Após a decisão do Ministério da Saúde de restringir a vacinação de adolescentes sem comorbidades contra Covid-19, o secretário da pasta no Espírito Santo, Nésio Fernandes, criticou o anúncio, a qual classificou como “estarrecedor”.

O secretário questiona a estratégia para imunização dos adolescentes no País, que segundo ele já estava prevista, anunciada e documentada pelo próprio Ministério da Saúde.
“Qual a proposta, imunidade de rebanho para adolescentes? Essa é a estratégia do Ministério da Saúde? Não, não é estratégia do Ministério da Saúde, é a estratégia do presidente da República. O negacionismo governa o país”, questionou.
Nésio ainda comenta que as posições apresentadas na coletiva fragilizam a confiança nas vacinas e no SUS.
“Vamos precisar de serenidade neste momento. Como gestores nos compete seguir o enfrentamento a pandemia, vamos defender vacinas seguras, eficazes e autorizadas para uso nos adolescentes como estratégia de saúde pública, não vamos adotar a estratégia de ‘imunidade de rebanho'”, completou o secretário.
Nésio ressalta: “Estarrecedor. É um consenso na epidemiologia a necessidade de alcance a ampla cobertura vacinal para controle de doença infectocontagiosa”. E complementa dizendo que, para isso, é necessário que 90% da população esteja vacinada.
“Vacinar adolescentes com vacinas autorizadas pela agência reguladora nacional, a Anvisa, é parte da estratégia de controle da pandemia. Controlar a pandemia é igual a vidas salvas, economia revigorada e segurança espiritual as famílias”, explicou Nésio.
Coletiva
Durante coletiva do Ministério da Saúde, na tarde desta quinta-feira (16), o ministro Marcelo Queiroga anunciou e deu explicações sobre a decisão de restringir a vacinação de adolescentes contra Covid-19.
“O Ministério da Saúde pode rever a posição desde que haja evidência científica sólida. Por enquanto, por questão de cautela, temos eventos adversos a serem investigados, temos adolescentes que tomaram vacinas que não estavam recomendadas, temos que acompanhar”, disse o ministro.
Queiroga comentou que mais de 3,5 milhões de adolescentes já foram vacinados no país e que cerca de 1.500 deles apresentaram eventos adversos, equivalente a 0.042% do total.