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As mulheres vêm conquistando avanços no mercado de trabalho. Embora a desigualdade ainda seja grande, elas já ganham mais do que os homens em 479 profissões, segundo dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
O número equivale a 20% das 2.138 profissões com carteira assinada no País. Esses dados, comparados com os de uma década atrás, deixam claro que elas viraram o jogo em 224 carreiras, o que reflete também a realidade do Estado.
É o que afirma a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas, que fez uma pesquisa de mestrado envolvendo o assunto. Segundo ela, no Espírito Santo, de 25% a 30% das mulheres ganham mais do que os homens.
Elas têm maior nível de qualificação formal e estão indo para áreas de base salarial mais atrativa, como tecnologia da informação, engenharia e saúde. Mas, mesmo assim, em sua maioria, ganham menos.
Gisélia explicou que isso acontece por diferentes motivos. “Ainda existe enraizado na sociedade um discurso machista de que o salário da mulher é só para ela e o do homem é para a família”, lembrou.
Ela disse que já é comprovado cientificamente por pesquisadores americanos que há toda uma questão histórica comportamental, não é só o preconceito. “Pesquisas comprovam que as mulheres têm uma postura mais colaborativa e menos competitiva que os homens”.
Quando o assunto é aumento de salário, por exemplo, a diferença no comportamento é evidente. “É muito difícil ver uma mulher pedindo. Os homens são mais competitivos, mais arrojados, não têm vergonha de pedir”, apontou.
A diretora da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Jovaneide Sales Batista, explicou que as mulheres precisam acreditar mais nelas mesmas.
Mas o fato de elas não acreditarem que estão prontas para uma promoção, por exemplo, tem a ver com algumas crenças. “Culturalmente as mulheres foram criadas em uma ambiente com o papel de ter filho, casar. É um aspecto mais cultural do que de autoestima, achar que não está pronta”.
Ela lembrou que elas também enfrentam o dilema entre dedicar tempo para a família e o trabalho. A mestre em psicologia organizacional do trabalho Viviane da Mata destacou que a sociedade ainda precisa evoluir muito na divisão de papéis dentro do lar.
SAIBA MAIS
Os dados do governo
As mulheres ganham mais que os homens em 479 profissões, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), de 2019.
O número corresponde a 20% do total de ocupações de carteira assinada naquele ano.
Se comparado com os dados de 2010, fica claro que elas viraram o jogo em 224 carreiras.
Evolução
Durante muitos anos, no Espírito Santo, as mulheres só tinham salário maior que os homens nas ocupações de professor e arquiteto. Atualmente, no Estado, entre 25 a 30% das mulheres ganham mais que os homens.
ALém disso, elas estão indo para áreas com base salarial mais atrativa, como tecnologia da informação, engenharia, saúde, marketing digital, por exemplo.
Elas também buscam mais pela formação educacional formal, estando muitas vezes mais qualificadas que os homens.
Além disso, por uma questão comportamental, elas reúnem competências que são muito importantes no mercado de trabalho, como intuição, empatia e compaixão.
Estudos demonstram que esses elementos são essenciais para criar ambientes mais favoráveis ao trabalho.
O que precisa melhorar
Apesar de a mulher ter vários pontos a seu favor, para ter mais igualdade no mercado de trabalho, ainda há um longo percurso pela frente.
Ainda existe enraizado na sociedade um machismo estrutural. Muitas vezes, lideranças machistas, tanto homens quanto mulheres, acabam contribuindo para a manutenção dessa desigualdade.
Além disso, pesquisas comprovam que as mulheres têm uma postura muito mais colaborativa que competitiva. As mulheres preparadas e capacitadas precisam acreditar mais em si mesmas e ter mais ousadia quando o assunto for promoção e aumento de salário, por exemplo.
EM casa, as divisões de tarefa com o marido devem ser feitas de forma justa. Para que essa mulher também tenha tempo de se dedicar ao trabalho e ascender na carreira.
Metodologia
Para saber o número de mulheres com nível superior completo que ganham mais que os homens, foi feita uma comparação da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2019 e de 2010.
Na tabela ao lado seguem alguns exemplos de ocupações em que elas ganham mais que eles.