Com 1 ano de idade, o pequeno João Miguel de Brito Araújo já tem uma missão de vida: salvar sua irmã, Ana Eloisa, de 3 anos, de um câncer. A menina precisa de um transplante de medula óssea e, na família, João é o único doador compatível.
Aos 8 meses, a pequena Ana Eloisa foi diagnosticada com um tipo de câncer chamado de neuroblastoma, derivado do sistema nervoso simpático.
A dona de casa Vânia de Brito, 38, mãe das crianças, conta que descobriu o câncer em Ana enquanto dava banho na menina.
“Cheguei do meu antigo trabalho, em 2018, e fui dar banho na Ana. Senti um caroço no abdômen dela. No dia seguinte, já fui ao hospital. A médica a examinou, passamos por vários exames e foi constatado o câncer”, relata.
Ela entrou na fila do transplante de medula, indicação dada pelos médicos para o tratamento da menina, mas não encontrou um doador externo. Foi dentro de casa que a família, moradora de Novo Horizonte, na Serra, achou a esperança pela recuperação da garota.
Segundo Vânia, o bebê tem 95% de compatibilidade com a irmã. “Eu, o pai dela e os outros dois irmãos não passamos de 30%”, citou.
“Estava sendo muito difícil encontrar um doador, era como procurar uma agulha no palheiro. O médico conversou comigo e com meu marido e disse que um bebê poderia vir compatível com ela. Ele não me mandou engravidar, mas, quando somos mães, fazemos muitas coisas por amor”.
Após várias sessões de quimioterapia, hoje, segundo Vânia, Ana Eloisa está bem, mas precisa do transplante para que o tumor não volte. “O câncer é uma doença muito temerosa, deixa a gente sem chão. Nosso mundo desaba. Vi muita criança morrer e pensei que isso também poderia acontecer com a minha filha”, relata.
A família está se preparando para ir a São Paulo, em agosto, onde será feito o tratamento, no Hospital São José do Rio Preto. “Tive de parar de trabalhar e, hoje, vivo para as crianças. Meu marido trabalha como ajudante de pedreiro e sustenta sozinho a família”, conta.
Segundo Vânia, as passagens para São Paulo são custeadas pelo hospital. “Mas teremos de ficar lá por, pelo menos, 30 dias, e não sabemos onde ficaremos hospedados e quanto custa. Toda ajuda que vier será bem-vinda”, disse.
Tipo de câncer é o terceiro mais comum em crianças
O neuroblastoma é o terceiro tipo de câncer mais comum na infância e adolescência, segundo especialistas. Fica atrás apenas da leucemia e dos tumores do sistema nervoso central.
A oncologista Sabina Aleixo explica que o tumor é mais comumente diagnosticado em bebês que ainda mamam, menores de 1 ano. “A maioria dos neuroblastomas se desenvolve nas glândulas adrenais, que ficam em cima dos rins, no abdômen ou nas células nervosas, próximas da coluna espinhal, os chamados gânglios dorsais”.
“Eles também podem se desenvolver no tórax, no pescoço ou na espinha. Alguns têm desenvolvimento lento. Outros, progridem rapidamente. Eles tendem a ser mais graves em crianças com mais de 1 ano e meio”, detalha Sabina.
Segundo a oncologista pediátrica Thais Araujo Monteiro, da Medquimheo, os sinais e sintomas mais comuns do neuroblastoma são as massas abdominais.
“O pediatra ou mesmo a família percebe uma massa abdominal palpável, que ultrapassa a linha média. Algumas vezes, esse tumor pode estar infiltrando os ossos, principalmente, a calota craniana, podendo causar hematomas roxos em volta do olho ou empurrá-lo para fora. Outros sintomas são palidez e anemia”.
Thais ressalta que esse tipo de câncer não tem como prevenir. Ela diz ainda que, para tratamento, há quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, cirurgia e, em alguns casos, transplante de medula óssea.
A oncologista explica que, em casos de transplante, tendo um bebê como doador, talvez seja preciso coletar a medula em dois momentos devido à diferença de peso entre o bebê e o receptor.
Pais pedem ajuda para descobrir doença
Aos 11 meses de idade, o pequeno Noah Buger Reis enfrenta uma doença, sem diagnóstico, que afeta seu desenvolvimento. Sem sustentação de tronco e pescoço, o menino só consegue ficar deitado.
Para tentar descobrir qual doença afeta o filho, os empresários Victor Gonçalves Reis, 27, e Emilly Silva Buger, 18, estão rifando o carro para arrecadar uma média de R$ 40 mil.
Segundo Victor, o dinheiro é para custear uma cadeira de mobilidade, sob medida, consultas e exames com médicos de São Paulo.
“O Noah apresentou espasmos (contrações involuntárias de músculos) desde que nasceu. Com 3 meses, começamos a ver que, nesses espasmos, ele virava os olhos. Procuramos os médicos e descobrimos que ele possui atraso de desenvolvimento neuromotor. Já contabilizamos mais de mil espamos em um dia”, conta.
Para investigar o problema, os pais realizaram mais de 20 exames, como de sangue, genéticos e ressonância magnética. De acordo com Victor, o neuropediatra que atende Noah descartou algumas síndromes e a atrofia muscular espinhal (AME).
“Estamos fazendo tudo que podemos para descobrir o diagnóstico. Nossos recursos estão esgotados. O que temos agora é nosso carro, que estamos rifando”.
A neuropediatra Larissa Krohling explicou que algumas doenças são mesmo de difícil diagnóstico.
“É importante que seja feita uma investigação laboratorial mais aprofundada para afinar o diagnóstico e tratamento”, orientou a médica.