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MATURIDADE

5 mil empresas têm empregos para maiores de 50 anos e aposentados

Muitas organizações preferem a maturidade e sabedoria dos candidatos dessa faixa etária; veja as oportunidades

Marcondes Mendonça de Araújo diz que se sente revigorado com o novo emprego

Última atualização

A discriminação com profissionais com 50 anos ou mais no mercado de trabalho acontece de forma velada. Nos processos seletivos, muitas vezes, os currículos desses candidatos não passam da triagem. 

E, quando participam de entrevistas, recebem retornos como: “sua experiência está acima do que precisamos”. Mas essa realidade não é universal e há muitas empresas que preferem profissionais dessa faixa etária. 

Pelo menos cinco mil companhias no Estado têm cargos para os quais os empregos são preferencialmente para os chamados cinquentões e aposentados. 

Os dados são do Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Inteligência Corporativa. Segundo ele, as empresas estão vendo que, além do vigor físico, essas gerações agregam com maturidade e sabedoria. 

“Uma pessoa de 60 anos, há 20 anos era cheia de limitações. Hoje está na flor da idade. A limitação maior, que era física, deixou de ser um fator e as empresas estão entendendo isso”, destacou Elcio.

A diretora de operações do grupo Carone, Giovanna Magalhães, destacou que a rede está com cerca de 100 vagas em aberto, tanto em lojas quanto no centro de distribuição e no setor administrativo. 

Conquista a chance aquele que tiver as competências técnicas e comportamentais compatíveis com a vaga. “O idoso é muito bem-vindo à nossa empresa. Nós o acolheremos em nossos processos seletivos em todas as vagas em que ele tiver o perfil compatível”, disse Giovanna.

Em Vila Velha, o Sine (Sistema Nacional de Emprego) está com o projeto “Me dê uma chance!”. 

A coordenadora do Sine, Rogeria Ramos, explicou que o objetivo é sensibilizar as empresas a darem oportunidades para esse público.  

Ela lembrou que o profissional mais maduro tem mais experiência e disponibilidade de tempo. E que há um cadastro para pessoas em busca dessas oportunidades. 

“O cadastro é contínuo. É só o interessado procurar o Sine e dizer que quer se cadastrar no Projeto ‘Me dê uma chance!’”, explicou.

Segundo especialistas, as empresas inclusivas são muito mais criativas e produtivas, o que faz com que tenham mais lucro. Embora não seja reconhecido pelo mercado, o auge da produtividade humana está na terceira idade.

 













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Oportunidade

O balconista de padaria Marcondes Mendonça de Araújo, de 66 anos, foi contratado há menos de três meses para trabalhar no supermercado Carone. 

Ele contou que sente que para as pessoas mais maduras é mais difícil conseguir emprego. “Estou me sentindo revigorado, tendo novas experiências e fazendo novas amizades”. 

Sua forma de retribuir a oportunidade é com comprometimento com o trabalho. “Trato o cliente da melhor forma possível, para que ele retorne”, destacou.

Experiência e equilíbrio entre os pontos fortes

Os profissionais que hoje estão no auge da carreira, amanhã, se tiverem sorte, serão idosos. Entre os 50 e 80 anos, o ser humano está nas fases mais produtivas da vida, conforme estudo publicado pelo Jornal de Medicina de Nova Inglaterra.

Além da produtividade, entre os benefícios de ter profissionais mais maduros no time estão: experiência, equilíbrio emocional, maturidade, maior habilidade em lidar com desafios, maior disponibilidade de tempo. Contudo, a inclusão desse público no mercado ainda é tímida. 

Para esses profissionais, trabalhar, muitas vezes, é uma questão de necessidade não só financeira, mas também de se sentir útil, de manter o corpo e a mente ativos e contribuir para a sociedade.

 













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A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Kátia Vasconcelos, destacou que os colaboradores mais maduros têm maior equilíbrio emocional diante de pressões. 

Além disso, ressaltou: “Eles têm maior capacidade de compreender diferentes visões e acumulam mais experiências e consequentemente mais conhecimento”.

Nessa faixa etária, muitas vezes, as pessoas já estão com os filhos criados, conforme lembrou o  CEO da Heach Inteligência Corporativa, Elcio Paulo Teixeira.   

