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Mais de 1.700 se casam após os 60 anos

O amor não tem idade, mas viver uma grande paixão depois dos 60 anos pode ser uma experiência ainda mais revigorante e inspiradora.Por isso, muitos ...

Marlene Carvalho, 61 anos, se casou com Natã Carvalho, 59, há 3 meses: “Nunca brigamos, é só amor mesmo”

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Marlene Carvalho, 61 anos, se casou com Natã Carvalho, 59, há 3 meses: “Nunca brigamos, é só amor mesmo” (Foto: Kadidja Fernandes/at)O amor não tem idade, mas viver uma grande paixão depois dos 60 anos pode ser uma experiência ainda mais revigorante e inspiradora.

Por isso, muitos são os casais que se encontram nessa altura da vida e decidem se unir. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Espírito Santo, foram 1.702 idosos que oficializaram a união no ano de 2019.

Um desses casais maduros, que também se conheceu de uma forma inusitada, é a costureira aposentada Ana Gomes de Oliveira Cabral, de 70 anos, e o padeiro Francisco Cabral Neto, 76. Eles são primos, mas se encontraram pela primeira vez em 2013, quando ele saiu do seu estado, Paraná, para cuidar da mãe, tia de Ana, em Cariacica.

Eles se casaram seis meses depois do começo do namoro e a cerimônia foi ainda mais especial em virtude da presença da mãe de seu Francisco, que morreu dois meses depois. Hoje, o casal vive em Cariacica. “Não tenho nem palavras para descrever como nós somos unidos”, revela Francisco sobre a relação dos dois.

O coração de ambos estava livre quando se conheceram. O padeiro era viúvo e tem três filhos do relacionamento anterior. Ana, por outro lado, nunca havia subido no altar. Mas, para ela, a espera valeu a pena porque a relação entre os dois é madura e tranquila. “Ele é uma pessoa muito trabalhadora e comunicativa”, destacou.

Já a comerciária Marlene Carvalho, de 61 anos, e o corretor de imóveis Natã Carvalho, 59, se apaixonaram por intermédio “divino”.

O casal se conheceu quando uma amiga pediu que Marlene fizesse uma oração para ela na igreja onde frequentava, na qual Natã era pastor.

Depois disso, começaram a conversar e, posteriormente, a namorar. Em três meses já estavam noivos. Eles se casaram em março deste ano no civil, mas ainda pretendem realizar a cerimônia na igreja.

“Eu já tinha desistido”, conta Marlene sobre se relacionar com alguém. Ela acreditava que não encontraria mais o amor, depois de muitos anos estando solteira. Apesar disso, segundo ela, a maturidade do relacionamento é algo do qual se orgulha. “Nunca brigamos, é só amor mesmo”, revelou.

Amor no forró (Foto: Leone Iglesias/at)Amor no forró

O romance entre a costureira aposentada Maria Sampaio, 82, e o trabalhador aposentado da construção civil Edivaldo Coutinho, 68, começou no forró. Eles se conheceram em um baile da terceira idade.
Ambos já haviam sido casados, mas a costureira afirma que se relacionar depois dos 60 anos foi ainda melhor porque há mais confiança e entrosamento. Segundo ela, com a idade, as pessoas passam a ser mais criteriosas na hora de investir em uma relação. Hoje ela o considera seu “noivo permanente”.

Cerimônias e festas com menos convidados

A cerimônia do casamento é um acontecimento ímpar na vida de qualquer casal, mas existem algumas particularidades quando se trata de noivos que passaram dos 60 anos. As diferenças estão na escolha da decoração, espaço, comidas e vestimentas para o grande dia.

Nada de festas grandes e luxuosas. O principal, para eles, é servir bem os convidados e acolhê-los da melhor forma possível, de acordo com cerimonialistas.
Nesse sentido, o foco é a qualidade do serviço contratado com o objetivo principal de agradar a todos durante a cerimônia.

Quem faz a observação é a organizadora de eventos há 16 anos, Luciane Scardua. Para ela, diferentemente de casais mais jovens, sempre preocupados em seguir a moda, os mais velhos buscam promover um ambiente agradável para legitimar a união perante a família.

Um ponto em comum entre os casais idosos, segundo ela, é o fato de que a maioria não havia se casado anteriormente ou casaram-se muito jovens.
Além disso, os noivos costumam passear mais pelo salão, cumprimentando os convidados. “Eles quase não se sentam”, revelou.

Quanto à relevância do evento, ela enfatiza outro aspecto: a importância da oficialização da união para a comunidade religiosa na qual o casal está inserido.

Já a celebrante Liandra Zanette conta que o desejo dos noivos é integrar a família no momento do matrimônio. “Quando o casal tem filhos e netos, é comum desejar o envolvimento deles na cerimônia”.
Ela destaca que, apesar do aumento na quantidade de celebrações mais íntimas entre os jovens durante a pandemia, quem mais procura por comemorações menores são os casais mais idosos.


SAIBA MAIS 


Crescimento de 12% de 2016 a 2019

Os números

  • Em 2016, casaram-se 1.490 pessoas com a faixa etária acima dos 60 anos no Espírito Santo.
  • Em 2017, foram 1.434 pessoas nessa faixa etária.
  • Em 2018, esse número chegou a 1.557 pessoas.
  • Em 2019, casaram-se 1.702 pessoas com mais de 60 anos.
  • De 2016 a 2019, houve um aumento de 12% no número de casamentos de pessoas nessa faixa etária no Espírito Santo.

Explicação

  • Segundo o psicólogo Gerson Abarca, mesmo não sendo referentes ao período de isolamento social, os dados são expressivos. Eles refletem o número de pessoas que começaram a definir uma relação estável com o intuito de vincular-se afetivamente a alguém. Essas pessoas geralmente buscam oficializar a união com o casamento.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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