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Dependência

“O celular é a droga do século 21”, afirma psicólogo

O especialista espanhol Marc Masip, fundador de um programa contra a dependência da internet, diz que os telefones possuem elementos altamente ...

Psicólogo Marc Masip disse que os jovens só devem ter um dispositivo móvel inteligente a partir dos 16 anos

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Com o celular sempre em mãos, seja antes de dormir, na rua ou ao longo de várias horas, quem não desgruda das redes sociais intensificou o uso durante a pandemia. Contudo, a partir disso,  foi revelada  uma situação ainda mais profunda nos últimos meses: o vício.        

Esse problema tornou-se tão extremo que, em alguns casos, especialistas chegam a compará-lo com a dependência em drogas. Pode parecer exagerado, mas  para o psicólogo espanhol Marc Masip, essa é atual a realidade do mundo.   

  

A Tribuna – Nós estamos viciados nos celulares, nas redes sociais, internet? 

Marc Masip – Neste momento que vivemos, somos, sim, viciados pela dopamina (o hormônio do prazer) oferecida pela internet. O  fato de termos os celulares conosco todos os dias, a qualquer  momento, faz com que surja um vazio quando não o temos. 

Muitas vezes, até o utilizamos sem dar conta,  igual quando o checamos mesmo sem ter recebido qualquer notificação. Parece que, quando  temos os celulares, nos sentimos  mais protegidos e acompanhados. 

Porém, o problema não é a rede social, mas sim as dificuldades emocionais que temos agora: necessidade de admiração, pertencimento a um grupo, a sensação de solidão… As redes sociais amenizam de forma imediata esses sentimentos,  mas não os resolvem.

Por que esses sentimentos nocivos aparecem?

O que nós vendemos nas redes é sempre a nossa melhor versão, sendo que, normalmente, ela está longe da nossa realidade. O abismo entre o que você é o que vende nas redes sociais acaba se tornando uma frustração, muito ligada ao vício e à depressão. 

Para o jornal BBC, você disse que não há nenhuma diferença entre o vício em drogas e o em celular?Considero o vício em drogas ou ao telefone igualmente prejudicial, tanto para a vítima quanto para a sua família. Os celulares são a heroína, a droga,  do século 21. Nos dias de hoje, a tecnologia  causa o mesmo dano que a heroína causou nos anos 1950 e 1960, pois não sabíamos os danos e as consequências para o ser humano.

A diferença entre o vício pelo celular e pelas drogas é que o celular pode ser utilizado em excesso; as drogas, não. Evidentemente que as drogas são muito mais agressivas para a sociedade, porém não se morre de imediato ao tomá-las.  Primeiro, é preciso consumi-las em excesso.

Além disso, assim como as drogas,  já foi demonstrado que os telefones possuem elementos altamente viciantes e geram problemas a médio e longo prazo de ordem emocional. Seu tratamento é o mesmo em ambos os casos. 

Repito, felizmente o telefone móvel também pode ser bem  utilizado, então vamos fazê-lo!

Como o corpo reage a esses vícios? As reações são similares nos dois casos? 

 













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Claro que a reação física é diferente nesses casos, mas emocionalmente pode ser igual –  ou até pior, porque utilizamos o celular cada vez mais e nada nos avisa quando já estamos ultrapassando os limites.

Esse tipo de vício é tratado da mesma forma que o em drogas? Por exemplo, uma pessoa que está sendo tratada contra a abstinência digital tem de ser proibida de usar o telefone?

Depende do caso. Nem sempre se deve tirar isso de um paciente em tratamento, mas  às vezes retiramos, sobretudo se eles são muito jovens e não estão preparados para saber utilizá-lo. 

O que nós buscamos propor (no tratamento psicológico)  é um uso consciente, dentro de uma vida completamente normal e adaptada.

Como as pessoas podem descobrir se estão sofrendo com os efeitos negativos do uso do celular?  

Quando o utilizam por muitas horas seguidas,   deixam de fazer algo por estar com o telefone (trabalhar, estudar, dormir, estar com a família e os amigos, fazer esportes) ou assim que tentam usar menos, mas não conseguem.

Quais as consequências do excesso dos celulares?

Isolamento gradual do mundo real (para mim, a pior); falta de interesse em outras atividades; fascinação por esses aparelhos e suas novidades; conflitos familiares; diminuição do rendimento acadêmico; perda da capacidade de leitura; ausências escolares; problemas de sono; oscilações de humor;   e uma possível porta de abertura para outros perigos  (pornografia, apostas, violência, entre outros).

E sobre o acesso das crianças à tecnologia? A partir de qual idade elas podem usar o smartphone?

Não acho que os jovens devam ter um dispositivo móvel inteligente (incluindo tablets, celulares, entre outros) com menos de 16 anos. 

Abaixo disso, elas não estão preparadas para ter um e, ao mesmo tempo, também não necessitam dele para nada. 

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