Em meio ao debate sobre reforma eleitoral e política na Câmara, presidentes de 18 partidos ouvidos em uma pesquisa qualitativa do Instituto Ideia se declararam contrários a regras adicionais para aumentar a transparência nas siglas, tendem a rejeitar o voto impresso e se dividem quando o tema é o distritão, sistema no qual os deputados mais votados nos estados são eleitos, sem que as legendas tenham peso, como é hoje no modelo proporcional.
A análise foi feita a partir de entrevistas com os dirigentes nacionais das legendas a pedido da campanha “Freio na Reforma: Política se reforma com democracia”, lançada pelo ITS Rio, Transparência Partidária e Pacto pela Democracia com o objetivo de ampliar a participação social na proposta em tramitação na Câmara.
Por ser uma pesquisa qualitativa, os resultados são anônimos e não são estatisticamente representativos, como em pesquisas quantitativas.

Dos favoráveis, três são alinhados às pautas do governo, enquanto um não é alinhado com o Palácio do Planalto. Os presidentes de siglas defensores da urna eletrônica afirmaram que é o melhor método de votação no Brasil por ser “ágil, segura e um exemplo de modernidade para o mundo”.
O argumento também passa pela avaliação de que a discussão de voto impresso é ultrapassada e uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral. Os favoráveis à mudança no sistema de votação, por outro lado, argumentam que melhoraria a lisura do processo por meio de auditoria.
“No caso do voto impresso o que se vê é um paralelismo com a Presidência da República. Essa é uma pauta do Presidente. Já o distritão é visto como uma pauta dos partidos”, afirma o diretor do ITS Rio, Fabro Steibel.
Em relação ao distritão, há menos consenso: 10 lideranças ouvidas são contra, e oito são a favor.
Fabro Steibel, do ITS Rio, avalia que os dirigentes de partidos serão decisivos na aprovação da reforma. Ele destaca o impacto que as mudanças em discussão podem ter e critica a falta de transparência e velocidade da discussão no Congresso.