A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira no País e como o próprio nome já sugere essa lesão na retina é consequência do diabetes. A melhor prevenção neste caso é a realização de exames do fundo do olho para um diagnóstico precoce e a tecnologia vira um aliado nesse momento. Uma máquina, semelhante a um celular e que cabe na palma da mão, faz a foto do fundo do olho do paciente e consegue identificar se há lesão ou não no órgão.
Essa máquina será utilizada durante uma ação que vai realizar exames oftalmológicos de graça, no Hospital das Clínicas (Hucam), em Maruípe. A iniciativa do Núcleo Avançado de Retina e Pesquisa em Oftalmologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Narpo/UFES), acontece no dia 27 deste mês e vai atender 150 pacientes já pré-agendados pelo hospital, das 7 horas às 13 horas.
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O professor de Oftalmologia da Ufes, doutor Thiago Cabral, explica que a máquina possui uma inteligência artificial que possibilita a realização do exame de forma mais rápida, podendo ser atendidas mais pessoas.
Segundo ele, essa inteligência artificial é ensinada a ler uma foto do fundo de olho normal e com retinopatia, o que é algo novo no mercado. “Essa máquina tem a capacidade de fazer uma foto do fundo do olho e dizer se aquela foto do fundo do olho está normal ou não”, explica ele.
Algumas empresas estão explorando essa tecnologia e desenvolvendo essas máquinas. Os equipamentos que vão ser utilizados na ação do Hucam foram emprestados por uma dessas empresas e serão devolvidos logo após o mutirão.
Cabral frisa que essa ação acontece neste mês por novembro ser o mês mundial do diabetes e existe uma campanha no mundo inteiro para a prevenção da retinopatia diabética. O foco dos exames oculares é na cegueira causada pelo diabetes.
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“De cada 10 pessoas com diabetes, 3 tem retinopatia diabética. Hoje, ela é uma das maiores causas de cegueira no Brasil. Vamos atender entre 100 e 150 pacientes, então são esperados de 30 a 40 pacientes com doença ocular que precisa de tratamento”, disse o professor.
Sem esse atendimento, essas pessoas em cinco anos poderiam perder a visão completamente por conta da retinopatia diabética.
“Existe um aumento no número de pacientes diabéticos no Espírito Santo e essas pessoas não têm acesso ao oftalmologista. Isso é um grande problema. Todo diabético tem que ir ao oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. Se está aumentando em 18% o número de diabéticos, vai aumentar em 6% o número de pessoas com retinopatia diabética e 30% dessas pessoas ficam cegos. É um problema gravíssimo”, alerta ele.
Cabral ressalta a importância de todo paciente diabética consultar o oftalmologista, pelo menos, uma vez ao ano e realizar o exame de fundo de olho para prevenir a doença, que pode causar cegueira.
Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) mostram que a pandemia da covid-19 impactou na realização de exames para detectar a retinopatia diabética. No Brasil, mais de 2,3 milhões procedimentos para diagnosticar a doença deixaram de ser realizados na rede pública.
No Espírito Santo , de janeiro a setembro de 2021, foram realizados um total de 63.019 exames de diagnóstico para retinopatia diabética. No mesmo intervalo, em 2020, foram feitos 42.590 procedimentos.
Mesmo com o aumento de procedimentos nessa comparação entre 2020 e 2021, não foi possível superar o patamar de atendimentos de 2019, ano pré-pandemia, quando os dados apontam a execução de 102.695 testes do tipo.
Tecnologia vai ajudar a realizar mais exames
O professor espera que com a difusão dessa inteligência artificial mais pessoas tenham acesso a esses exames para diagnóstico da retinopatia diabética. ” Às vezes, o indivíduo está em uma aldeia indígena e tira a foto de um olho, manda por um computador e o computador já diz se precisa ir ao médico ao não. Com os anos isso vai ser assim. Você leva essa máquina com um técnico lá na Amazônia e eu consigo ver essa foto aqui em Vitória”.
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Mutirão
Durante o mutirão do dia 27, serão ainda realizados a aferição de glicemia capilar, aferição de pressão arterial, anamnese e teste de acuidade visual, exame biomicroscópico do segmento anterior e oftalmoscopia binocular indireta ou biomicroscopia de fundo, plano terapêutico para tratamento específico.
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“Todos os pacientes vão passar por essa máquina e aqueles que estiverem normais não vão não precisar entrar no hospital. Os pacientes que tiverem algum problema nós vamos examinar e fazer algum tratamento que estiver disponível no momento também, que seria o laser e o encaminhamento para cirurgia”, explicou Cabral.
Por conta da pandemia, o atendimento será feito apenas aos pacientes já agendados pelo hospital, ou seja, não haverá atendimento por livre demanda ao público.
Mutirões como o que acontece no Espírito Santo, também vão ocorrer em outros estados do Brasil no dia 27, com apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.