Para ele, o fato de o colaborador não ter responsabilidade com criação de filhos, crianças ou adolescentes, impacta bastante no nível de entrega. Elcio considera que esses profissionais têm um fator de responsabilidade a menos que ajuda em um engajamento maior no trabalho. 

“Querendo ou não, crianças e adolescentes são bastante dependentes dos pais, seja por questão de saúde, vulnerabilidade de acidentes ou por causa da escola, de outros deveres, etc”.

Elcio acrescentou que esses profissionais vivenciaram  mais situações e conseguem ter reações mais assertivas, principalmente diante de problemas, de desafios. “Com o mercado cada vez mais restrito, elas acabam se dedicando mais as oportunidades”, acrescentou.

Pandemia    

A diretora da Center RH, Eliana Machado, lembrou que, no início da pandemia, houve uma preocupação das organizações em contratar pessoas com maior idade, por fazerem parte do grupo de risco para a covid. 

“Atualmente podemos dizer que com o controle da doença, principalmente no nosso Estado, isso diminuiu”.

 













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Especialistas apontam os preconceitos mais comuns

Julgar que profissionais mais maduros terão dificuldades em lidar com a tecnologia ou que estarão desatualizados em relação a sua área de atuação são alguns do preconceitos mais comuns envolvendo esse público.

Algumas empresas também julgam que os candidatos a vagas de emprego com mais de 50 anos não terão interesse em cargos mais simples ou que estão disputando uma vaga de emprego só para completar o tempo de aposentadoria.

Mas tanto o domínio em tecnologia quanto a atualização são questões envolvendo a busca de conhecimento, e não a idade dos profissionais. Além disso, há diversos fatores que mobilizam pessoas mais maduras a se manter no mercado. Cada caso é único.

A diretora de operações do Grupo Carone, Giovanna Magalhães, contou que entre os profissionais mais maduros que trabalham na rede “há aqueles que trabalham por necessidade e também existem os profissionais que têm uma vida financeira mais estável e querem se manter ativos”.

Sobre a questão da atualização profissional, a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Kátia Vasconcelos, lembrou que o mercado de trabalho está passando por transformações e que atualmente tem pessoas na faixa dos 50 anos concluindo uma segunda graduação, iniciando uma transição de carreira, por exemplo.

Profissionais que acompanham candidatos em busca de emprego revelam que a procura sem sucesso muitas vezes traz a ansiedade por não conseguir a vaga e a tristeza por ser tratado de uma forma tão “descartável” pelo mercado. Em contrapartida, as oportunidades são muito bem aproveitadas.


SAIBA MAIS


Discriminação 

  • As empresas, de uma forma geral, não podem discriminar as pessoas por idade em seus anúncios de vaga de emprego, conforme a Lei Federal  nº 9.029, de 13 de abril de 1995.
  • O que acontece é que as pessoas com 50 anos ou mais acabam sofrendo uma discriminação velada.
  • Muitas vezes, em um processo seletivo para uma vaga de emprego, eles não passam da triagem. Quando passam, muitas vezes, recebem retorno negativo com discriminação embutida.
  • Ao longo do tempo, o estilo de vida das pessoas foi muito alterado. Os profissionais de 50 anos hoje são mais jovens do que os de 30 anos atrás. Mas as práticas do mercado de trabalho ainda são muito pautadas por modelos antigos. Mas existem empresas que iniciaram um processo de mudança.

Empresas inclusivas

  • A expectativa de vida dos brasileiros vem crescendo e a aposentadoria está ficando cada vez mais longe. As empresas que acompanham a realidade do mercado estão passando por um processo de mentalidade para incluir as pessoas mais maduras.
  • As empresas inclusivas estão deixando claro que os idosos são bem-vindos em seus times e até mesmo criando projetos de inclusão especificamente para essa faixa etária.
  • Entre as carreiras  que valorizam mais os cinquentões estão: representante comercial, diretor, gerente financeiro, consultor, ouvidor, vendedor de relógios ou joias, mecânico de automóveis, motorista de caminhão, engenheiro civil, cuidador de idosos, hoteleiro hospitalar, auxiliar de enfermagem.

