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Polícia

Com ajuda da Suíça, polícia encontra adolescente que ameaçava atacar escola no ES

Adolescente suspeito de ameaçar escola particular de Cariacica foi identificado com apoio da Embaixada da Suíça e Ministério da Justiça.

Chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade
Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

Última atualização

Uma investigação da Polícia Civil, com apoio da Embaixada da Suíça, levou à identificação de um adolescente de 13 anos suspeito de fazer ameaças de ataque contra uma escola particular de Cariacica.

As mensagens – enviadas por e-mail para a escola – continham ameaças de morte, conteúdo racista e ofensas contra integrantes da comunidade escolar. Em uma delas, o autor ainda desafiava a polícia a descobrir quem estava por trás das ameaças.

A investigação começou no dia 31 de agosto, quando a Polícia Civil recebeu um boletim de ocorrência relatando as ameaças contra a escola.

De acordo com o chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, foram enviados diversos e-mails à instituição.

“Eram ameaças de morte contra várias pessoas. Havia ameaças de cunho racista também, no e-mail, contra colegas, contra os indivíduos dentro da escola”.

Andrade relatou que o autor chegou a perceber que estava sendo procurado e enviou mensagem novamente para a escola dizendo que a polícia não conseguiria descobrir quem ele era.

Para chegar até o adolescente, os investigadores contaram com apoio da Embaixada da Suíça, em Brasília, e do Ministério da Justiça, que auxiliaram na obtenção de dados técnicos utilizados para identificar o responsável.

O mandado de busca e apreensão na casa dele foi cumprido no dia 16 de setembro. “Ao chegar à residência, o adolescente não colaborou no primeiro momento com a polícia, inclusive começou a mexer no aparelho do telefone, o que fez com que a gente desconfiasse que ele poderia querer apagar provas do crime. Foi necessário que a polícia agisse”, detalhou Andrade.

Outro fato que chamou a atenção da polícia foi que o pai do adolescente, ao chegar ao local, também não teve uma postura colaborativa com a investigação.

“Explicamos o motivo pelo qual estávamos ali e o pai demonstrou estar mais preocupado em como aquilo iria prejudicá-lo no pedido para obter um porte de arma de fogo, que estava tentando junto à Polícia Federal”.

O aparelho celular do adolescente foi apreendido e encaminhado à Polícia Científica para perícia. A investigação ainda não foi concluída.

E-mails enviados à escola
E-mails enviados à escola Foto: Divulgação/Sesp

Investigação

Teve início em 31 de agosto, após a Polícia Civil receber um boletim de ocorrência sobre ameaças enviadas por e-mail a uma escola de Cariacica.

As mensagens continham ameaças de ataques, inclusive de morte, além de conteúdo racista contra integrantes da comunidade escolar.

Identificação

A identificação do autor, um adolescente de 13 anos, foi possível após a obtenção de dados técnicos, com apoio jurídico internacional da Embaixada da Suíça e do Ministério da Justiça, em Brasília.

No dia 16 deste mês foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa do adolescente. Ele foi ouvido, acompanhado dos pais. O celular e o computador foram apreendidos e serão periciados.

O que disse

Segundo a Polícia, ele confessou ter criado o e-mail das ameaças. Afirmou que tinha acesso a conteúdos desde os 10 anos, incluindo pela plataforma de mensagens Discord. Também relatou sofrer bullying na escola.

O que pode acontecer

O inquérito permanece em andamento até a conclusão da perícia. Por se tratar de um adolescente, a Polícia Civil ainda precisa reunir os elementos e avaliar por quais atos infracionais ele poderá responder.

Computador apreendido
Computador apreendido Foto: Divulgação/Sesp

Alerta para conteúdos violentos

O caso do adolescente identificado pela Polícia Civil chama a atenção para o acesso cada vez mais precoce de crianças e adolescentes a conteúdos violentos e para a necessidade de os pais acompanharem o que é consumido no ambiente virtual.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, mudanças repentinas de comportamento, isolamento e alterações de humor podem indicar que o adolescente esteja passando por algum problema que precisa ser acompanhado.

Jordano Bruno destacou ainda a importância de os responsáveis saberem quais conteúdos os filhos acessam na internet.

“As redes sociais podem expor crianças e adolescentes a materiais de violência, pornografia, discriminação e racismo, capazes de influenciar comportamentos”, afirmou.

O delegado Brenno Andrade salientou que por muito tempo as forças de segurança deixaram de divulgar casos de ameaça a escolas, temendo que esse tipo de divulgação pudesse de alguma forma incitar novos ataques.

Ambiente virtual: riscos
Ambiente virtual: riscos Foto: Divulgação/Sesp

“No entanto, percebemos um efeito quase contrário. Ao não comunicar, a impressão é de que nada estava acontecendo, mas está. Estamos reforçando aos pais que observem os filhos. De forma secundária, a comunidade escolar também precisa estar atenta”.

A Polícia Civil também reforçou que ameaças, bullying e cyberbullying não devem ser tratados como “brincadeira”.

“Isso não pode ser naturalizado. Os pais têm de monitorar, acompanhar e aconselhar tanto a criança que é vítima quanto a que pratica”, afirmou Jordano Bruno.



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