
A tendência é que isso se torne cada vez mais comum, com o aumento da competitividade no setor, e com a implantação de um novo sistema chamado open banking.
“Os bancos digitais têm ganhado cada vez mais espaço, forçando uma redução e até exclusão de tarifas dos bancos mais tradicionais. Graças a essa competitividade, e ao fato de que essas empresas precisam obter renda de outras maneiras, elas estão agindo de forma cada vez mais agressiva para obter novos clientes”, explicou o economista Jorge Eloy.
É aí que entram ações como ofertas de empréstimos, e aumento do cheque especial, por exemplo. O objetivo é criar um ambiente mais atrativo para novos usuários, já que as taxas de anuidade estão caindo em desuso.
Para acirrar ainda mais essa competitividade, beneficiando o consumidor com melhores ofertas, um novo sistema está sendo implantado por etapas. Com o open banking, o consumidor poderá conectar sua conta bancária a um aplicativo que analisará sua vida financeira.
A partir de quinta-feira, os clientes interessados nesse serviço poderão autorizar o compartilhamento de dados cadastrais e de transações bancárias entre as empresas que fazem parte do open banking.
Os usuários que autorizarem poderão receber sugestões de investimentos ou até mesmo a recomendação de produtos e serviços personalizados e com condições de custo melhores, que se adequam à necessidade do cliente.
“A expectativa é de que até o fim do ano, com a implantação total do open banking, o nosso sistema financeiro continue a evoluir, trazendo um serviço cada vez melhor para o usuário”, acrescentou Eloy.
O cadastro das instituições participantes começou em fevereiro. A partir de quinta-feira, os clientes que desejarem vão autorizar o compartilhamento de informações entre esses bancos.
A terceira fase do novo sistema está prevista para 30 de agosto, e vai possibilitar operações financeiras diversas em um único aplicativo. A quarta e última fase será em dezembro, para consolidar o novo sistema de vez.
Comércio prevê mais vendas, reabertura de lojas e emprego
Com a maior oferta de crédito ao consumidor, o que já é uma realidade, a expectativa é de que os empresários do comércio retomem seus planos de expansão e de novas contratações.
“Com essa retomada econômica que começou a acontecer em maio e junho, as empresas voltaram a planejar investimentos. Como a previsão é de que haja ainda mais dinheiro circulando na economia, haverá novas unidades e novos empregos nos próximos meses”, avalia José Carlos Bergamin, diretor da Federação do Comércio no Estado (Fecomércio-ES).
Segundo ele, as instituições financeiras estão voltando a ter mais confiança para oferecer crédito. “A economia está girando mais naturalmente, e esperamos que o varejo opere acima do que operou em 2019, antes da pandemia”.
O economista Eduardo Araújo vê com bons olhos as novas possibilidades de acesso ao crédito mais barato, mas reforça que as pessoas devem ter cuidado.
“O custo do crédito na conta do brasileiro é muito elevado. As pessoas se endividam muito com o cartão de crédito e com empréstimos. O consumidor deve tentar poupar seus recursos e só pedir crédito quando necessário”, disse.
ENTENDE
Operações bancárias em um só aplicativo
Mais oferta de crédito
- O crescimento dos bancos digitais está forçando as instituições financeiras tradicionais a agir de forma mais agressiva para conquistar clientes, oferecendo mais crédito ao consumidor.
O open banking
- O open banking é um novo sistema financeiro que chega para trazer mais acessibilidade e competitividade nesse mercado, beneficiando o usuário.
Primeira fase
- Em fevereiro, as instituições participantes do novo sistema divulgaram dados sobre os produtos e serviços oferecidos, bem como seus canais de atendimento.
Segunda fase
- A partir da próxima quinta-feira, os clientes que autorizarem terão seus dados de cadastros e transações compartilhados entre os bancos participantes.
- Esse cliente poderá receber propostas de crédito, investimentos e de serviços mais personalizados, e que tragam melhores custos.
Terceira fase
- A partir de 30 de agosto, o cliente poderá realizar operações de vários bancos em um único aplicativo.
Quarta fase
- A partir de 15 dezembro serão compartilhados os demais dados do cliente, como serviços de operações de câmbio, investimentos, seguros e contas-salário.