Casos de ansiedade e depressão têm afetado cada vez mais crianças e adolescentes e se tornou uma preocupação nas escolas. Especialistas revelam, inclusive, que há casos de tentativas de suicídio, o que acende o alerta para psicólogos, educadores e familiares.
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Iolanda Schineider, em Porto Canoa, na Serra, abriu ações para conversar e debater o assunto, de forma lúdica para os alunos do 1° ao 9° ano (entre 6 e 14 anos).
A bancária Célia Cristina Velozo de Oliveira, 44 anos, que tem dois filhos na escola, está à frente da iniciativa junto de pedagogos da rede. Serão três ciclos de palestras, a partir desta sexta-feira (1).
“Temos observado o aumento de crianças que chegam à escola e começam a chorar. Sempre tem um caso de uma perda familiar, que a criança não consegue dar conta”, disse Cyntia da Guia Segundo, diretora da escola.
A psicóloga clínica Tatiana Alves da Silva Miranda vai ao local conversar e mostrar, de forma lúdica, como os alunos devem lidar com as emoções. “A criança entra em um estado de depressão quando os estímulos que recebe não estão de acordo com as emoções que está colocando para fora”, explicou.
No Centro Educacional Sonho Meu (Cesm), em Cariacica, há atendimento psicológico voltado para os alunos. A diretora da escola e doutora em Educação, Edna Tavares, observou que aumentou o número de alunos com problemas emocionais.
“Não saber lidar ou identificar os sinais desses alunos me preocupava muito. Por isso adotamos métodos para ajudar as crianças, pois a gente observou que o problema cresceu”, revelou. “Além de fazer o encaminhamento à clínica, preparamos um momento ‘relax’ para elas”, acrescentou.

“A depressão e a ansiedade hoje são consideradas de maior incidência na população infantil. Há alguns fatores de risco como as práticas parentais, que muitas vezes não estão preparados para lidar com essas crianças. Também há a pressão externa, como o próprio ambiente escolar”, afirmou.
Uma em cada quatro sofre com a doença na pandemia
Uma em cada quatro crianças e adolescentes ouvidos em estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia. A pesquisa monitorou a saúde mental de 7 mil crianças e adolescentes desde junho do ano passado.
Psicopedagogo e colunista de A Tribuna, Cláudio Miranda disse que a depressão e a ansiedade têm crescido muito na infância e na adolescência nos últimos 10 anos.
“A casa e a escola são ambientes de convívio e de interação mais intenso. A maior parte dos episódios acontece ali”, alertou.
O psicopedagogo disse que os pais devem ficar atentos às mudanças de comportamento dos filhos. Ele alertou ainda que, caso a tristeza, o estresse e a ansiedade perdurem por muitas semanas, os responsáveis devem procurar ajuda psicológica.
“Crianças e adolescentes com depressão e ansiedade sempre darão sinais. Às vezes o problema pode começar com uma briga entre colegas ou familiares e se apresentar como tristeza. Em alguns casos, eles perdem o desejo de ir à escola, se tornam agressivos ou apáticos”, explicou.
SAIBA MAIS
Depressão e ansiedade
- A depressão é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, algumas vezes sem motivo algum.
- Já a ansiedade é um sentimento ligado à preocupação, nervosismo e medo intenso. A ansiedade pode virar um distúrbio quando passa a atrapalhar o dia a dia.
- A depressão e a ansiedade se manifestam nas crianças e nos adolescentes pelas relações que estabelecem com a família e com os pares na escola ou na vida social em outros ambientes e situações.
- O excesso de tarefas e atividades que são exigidos nessa faixa de idade pode desencadear em alguns uma insegurança seguida de uma ansiedade por receio de não conseguir cumprir tudo o que se pede.
- Uma em cada quatro crianças e adolescentes ouvidos em estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia da Covid-19.
- A pesquisa monitorou a saúde mental de 7 mil crianças e adolescentes desde junho do ano passado.
Sintomas
- Os pais e professores devem ficar atentos a quaisquer mudanças de comportamentos e procurar ajuda terapêutica para o filho/aluno.
Tratamento
- O tratamento pode ser feito com terapia ou mesmo com medicamentos. Na terapia, o menor será avaliado e um plano será proposto para atenuar e tirá-lo de uma situação de risco.
- Se o tratamento der certo, a criança/adolescente voltará aos poucos à rotina escolar e à vida social de modo saudável.