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Aprovados há mais de 1 ano na Ufes não tiveram aula presencial

O sonho de ingressar no ensino superior vem junto com a expectativa de pisar pela primeira vez no campus da universidade para o primeiro dia de ...

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Aulas na universidade foram suspensas em março do ano passado e retomadas em setembro. Desde então, atividades são online (Foto: Acervo de A Tribuna )O sonho de ingressar no ensino superior vem junto com a expectativa de pisar pela primeira vez no campus da universidade para o primeiro dia de aula.

Mas para muitos alunos aprovados há mais de um ano na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), isso nunca aconteceu, já que as atividades seguem acontecendo de forma remota.

Por conta da pandemia, as aulas foram suspensas em março do ano passado. O retorno só foi acontecer no dia 9 de setembro, mas em formato online. Após 10 meses, o ensino remoto continua, mesmo com liberação para o retorno das aulas presenciais.

Calouro do curso de Fonoaudiologia, Abner Neves, 24 anos, conta que a aula a distância tem sido um desafio. “Eu já ingressei direto no ensino remoto. Estou na expectativa de ter essa experiência do dia a dia na universidade, com todos os protocolos”, ressaltou.

A universitária Melissa Daltio disse  que sente falta da presença física  dos professores no processo de ensino (Foto: Beto Morais/ AT)Já a universitária Jaynni Rodrigues, 20 anos, está no 3º período de Enfermagem, todos feitos em casa. Os cursos da área da Saúde da Ufes tiveram uma autorização para algumas atividades presenciais, mas Jaynni conta que elas ainda são poucas.

Diante disso, ela até voltou para passar um tempo na casa dos pais, em Porto Seguro, na Bahia. “Agora, estou com duas aulas remotas e apenas uma presencial”.

Vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Joana Guimarães reconhece que o nível de aprendizagem foi prejudicado na pandemia.

“O principal motivo é que alguns processos nas universidades dependem da participação presencial dos alunos”, destacou.

Quem jamais esperava por esse contexto é a estudante de Publicidade e Propaganda, Melissa Daltio, 19 anos. Melissa conta que sente falta da participação direta dos professores e diz que alguns colegas já estão prejudicados. “Muitos não possuem boa estrutura para as aulas remotas, apesar do esforço dos professores para incluir todos”.

Mesmo com autorização, atividades só voltam em 2022

Grupo formado por especialistas da Ufes para analisar a situação da pandemia e aconselhar as decisões da universidade, o Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus (COE) recomendou a entrada da instituição no ensino híbrido. Neste formato, as aulas revezam entre online e presenciais.

Apesar disso, a expectativa é de que isso só aconteça a partir do próximo semestre, previsto para começar em 2022, de acordo com o reitor da Ufes, Paulo Vargas.

A decisão será tomada no fim de julho, em reunião do Conselho Universitário.

“A possibilidade de entrar nesta fase é uma recomendação do COE, mas o Conselho Universitário ainda vai analisar e planejar esse possível retorno. Vai depender das discussões ainda, mas não vemos a possibilidade de alterar já neste semestre, pois uma mudança no meio dele é complicada”, afirmou Vargas.

O reitor da Ufes ressalta que um dos problemas é na preparação dos alunos que não residem na Grande Vitória, além dos números ainda elevados da doença.

“Com a suspensão das aulas, muitos estudantes voltaram para suas cidades e estados, e não haveria tempo hábil de se programar para um retorno imediato. Além disso, a própria pandemia precisa ser analisada, já que os alunos ainda não foram vacinados e existe um temor pelas novas variantes da doença”.

Relação distante entre alunos

A estudante de Enfermagem Byanca Silveira, 20, ingressou na Ufes já no ensino remoto (Foto: Beto Morais/ AT)A estudante de Enfermagem Byanca Silveira, 20, ingressou na Ufes já no ensino remoto. Ela conta que a dedicação dos professores é grande, mas teme pelo aprendizado, já que considera as aulas remotas cansativas, principalmente porque o curso é integral.

“A relação com os professores e os colegas é mais distante. Temos aulas práticas de anatomia já no início do curso, mas estamos estudando por imagens bidimensionais, sem contato com os órgãos”.

“Retorno não é simples”

A Tribuna – Qual seria o cenário ideal para a volta das aulas presenciais?

Paulo Vargas, reitor da Ufes – A curva da pandemia está em declínio nessa última onda, mas a posição ainda é a mesma do ápice da primeira onda. Não estamos em uma situação absolutamente confortável. Com o avanço da vacinação, vai ficar mais viável. Temos o interesse de retornar o quanto antes, mas não é simples.

A maior parte dos profissionais foi vacinada, mas eles ainda aguardam a segunda dose. E para os nossos estudantes, com faixa de idade abaixo dos 30 anos, a vacinação só começou agora.

Além disso, têm os alunos de outras cidades que precisam voltar e a falta de recursos, que tem impacto na adequação da universidade. Queremos o retorno, mas de forma cuidadosa e planejada.

Reitor da Ufes, Paulo Vargas (Foto: Divulgação)Enquanto isso, o ensino e aprendizagem não ficam prejudicados?

O que temos feito garante o funcionamento da universidade e das aulas, mas é claro que traz prejuízo para os estudantes e para o ensino. É uma experiência nova em que a comunidade acadêmica teve que se reinventar. Porém, temos um passivo que vai ficando desse processo.

O sistema de hoje traz limitações, sobretudo nas disciplinas práticas, de laboratórios, que não podem ser substituídas. Isso traz impacto na vida acadêmica dos estudantes, pois atrasa o andamento do curso. Fora a qualidade do ensino presencial, que inegavelmente é superior ao ensino remoto.

Também existe uma preocupação com a evasão?

É um problema que já identificamos. Fizemos um empenho para a inclusão digital (com a destinação de verba para a compra de computador e internet) porque já tínhamos claro que poderia acontecer. A maioria depende de auxílio para a permanência. Fizemos um investimento para viabilizar, o que evitou boa parte da evasão.

Mas percebemos que houve um certo percentual de evasão, muito por conta da questão econômica, já que alguns tiveram de abrir mão de estudar para buscar renda para a família. É uma pena.


SAIBA MAIS


Suspensão

  • As aulas na Ufes foram suspensas pela primeira vez em março do ano passado por conta da pandemia.
  • Na época, a proibição vinha do próprio governo do Estado.

Retorno remoto

  • As atividades retornaram no dia 9 de setembro de 2020, mas em formato remoto, no chamado Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial. Neste modelo, as aulas são online. A única exceção é para algumas atividades presenciais laboratoriais nos cursos da área da Saúde. Este formato está previsto para seguir até o fim deste semestre.

Autorização e recomendação

  • As aulas presenciais já estão autorizadas pelo governo do Estado.
  • Além disso, houve recomendação de modelo híbrido (online e presencial) pelo Comitê Operativo de Emergência para o Coronavírus, grupo formado por especialistas da Ufes para analisar a pandemia e orientar as decisões da universidade.
  • Reunião do Conselho Universidade vai acontecer no fim do mês para analisar o retorno, mas a expectativa é de que ele só aconteça em 2022.

Fonte: Ufes e pesquisa AT.

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