|
Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Estilo:
Apaixonada por cavalos e praticante de hipismo, a estudante Eduarda Netto da Silva, de 16 anos, começou a vender palha italiana para se manter no esporte.
Hoje, ela consegue treinar no Jockey Clube de Itaparica, em Vila Velha, e cuidar dos seus dois cavalos com a venda dos doces.
Os animais, Romeo e Golden, são a paixão da vida da estudante. “Vou estar com 60 anos de idade e vou continuar a mexer com os cavalos”, afirmou.
Foi com apenas 3 anos de idade que Eduarda começou a andar a cavalo. Mas, por causa do alto custo das aulas, teve de largar o hipismo e só voltou a treinar em 2018. Na mesma época, ganhou, dos pais, seu primeiro cavalo de presente, o Romeo.
Já em 2019, ela abriu mão do aniversário de 15 anos para adquirir o segundo animal, o Golden. No entanto, problemas financeiros, por causa da pandemia, fizeram a família pensar em vender um dos cavalos, no meio do ano de 2020, deixando a jovem desesperada.
“Foi quando minha madrinha resolveu me ensinar a fazer palha italiana. Ela me disse que seria algo fácil de vender para ajudar com os custos”, explicou a estudante.
A determinação da jovem surpreendeu a família, de acordo com a mãe da estudante, a autônoma Cristiane Netto da Silva, de 56 anos. “Hoje, ela está vendendo as palhas italianas e nós ajudamos com o que podemos. A vida dela são esses animais”, contou.
Já segundo a sua madrinha, a fisioterapeuta Raphaella Netto da Silva, de 32 anos, Eduarda sempre foi apaixonada por cavalos, mesmo que ninguém na família tenha praticado o esporte antes.
Ela acredita que tudo começou depois que a jovem, ainda criança, assistiu ao filme “Spirit: O Corcel Indomável” pela primeira vez. O longa conta a história da amizade entre um rapaz e um cavalo.
“A primeira palavra que ela falou foi cowboy. O primeiro amor da vida dela foi o Romeo e hoje a família inteira a ajuda nesse sonho”, contou a madrinha.
Quem também é uma grande apoiadora do sonho de Eduarda é a sua tia, a autônoma Gisele Netto da Silva, de 49 anos.
“A Duda para gente é motivo de orgulho. Comecei a fazer e a vender mantas para os cavalos. Hoje, o que ganho com isso também ajuda a manter os custos dos animais”.
“Não me vejo sem o hipismo”, diz a estudante
A Tribuna – Como começou a praticar o hipismo?
Eduarda Netto da Silva – Quando eu vim para Vila Velha, aos 3 anos, comecei a fazer hipismo por causa do hipotireoidismo (doença das glândulas endócrinas). A pediatra recomendou como terapia para desestressar porque eu ficava muito ansiosa e o contato com os animais me ajudou muito. Já gostava mesmo de cavalo, aí comecei a ir e me apaixonei.
Você vai ao Jockey para fazer os treinos e os cavalos ficam lá?
Isso. Agora eu faço por esporte e por paixão mesmo, não é por tratamento porque a doença está controlada. Eu marco os treinos com o meu professor: são três por semana e durante um dia ele treina os cavalos separados para preparar os animais.
Como você se imagina daqui a 10 anos? Você quer se profissionalizar no hipismo?
Eu não me vejo sem o hipismo. Para o lado profissional, eu quero me formar em Medicina para conseguir manter os cavalos, porque é um esporte caro.
Seria muito legal se eu tivesse a oportunidade de me profissionalizar no hipismo, mas é muito difícil. Apesar disso, acho que as portas vão se abrindo de pouquinho a pouquinho.
Como foi que começou a vender palha italiana?
Com a pandemia, os meus pais trabalhavam com transporte escolar e eles pararam. Foi muito difícil porque eles trabalhavam com isso há muito tempo. Aí eles teriam que diminuir os custos e o mais óbvio era vender o Romeo.
Eu, minha tia e minha madrinha chegamos à conclusão de que eu podia trabalhar e fazer palha italiana. Minha prima me ensinou a receita que ela já fazia e eu adorava. Antes disso eu não chegava perto do fogão.
Como funciona a venda dos doces?
Hoje, eu faço as palhas e minha madrinha as vende para mim. Às vezes eu vendo no Jockey quando tem competição e para os meus amigos da escola. Os amigos da minha madrinha, que trabalha em um hospital, também adoraram e sempre pedem.
Como consegue conciliar os treinos com a escola e a venda dos doces?
Eu estudo de manhã e faço reforço escolar à tarde. No Jockey eu também treino à tarde. Costumo preparar as palhas no domingo porque o doce tem de estar novo para vender.
Quais são os tipos de custos que os cavalos dão?
Tenho de pagar o tratador, o feno e a ração dos animais, porque eles precisam de um suplemento para dar mais energia; tem a ferradura para não machucar o casco; além disso, tem o veterinário que vigia os cavalos 24h, pois eles têm muita cólica e precisam de ajuda.
SAIBA MAIS
Os cavalos
Romeo
- Não tem uma raça definida.
- A mãe era uma puro-sangue inglês, o pai era da raça lusitana.
- Ele salta até 80 cm e, no momento, não está participando de treinos.
- Tem 11 anos de idade.
Golden
- Ele é da raça Brasileiro de Hipismo (BH) e também tem 11 anos de idade.
- O seu avô era um Balobê.
- Já saltou 1,15 metro de altura com o professor de Eduarda e 1,5m com ela.
Fonte: Estudante Eduarda Netto da Silva.