Com 66 anos de história, o Hotel Imperador, em Domingos Martins, na Região Serrana, que encantou casais em lua de mel entre os anos de 1960 e 1980, será restaurado e transformado em um espaço de lazer e turismo.
Pertencente atualmente ao Estado, o espaço foi cedido à prefeitura e, hoje, abriga as secretarias municipais de Cultura e Turismo e de Desenvolvimento Econômico, a Escola de Música Helena Gerhardt Brickwedde e a Biblioteca Municipal Argentina Lopes Tristão.
O processo está na fase de apuração do valor da área. Na sequência, o projeto seguirá para a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) para autorização da concorrência pública e, por fim, haverá a venda do espaço.
Pela proposta, a empresa compradora deverá assumir o compromisso de restaurar a arquitetura do prédio existente. No restante do terreno, deve ser construída uma área de convivência.
Também haverá um novo espaço de hospedagem no restante da área, hoje, desocupada.
A secretária de Estado de Turismo, Lenise Loureiro, justifica o uso público do espaço dizendo que o hotel foi um marco histórico no desenvolvimento turístico da região. Ela ainda destaca que o imóvel faz parte da memória afetiva do capixaba.
“Guardadas as características originais, será um espaço de visitação pública. Há indicação para venda para destinação turística”, explica.
Por outro lado, de acordo com a secretária municipal de Cultura e Turismo de Domingos Martins, Rejane Entringer, há boas expectativas com a venda.
A finalidade é entregar o prédio histórico para utilização da cultura. “Com loja de artesanato, de produtos da agricultura local, um museu sobre a história do hotel, espaço para grupos de dança, bandas e gastronomia”, listou.
Membro do Conselho Estadual de Turismo e representante da Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais de Turismo no Espírito Santo, Leonardo Lares acredita que a preservação da construção vai alavancar o turismo da região.
Ele considera o projeto simbólico para o retorno à aptidão natural do Espírito Santo, sobretudo as montanhas capixabas, para a atividade.
Construção é um marco no turismo da região
A inauguração do Hotel Imperador, em 1955, teve uma grande importância, não só para Domingos Martins, mas para todo o Estado do Espírito Santo. Isso porque o hotel foi um dos primeiros a serem erguidos na região, segundo o arquiteto Heliomar Venâncio.
Ele conta que o crescimento da cidade foi marcado pela presença do empreendimento, que passou a atrair muitas pessoas para o local, quando não havia muitas opções para visitantes na região.
Ao longo dos anos, outros espaços de hospedagem foram construídos, esvaziando o centro da cidade. “Várias gerações de pessoas tiveram histórias e se hospedaram ali”, conta o arquiteto, que explica a fama do imóvel: com um estilo arquitetônico neoenxaimel, típico da arquitetura tradicional alemã, a construção também chama a atenção pela beleza.
Em relação ao projeto, Heliomar avalia que a restauração do prédio é extremamente positiva devido à necessidade de uma hospedagem de qualidade no centro de Domingos Martins.
“A viabilidade comercial e arquitetônica é interessante, vai completar o uso da praça e trazer um dinamismo maior para o uso do espaço”, enfatiza.
Já o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Luiz Cláudio Ribeiro, cita que o hotel faz parte do patrimônio material e imaterial da cidade.
Para ele, o Espírito Santo é carente de preservação desses espaços, principalmente, na região de montanhas.
“O hotel é um elemento de memória da comunidade e confere uma identidade imigrante daquela região”, explica.
O estilo arquitetônico do prédio remonta à origem dos imigrantes que ocuparam a cidade e respeita as origens de um prédio apropriado para regiões mais frias, esclarece o professor.
Segundo Luiz Ribeiro, o Hotel Imperador merece ser preservado no seu estilo original e ser destinado para o uso relacionado à cultura e ao lazer.
“Sem perder as suas referências históricas, ele deve promover o desenvolvimento turístico da região e reforçar essas referências, somando diversos interesses”.
SAIBA MAIS
O Hotel Imperador
- Inaugurado no dia 6 de janeiro de 1955, foi construído no centro da praça de Domingos Martins, por Jefferson de Aguiar, que foi senador entre 1959 e 1967.
- O nome do Hotel foi em homenagem a dom Pedro II, o primeiro hóspede ilustre da cidade da Região Serrana. Dom Pedro II visitou Domingos Martins para encontrar colonos imigrantes em uma residência que ainda existe no município.
- A inauguração do hotel contou com a presença de várias autoridades estaduais e municipais, como Regina Mara de Aguiar, filha do proprietário, que no dia fazia aniversário, e Ivone Cecília Levin, filha do primeiro gerente, o alemão Kurt Levin.
- Primeiro hotel de luxo no Espírito Santo, foi através dele que Domingos Martins despontou para o turismo de montanha.
Estímulo ao turismo
- O hotel alavancou o turismo em Domingos Martins com a arquitetura germânica, semelhante à do Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ).
- Por causa de sua arquitetura, o local se tornou um dos principais atrativos do município a partir da década de 1960 até a de 1980.
- Passou a ser considerado o hotel de referência para os casais em lua de mel em todo o Estado, principalmente, pelo ambiente aconchegante.
Fama
- Nos primeiros anos de existência, foi o destino de muitos hóspedes que buscavam tratamento de saúde, em função do clima, ideal para o tratamento de doenças respiratórias.
- Abrigou políticos e famosos, como o ex-presidente Itamar Franco. Ele morou no local por alguns meses, nos anos de 1960, quando foi engenheiro-chefe da obra de construção da avenida Beira-Mar, em Vitória, e da BR-262.
- A beleza, o conforto, o bom gosto na decoração e a boa cozinha fizeram parte do auge do Imperador.
- O local abriu portas, entre os anos de 1960 e 1970, para o turismo de negócios, sendo escolhido para congressos e encontros de grandes empresas.
Homenagem
- Um compositor de nome desconhecido que, por ocasião de sua hospedagem no hotel, encantou-se com suas instalações e com a cidade, compôs uma música que, na época, ficou muito conhecida e tocada nas rádios do Espírito Santo.
- A música foi intitulada “Campinho das Luas de Mel”. Nos seus versos, lia-se: “De novo, achei um caminho, caminho de um novo céu, um céu chamado Campinho, campinho das luas de mel. De dia, flores nos campos, querendo a vida enfeitar. De noite, os pirilampos, brincando de iluminar. Na sua tranquilidade, nasceu mais esta canção. Campinho minha saudade, meu sonho, meu coração…”
A proposta
- O hotel é de propriedade do governo do Estado e está cedido à Prefeitura de Domingos Martins para atividades de cultura.
- A Prefeitura procurou a Secretaria de Estado de Turismo com o projeto de restauração do prédio e preservação da construção.
- Foi dado início a um processo de venda de toda a área, incluindo, um terreno atualmente desocupado.
- A proposta atende ao que estabelece o Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo no Espírito Santo.
- Será feita a restauração da arquitetura do prédio, mantendo o seu estilo original.
- No restante do terreno, deve ser construída uma área de convivência turística. Um novo espaço de hospedagem será erguido no restante do espaço, aos fundos.
