A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) manteve orientação de uso da Pfizer em adolescentes sem comorbidades, apesar de o Ministério da Saúde ter divulgado nota em que retira esses jovens do público-alvo da vacinação.
O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) haviam pedido posicionamento da Anvisa sobre a questão.
Isso porque, em junho, a agência havia autorizado o uso do imunizante da Pfizer para todos os brasileiros a partir dos 12 anos.
Um dos motivos do Ministério da Saúde para suspender a vacinação em adolescentes sem comorbidades seria a morte de um jovem em São Paulo.
No entanto, a agência disse que a morte está sendo investigada e, no momento, não há uma relação causal definida entre este caso e a administração da vacina.
“A Anvisa já iniciou avaliação e a comunicação com outras autoridades públicas e adotará todas as ações necessárias para a rápida conclusão da investigação. Entretanto, com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina.”
Secretários disseram à reportagem que não foram consultados e que a mudança não passou pela Câmara Técnica do PNI (Programa Nacional de Imunizações).
A mudança de posição da Saúde sobre a imunização de adolescentes sem comorbidade foi feita horas após o ministro Marcelo Queiroga afirmar que há vacina em excesso no Brasil.
“Há excesso de vacina, na realidade, o Brasil já distribuiu 260 milhões de doses, 210 milhões já aplicadas”, disse o ministro na quarta-feira (15), sem explicar por que há unidades da Federação sem doses disponíveis para seguir o calendário vacinal.
A declaração foi dada durante um evento de entrega de novo lote de vacinas da Pfizer que foram enviadas aos estados. Questionado sobre os problemas enfrentados em algumas regiões do país, ele negou que haja problema de entrega da AstraZeneca.
No Espírito Santo, a vacinação de adolescentes segue normalmente.
Por meio de nota, a Secretaria da Saúde do Espírito Santo informou que mantém a posição em relação a continuidade da vacinação contra a Covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos com e sem comorbidades.
Mais cedo, nesta quinta-feira (16), o Secretário da Saúde do Espírito Santo, Nésio Fernandes, criticou a decisão do Ministério da Saúde de restringir a vacinação de adolescentes sem comorbidades.
Ele comentou as declarações do ministro Marcelo Queiroga no seu perfil no Twitter:
Estarrecedor.
É um consenso na epidemiologia a necessidade de alcance a ampla cobertura vacinal para controle de doença infectocontagiosa.
Dependendo da taxa de transmissão de um vírus e da eficácia das vacinas disponíveis encontramos o % de cobertura vacinal necessária.
— Nésio Fernandes (@dr_nesio)