O crescente uso de narguilé (dispositivo para fumar tabaco) e de cigarros eletrônicos tem preocupado os pneumologistas. Isso porque as técnicas, vistas por alguns como menos prejudiciais à saúde, são danosas e, às vezes, até piores, quando comparadas ao uso de cigarro comum, segundo médicos especialistas.
É o que diz a pneumologista Dyanne Dalcomune em relação à moda do narguilé – espécie de cachimbo, em que a fumaça passa primeiro pela água, antes de chegar à boca. Ela cita que, apesar da falsa sensação de segurança, em apenas uma sessão com o aparelho, o fumante pode consumir o equivalente a 50 cigarros convencionais.
Segundo Dyanne, o consumo tem aumentado, apesar da proibição da comercialização desses produtos. “Hoje em dia, você vai em qualquer lugar e vê gente jovem utilizando o cigarro eletrônico. Parece uma caneta, não tem cheiro e o uso passa despercebido”.

A pneumologista Jéssica Polese confirma os riscos. “Teoricamente, o narguilé pode misturar tabaco com várias substâncias e você não sabe muito bem o que vai ser da queima daquilo”.
Para ela, a substituição do cigarro comum para qualquer um desses hábitos não é benéfico porque, na prática, a pessoa adquire um novo vício. “A proposta da criação do cigarro eletrônico foi essa, mas isso não funciona”, destaca.
Dentre os riscos envolvidos, a médica aponta a “pneumonite por cigarro eletrônico”, doença que causa lesões no pulmão em decorrência do uso do aparelho.
Já a pneumologista Cilea Martins salienta que, ao contrário do cigarro comum, que causa doenças ao longo do tempo, o uso de narguilé ou cigarro eletrônico é mais perigoso, pois provoca lesões mais agudas e de forma mais rápida.
Foi o gosto diferenciado do vape, como também é conhecido o cigarro eletrônico, que atraiu uma jovem de 24 anos.
Pedindo para não ser identificada, ela contou que começou a utilizar o aparelho há três meses e que fuma principalmente quando está consumindo bebida alcoólica. Por saber dos malefícios desse costume, a jovem diz que pretende deixar de usar o cigarro eletrônico.
Empresário defende produtos
Dono de uma tabacaria, o empresário Douglas Siqueira Corrêa, de 30 anos, defende o uso do narguilé e do cigarro eletrônico. Ele alega que, apesar dos riscos, há opções menos prejudiciais à saúde.
Entre elas, segundo Douglas, estão essências usadas em narguilé sem nicotina e sem tabaco.
“Dependendo da forma de como o tabaco é cultivado, o teor de nicotina pode chegar à metade em comparação a cigarros tradicionais”, afirma o empresário.
SAIBA MAIS
Cigarro comum
- É um produto que vem da folha do tabaco e que contém mais de 4 mil substâncias tóxicas.
- No ato de fumar, quando há combustão do tabaco, são gerados produtos cancerígenos como alcatrão e formaldeído.
Narguilé
- Técnica mais antiga, ligada à cultura árabe, também chamado de “cachimbo d’água”.
- É um dispositivo que contém um reservatório para o tabaco, um cinzeiro, um tubo, uma mangueira, um jarro de água e uma piteira.
- O funcionamento consiste na queima de tabaco. A fumaça gerada passa por um reservatório de água, sendo “filtrada” e é inalada através da piteira.
- Apenas uma sessão equivale a até 50 cigarros convencionais.
Cigarro eletrônico
- É um dispositivo em formato de cigarro comum, semelhante a uma caneta.
- Funciona a partir do aquecimento de essências, chamadas de “juices”, gerando uma fumaça.
- Não há queima de tabaco.
- Uma inflamação pulmonar que ocasiona lesões graves no pulmão foi associada ao uso de cigarro eletrônico nos Estados Unidos da América (EUA).
Riscos para saúde
- O uso de qualquer uma das três técnicas pode causar doenças típicas do tabagismo como: problemas circulatórios e respiratórios, câncer no pulmão, câncer de laringe, câncer de boca, acidente vascular cerebral (AVC), entre outros.
Fonte: Especialistas entrevistados e pesquisa A Tribuna.