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Economia

Mal da vaca louca: expectativa de redução no preço da carne

Após a confirmação de casos do mal da vaca louca, que resultou na suspensão temporária da exportação da carne bovina do Brasil para a China, a ...

Última atualização

 (Foto: Pixabay)

Após a confirmação de casos do mal da vaca louca, que resultou na suspensão temporária da exportação da carne bovina do Brasil para a China, a tendência é de que o mercado interno seja abastecido e, assim, o preço da carne vermelha fique mais baixo para os brasileiros.

O economista Marcelo Loyola Fraga acredita que as restrições devem influenciar no custo do produto, e lembra que há um fator agravante: a carne vermelha é um alimento que tem prazo de validade mais reduzido, o que pode contribuir para a queda dos preços já nas próximas semanas.

“Havendo restrições da exportação da carne vermelha, essa carne vai ter que ser consumida no Brasil, é um bem perecível, então, consequentemente, haverá redução de preços aqui. O que acaba sendo um alívio para o consumidor brasileiro, que tem sofrido constantemente com muitos reajustes”, analisa Loyola.

Segundo o presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), Fábio Dall’Orto Dalvi, os supermercados ainda não têm sentido o impacto das restrições, mas “os próximos dias ainda são incertos”.

A alteração dos preços também vai depender diretamente do interesse dos consumidores pelo item, conforme explica o economista Eduardo Araújo.

“O comportamento do consumidor também pode influenciar. Se percebermos que essa medida vai impactar em mudança de hábitos, de se sentir inseguro de consumir a carne bovina, por exemplo, isso diminuiria a procura e potencializaria a queda de preço”.

Casos

Os dois casos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) atípica aconteceram em frigoríficos de Minas Gerais e Mato Grosso e foram detectados em vacas de descarte que apresentavam idade avançada.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os casos atípicos da doença não apresentam risco para a saúde humana e animal.

A reportagem tentou contato com a Federação da Agricultura do Estado (Faes), mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Organização vê o risco como “insignificante”

Brasília

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) manteve, na segunda-feira (6), o status do Brasil de país com “risco insignificante” para Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), mais conhecida por mal da vaca louca.

A decisão foi anunciada dois dias depois de o Ministério da Agricultura ter confirmado a ocorrência de dois casos, em Minas Gerais e no Mato Grosso, de “origem atípica”, em que a causa é uma mutação em um único animal, e não por meio de da contaminação entre dois ou mais bovinos.

De laudo em mãos, o Ministério da Agricultura notificou os países importadores de carne bovina brasileira e suspendeu os embarques do produto para China. Com o posicionamento da OIE, a expectativa é de que os chineses retomem em breve as encomendas do Brasil.

“Com isso, diante dos resultados obtidos, esses casos foram concluídos por não representarem risco para a cadeia de produção bovina do País”, destacou o Ministério da Agricultura, em nota, também na segunda.

De acordo com o órgão, os animais foram atingidos de forma independente e isolada. Na nota, o governo reforça que o Brasil, por manter a classificação como país de risco insignificante para a doença, não oferece perigo ao exportar a carne bovina.

Segundo a pasta, isso mostra que não há justificativa para “qualquer impacto no comércio de animais e seus produtos e subprodutos”.


Doença não ameaça a saúde dos humanos


Mal da vaca louca

  • A Encefalopatia Espongiforme Bovina, nome oficial do “mal da vaca louca”, é uma enfermidade degenerativa, crônica e fatal que afeta o sistema nervoso central de bovinos.
  • A Doença é causada por uma proteína chamada príon.
  • O príon já é presente no cérebro de vários mamíferos, inclusive no ser humano, mas pode se tornar patogênico ao adotar uma forma anormal.
  • O animal apresenta sintomas neurológicos, como nervosismo, apreensão, medo, ranger dos dentes, hipersensibilidade ao som, toque e luz, e dificuldade para andar.

Formas de contrair a doença

  • Origem atípica: o príon sofre uma mutação e torna-se infeccioso naturalmente. É mais comum em animais mais velhos.
  • Contaminação: por meio do consumo de rações feitas com proteína animal contaminada.

Controle

  • Em 1996, o Brasil proibiu o uso de proteína animal na alimentação de ruminantes – exceto leite e derivados.
  • Em 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou um comitê para revisar as normas para vigilância, controle, erradicação, certificação e emergência sanitária do mal da vaca louca.

Por que o preço da carne bovina pode cair?

  • Com a suspensão temporária da exportação da carne bovina do Brasil para a China, a tendência é de que o mercado interno seja abastecido.
  • Especialistas acreditam que isso pode baratear o custo da carne vermelha para os brasileiros.
  • A alta perecibilidade do produto também pode contribuir para a redução do preço.

Posso continuar comprando carne?

  • Sim. Segundo o Mapa, os casos registrados são atípicos e, portanto, não há uma contaminação geral nem uma epidemia da doença.

Fonte: Mapa e especialistas consultados.

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