Oportunidades

Sine de Vila Velha 

  • O projeto “Me dê uma chance!”, do Sine de Vila Velha, é voltado para pessoas com 50 anos ou mais. O Sine trabalha na sensibilização das empresas para oferecerem oportunidades de emprego para esse público e, ao mesmo tempo, há um cadastro para os interessados em ocupar essas vagas.  Os interessados devem procurar a instituição para se cadastrar no projeto. 

Grupo Carone

  • Atualmente, o grupo tem cerca de 100 vagas em aberto nas unidades, tanto em lojas quanto no centro de distribuição e administrativo, voltadas para aqueles que têm competências técnicas e/ou comportamentais compatíveis com a vaga. 

Vivo 

  • A operadora de telefonia tem um programa de diversidade que atua nos pilares de Gênero, Raça, Pessoa com Deficiência e LGBTI+, lançado em 2018. Ainda dentro do programa, há o projeto 50+, que estimula a contratação de pessoas acima de 50 anos para atuar em várias áreas da companhia. No site vivo.gupy.io estão listadas todas as oportunidades de vagas em todo o Brasil.

Wine

  • A empresa de e-commerce de vinhos tem um programa W+, cujo objetivo é ampliar a diversidade de gerações na empresa. A previsão é ter uma nova turma até o fim do primeiro trimestre do ano que vem, com vagas para o Espírito Santo.

Unilever

  • A Unilever tem um programa voltado para a contratação de pessoas com mais de 50 anos. As inscrições serão abertas no começo do ano que vem, quando será divulgado como será o funcionamento.

Melhores empresas no País para quem tem 50 anos ou mais  

  • A consultoria global “Great Place to Work” divulgou este ano o ranking das melhores empresas para pessoas com 50 anos ou mais trabalharem no Brasil.
  • São elas: Accenture do Brasil, Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática, Banco Santander, Bristol Myers Squibb, Cataratas do Iguaçu S/A, Cisco, IBM Brasil, Sabin Medicina Diagnóstica – Distrito Federal, Takeda Distribuidora, Tokio Marine Seguradora. 
  • A lista segue a ordem alfabética. A avaliação é feita considerando aspectos qualitativos, envolvendo práticas culturais, e quantitativos, nas corporações. Ao todo, 60 empresas disputaram o título.  

Fonte: Empresas e instituições citadas, Associação Brasileira de Recursos Humanos.


Idade mais produtiva de 60 a 70 anos


Estudo de Medicina

  • Um estudo publicado pelo Jornal de Medicina de Nova Inglaterra mostrou que  entre 60 e 70 anos as pessoas estão em sua idade mais produtiva. Na sequência estão aqueles entre 70 e 80 anos. E os cinquentões estão em terceiro lugar.

Benefícios 

  • A contratação de pessoas mais maduras envolvem uma série de ganhos para as empresas: maior nível de engajamento, menos pedidos de demissão, maturidade emocional, experiência. 
  • Os profissionais geralmente estão no auge da carreira e com filhos criados. Tendo mais tempo para se dedicar ao trabalho. 
  • Eles também têm uma fidelidade e lealdade maior à empresa em que trabalham. Além disso, a paciência para ensinar e a troca de experiência com os mais jovens e pessoas diversas contribuem para criatividade e inovação, o que aumenta a produtividade da corporação.  

Preconceitos

  • Muitas vezes existem julgamentos por parte das empresas em relação aos motivos que estão levando uma pessoa de mais idade a lutar por permanecer ativo no mercado. 
  • Julgar, por exemplo, que o profissional está ali só para complementar a aposentadoria é um dos preconceitos mais comuns. Claro que existem esses casos também.
  • Mas, prestar um serviço, ser útil, aprender e ensinar, contribuir para o desenvolvimento da empresa para a sociedade, entre tantos outros motivos, também movem os profissionais mais maduros.
  • Muitas empresas também acreditam que o profissional de mais idade não estará atualizado e não será conectado. Contudo, esses dois pontos não dependem da idade e sim do interesse por buscar conhecimento. 
  • Um caminho que muitos profissionais têm seguido é a consultoria para aqueles que estão ingressando no caminho pelo qual trilharam. 

Fonte: ABRH-ES e Elcio Paulo Teixeira.

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