Consultas também vão ser anunciadas

Assim como as cirurgias e exames, o mutirão que irá acontecer no segundo semestre deste ano também irá contemplar pacientes que estão à espera de consultas por especialidades.

É o caso de um paciente de 48 anos, que pediu para o seu nome ser preservado. Ele aguarda uma consulta para conseguir encaminhamento para uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Meu pai tem uma hérnia na virilha e estou muito preocupada. Ele sente muitas dores. O status atual dele é aguardando marcação de consulta com o clínico geral para, então, agendar a cirurgia. Já liguei várias vezes para a Sesa, mas eles dizem que temos que esperar”, disse a filha, a jornalista Rafaela Bruna, 26 anos.

Sua expectativa é que ele consiga a consulta e seja contemplado no mutirão que o governador irá anunciar nos próximo dias. “A preocupação maior é que ele nem recebeu a indicação para cirurgia, ainda precisa passar pelo cirurgião para ser encaminhado para um especialista”, lamentou a filha.

Quem também necessita de uma cirurgia para a retirada do útero é a dona de casa Erny Maria da Silva, 44, como conta seu marido, o designer gráfico Thiago Souza Franco, 35. Só que antes disso ela também precisa marcar uma nova consulta no ambulatório de cirurgias ginecologistas no Hospital das Clínicas (Hucam), mas tem encontrado dificuldade.

“Minha esposa tem um mioma gigante e desde o início do mês tento marcar uma nova consulta e no hospital fui orientado que o agendamento só pode ser feito pelo telefone 3335-7100, mas esse número não atende. Temos que trabalhar e passamos horas tentando e nada. Já ligamos para a central e a orientação é continuar tentando”.

Sobre essa situação, o Hucam informou que tomou ciência do caso pela reportagem, está analisando o fato e fará contato com o casal.

Para o presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), Leonardo Lessa Arantes, o mutirão é um avanço. Ele diz que sua realização é uma estratégica para buscar o tempo perdido.

“Mas infelizmente nem todos se beneficiarão. Alguns tiveram suas doenças agravadas pela falta de cirurgias. E isso servirá apenas como um paliativo”, lamentou Lessa.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.