A medicina é marcada por desafios, conquistas e emoções. Nesta segunda-feira (18) é comemorado o Dia do Médico e, para muitos deles, a pandemia da covid-19, que dura aproximadamente um ano e meio, tem sido o momento mais desafiador da carreira.
Nem mesmo o medo da contaminação, a sobrecarga de trabalho e o desgaste emocional fizeram com que esses profissionais desistissem de cuidar da saúde e do bem-estar dos pacientes. Pelo contrário, os médicos tiveram de redobrar a dedicação para evitar ainda mais mortes de pessoas pela doença.
Foi atendendo um dos públicos de maior risco à contaminação do coronavírus, os idosos, que os médicos da MedSênior Vinicius Xavier, Márcio Nascimento, Andressa Motta e Roni Mukamal relataram a importância da humanização no cuidado com esse público.
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“Esse período de pandemia exigiu muito de nós no aspecto profissional e pessoal. Manter-se equilibrado nesta situação ainda está sendo um aprendizado”, destaca a médica Andressa, especialista em clínica médica.
Nunca se falou tanto em atendimento humanizado, e cuidando de pacientes idosos foi preciso ainda mais atenção e escuta, destaca o intensivista e diretor técnico do hospital, Márcio Nascimento.
“Pacientes idosos gostam de conversar. É preciso que haja gentileza, clareza e educação na hora de tratar deles. São pessoas que valorizam muito esse tipo de tratamento”.
O desejo por cuidar do paciente como um todo fez com que o médico Roni Mukamal escolhesse a geriatria. Antes, porém, ele era nutricionista e já tinha paixão pela área de saúde. “Antes mesmo de pensar em Medicina, a história do meu pai me sensibilizou a cuidar desses pacientes e a melhorar a qualidade de vida deles”, revelou.
O geriatra ressalta que uma das alegrias da profissão é a retribuição de seus pacientes. “O idoso é carinhoso, além de fazer parte de uma geração que valoriza e respeita o médico”.
Para o cardiologista Vinicius Xavier, coordenador da Enfermaria do hospital, a relação médico-paciente é fundamental.
“Quando se estabelece uma relação de confiança entre o médico e o paciente, ele tende a se manter mais otimista na melhora do seu estado de saúde.
Sensibilizados
“Na pandemia trabalhamos muito e todos nós ficamos muito sensibilizados. Tivemos muitos profissionais que adoeceram, tiveram medo de morrer, ficaram expostos e viram pacientes morrer. Vimos que todos nós somos humanos e iguais”, diz Roni Mukamal, geriatra.
Humanização
“A humanização traz melhorias no tratamento de muitos pacientes. A parte emocional e a psíquica são extremamente importantes, principalmente em caso de doenças mais graves. A negativação e depressão atrapalham muito o tratamento”, diz Márcio Nascimento, intensivista.
Desafios
“Esse período foi um desafio. Exigiu muito de nós no aspecto profissional e pessoal. Manter-se equilibrado nesta situação ainda está sendo um aprendizado. Mas sou feliz fazendo o que faço. Gosto do contato com as pessoas”, diz Andressa Motta, clínica médica.
Confiança
“Trabalhamos para que o paciente confie no serviço que estamos oferecendo e no atendimento que estamos prestando, acreditando no diagnóstico, nos exames e no tratamento proposto. É algo que otimiza o tratamento e a recuperação”, diz Vinicius Xavier, cardiologista
“Combate à pandemia ficará marcado”, diz cirurgião vascular
Com 22 anos de profissão, o cirurgião vascular e presidente da Associação Médica do Estado (Ames) Leonardo Lessa, 47anos, afirma que sua escolha profissional sempre foi a medicina.
Com o avanço da vacinação e a esperança de dias melhores, ele relata a roti na médica nos últimos meses. “O combate à pandemia ficará marcado. É algo que nossa geração nunca tinha visto e não sabemos se as próximas vão viver algo parecido com isso. O que me marcou muito no começo foi ir trabalhar enquanto muitos estavam em casa. A rua deserta, um cenário de filmes apocalípticos”, relembra.
A Tribuna – Acredita que após a pandemia os médicos serão ainda mais valorizados?
Leandro Lessa – Durante esse tempo de pandemia da covid-19, tanto os médicos quanto à medicina, e o sistema de saúde como um todo, ficaram sob os holofotes e ganharam grande destaque e relevância, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
E o médico como grande protagonista dessa transformação, ele se colocou como aquele que estava na linha de frente.
O que mais te marcou como médico?
O combate à pandemia ficará marcado. É algo que nossa geração nunca tinha visto e não sabemos se as próximas vão viver algo parecido com isso. O que me marcou muito no começo foi ir trabalhar enquanto muitos estavam em casa. A rua deserta, um cenário de filmes apocalípticos.
Muitos médicos, equipes e profissionais dos hospitais saindo de casa com receio da doença, ninguém sabia muito o que era. Receio de pegar e levar para família. Foi uma época muito difícil.
O interesse pela Medicina vai aumentar ao longo dos anos?
O interesse sempre foi alto. É sempre um desejo. Todos têm em sua família alguém que quer ser médico. É óbvio que com esse foco todo em cima da Medicina aumenta o desejo das pessoas de seguir essa carreira.