Buscando escapar da escassez de remédios, instabilidade política e, principalmente, da fome em seu país de origem, venezuelanos decidiram se instalar no Estado e foram para as ruas para pedir comida e dinheiro.
Composto por índios da etnia warao, o grupo de 65 pessoas – 39 adultos e 26 crianças – chegou ao Espírito Santo há, aproximadamente, um mês, depois de passar por vários estados brasileiros da região Nordeste.
Atualmente, as famílias estão abrigadas em uma igreja do bairro Jaburuna, Vila Velha, mas já passaram por cidades como Guarapari, Cariacica, Vitória e Serra, onde também foram para as ruas para pedir ajuda.

Com seus filhos e netos ao lado, as mulheres venezuelanas usavam cartazes para chamar a atenção de pedestres, ciclistas e motoristas para, assim, conseguir ajuda.
No bairro Jaburuna, uma forte cena chamou a atenção de todos que passavam pelo local: a presença de sete pessoas da mesma família, entre crianças e adultos, sentados no chão, pedindo ajuda.
Era a família do venezuelano Nelson Matta, de 41 anos, que estava com seus quatro filhos, a mulher e a sogra.
“Ficou muito difícil a vida no meu país. Não estava conseguindo nem comprar comida. Tenho quatro filhos. No desespero, vim para cá, para tentar uma vida melhor”, justificou.
Gerente da Proteção Social Especial do governo do Estado, Clarice Campos explica que os membros do grupo são da mesma família, não são moradores de rua, mas índios de uma cultura específica.
“Para eles, ir para as ruas e pedir dinheiro é questão de trabalho, e, pela Constituição Brasileira, nós não podemos fazer nenhuma intervenção. O que fazemos é acompanhá-los”, disse.
A subsecretária de Assistência Social de Vila Velha, Márcia Barcellos, disse que assim que o município tomou conhecimento da vinda dos venezuelanos para a cidade, ofereceu a assistência necessária.
“Além disso, nós os orientamos que evitem utilizar as vias públicas acompanhados de crianças e adolescentes”, destacou.
Prefeituras dizem que prestam apoio a refugiados
Durante sua passagem pelas cidades de Guarapari, Cariacica e Vitória, o grupo de venezuelanos, composto por 65 pessoas, teve o apoio necessário dos órgãos responsáveis. É o que afirmam as prefeituras dos três municípios.
A Prefeitura de Guarapari disse, em nota, que não há conhecimento de refugiados na cidade atualmente. “Os venezuelanos que estavam por aqui receberam assistência, mas já deixaram o município“.
Em Cariacica, a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Campo Grande, Krigélica Siller, informou que o último contato do município com o grupo foi no início de junho. “Nós os orientamos sobre não levar as crianças para a rua para pedir dinheiro. Demos todo apoio, mas eles migraram de cidade”, disse.
Em Vitória, o município disse que não há, entre os acolhidos no abrigo, pessoas refugiadas ou imigrantes. Na Serra, a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedir) disse que capacitou servidores para garantir atendimento técnico e humanizado na assistência aos refugiados venezuelanos.
Já em Vila Velha, cidade onde o grupo se encontra alojado em uma igreja, a subsecretária de Assistência Social, Márcia Barcellos, informou que a cidade deu assistência, oferecendo colchões, lençóis, cobertores, alimentos, kits de higiene pessoal e limpeza e gás. “Um voluntário também ofereceu um espaço nas proximidades do bairro Ponta da Fruta, mas até agora, eles não aderiram”, disse.
SAIBA MAIS
Migração
- Para fugir, principalmente, da fome, 65 venezuelanos (39 adultos e 26 crianças) da mesma família migraram para o Espírito Santo.
- Alegando falta de emprego, eles estão indo para as ruas de várias cidades do Estado e estão pedindo alimentos e dinheiro.
Índios
- O grupo é composto por índios da etnia warao e mantém costumes específicos de sua tribo.
- Eles já passaram por cidades capixabas como Guarapari, Cariacica, Vitória e Serra e estão atualmente em Vila Velha.
Alojamento
- De acordo com informações da Prefeitura de Vila Velha, o grupo está alojado em uma igreja do bairro Jaburuna, no município, e possui apoio de um pastor.
Lei
- Desde 2019, o governo brasileiro reconhece a Venezuela como um país em grave e generalizada violação de direitos humanos.
Portaria
- Uma portaria, publicada em 25 de março deste ano, fez com que o país flexibilizasse as regras para autorização de residência para imigrantes da Venezuela.
- Com isto, foi aberta aos venezuelanos a possibilidade de apresentarem cédulas de identidade ou passaporte com data de validade expirada no requerimento à Polícia Federal.
- Uma outra mudança é que crianças que tenham ingressado no Brasil até os 9 anos poderão apresentar a certidão de nascimento para obter autorização de residência.
Fonte: Prefeituras, governo do Estado e pesquisa AT.