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Saúde

Confira 30 exames indicados por médicos para começar o ano bem

Hemograma, perfil lipídico, glicemia de jejum e aferição da pressão arterial estão entre os testes que devem ser feitos

Confira 30 exames indicados por médicos para começar o ano bem
- Laiza da Ávila mostra tubos utilizados na coleta das amostras de sangue para realização dos exames
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

Última atualização

Oito em cada 10 mortes por doenças cardiovasculares no Brasil poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e hábitos saudáveis, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

No câncer, prevenção e rastreamento também podem fazer diferença. Estudo do The Lancet estima que 109,4 mil mortes poderiam ter sido evitadas entre os casos diagnosticados no Brasil em 2022.

Ainda assim, faltando menos de 90 dias para o ano acabar, há quem não passou por nenhuma avaliação médica e nem ao menos realizou um exame de sangue. Para te ajudar a entrar 2027 com a saúde em dia, A Tribuna ouviu médicos que indicaram 30 exames que podem ajudar a identificar doenças e fatores de risco antes que avancem.

Quais exames, então, podem fazer parte de um check-up? Segundo Renata Calazans, médica de família e comunidade da Unimed Vitória, as recomendações de saúde preventiva reúnem um conjunto de avaliações que podem ser consideradas no acompanhamento de pessoas saudáveis.

Entre elas estão hemograma, perfil lipídico, glicemia de jejum, aferição da pressão arterial, cálculo do índice de massa corporal (IMC) e avaliações da visão e da audição.

“Esses exames, quando realizados anualmente, permitem a identificação precoce de anemia, dislipidemia, pré-diabetes e hipertensão”.

No laboratório, exames de sangue como glicemia e colesterol estão entre os mais conhecidos pelos pacientes. Na unidade da Unimed Vitória, a auxiliar de laboratório Laiza da Ávila mostra tubos utilizados para a coleta das amostras.

Há casos em que, segundo a médica Renata, a avaliação da tireoide e os rastreios de câncer, como papanicolau, colonoscopia e PSA, são recomendados de acordo com a faixa etária e o perfil de risco.

A mamografia anual de rastreamento, por exemplo, é recomendada a partir dos 40 anos, explica a mastologista Jeane Pissara Monteiro. “Mas pode ser necessário investigar em idades mais precoces conforme o risco individual, sintomas ou achados ao exame clínico. A avaliação médica é personalizada para cada paciente”.

Prevenção do câncer de mama

Tânia Silva, que tem histórico familiar de câncer de mama, mantém a mamografia como parte da rotina de cuidados
Tânia Silva, que tem histórico familiar de câncer de mama, mantém a mamografia como parte da rotina de cuidados Foto: Kadidja Fernandes/AT

Há seis anos, a técnica de enfermagem Tânia Silva, de 49 anos, realiza a mamografia. Ela conta que em sua família materna há histórico de câncer de mama. “Sei que prevenir não significa que uma doença nunca irá acontecer. Mas aumenta as chances de encontrá-la cedo e ter mais opções de tratamento”, afirma Tânia, ao lado da cirurgiã geral e mastologista do Hospital Santa Rita Jeane Pissara Monteiro.

Confira os exames 

Avaliação clínica

1. Hemograma completo

  • Avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas, ajudando a identificar anemias, infecções e outras alterações do sangue.

2. Aferição da pressão arterial

  • Serve para medir os valores da pressão sistólica e da diastólica. Por meio dessa medição, é possível verificar se estes níveis estão dentro dos padrões normais ou possuem alguma alteração. Ter pressão 12 por 8, em adultos, passa a ser classificado como pré-hipertensão.

3. Exame oftalmológico

  • Avalia a acuidade visual e identifica problemas como miopia, astigmatismo ou catarata. Faz parte do check-up básico recomendado para todas as idades.

4. Vitaminas D, B12 e ferritina

  • Não são exames de rastreamento para toda população, mas podem ser solicitados quando há sintomas, fatores de risco ou situações que aumentem a possibilidade de deficiência.

5. Creatinina e albuminúria

  • Ajudam na avaliação da função e da presença de lesão renal. O rastreamento é especialmente importante em pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade, idade avançada, tabagismo ou histórico familiar de doença renal.

Metabólicos e cardiovasculares

6. Glicemia de jejum

  • Rastreamento de diabetes e pré-diabetes, conforme idade e fatores de risco. Mostra o nível de açúcar no sangue no momento do exame.
  • Dependendo dos resultados, o médico pode solicitar o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) para aprofundar a investigação, explica a endocrinologista Sabrina França.

7. Hemoglobina glicada

  • Avaliação do controle e rastreamento de alterações da glicose. Mostra a média de glicose dos últimos 2-3 meses, aponta a endocrinologista Sabrina França.

8. Perfil lipídico

  • Mede colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos, avaliando o risco cardiovascular geral. É um dos pilares do rastreio metabólico recomendado a partir dos 40 anos ou antes, conforme o risco individual.

9. Lipoproteína(a) – Lp(a)

  • É uma partícula de gordura no sangue determinada geneticamente, associada a maior risco de doença cardiovascular. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 recomenda que toda a população geral a meça pelo menos uma vez na vida, segundo explica o cardiologista Lucas Frizzera, já que o resultado não muda com dieta ou exercício.

10. Apolipoproteína B (ApoB)

  • Estima o número de partículas de gordura “aterogênicas” (que entopem artérias) no sangue, complementando a análise tradicional do colesterol. É especialmente útil em quem tem triglicerídeos acima de 150 mg/dL, segundo o cardiologista Lucas Frizzera.

11. Eletrocardiograma

  • Registra a atividade elétrica do coração, identificando arritmias e outras alterações do ritmo cardíaco. Não é obrigatório anualmente para quem não tem sintoma. O exame deve ser solicitado de acordo com a idade, os fatores de risco, o histórico familiar e a avaliação clínica.

12. Teste ergométrico

  • Avalia o coração durante esforço físico (geralmente em esteira), identificando sinais de isquemia, arritmias e capacidade funcional.
  • A Diretriz Brasileira de Ergometria de 2024 recomenda o teste em situações específicas. É indicado para quem tem maior risco cardiovascular, histórico familiar de doença coronariana precoce, ou antes de iniciar atividade física após os 60 anos.

13. Escore de cálcio coronariano

  • É uma tomografia que mede a quantidade de cálcio acumulado nas artérias do coração, um sinal de aterosclerose.
  • Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, ele pode ser útil principalmente em pessoas acima dos 40 anos, com risco cardiovascular intermediário, quando ainda existe dúvida sobre a necessidade ou intensidade do tratamento do colesterol. Também pode ajudar em pessoas de baixo risco que tenham histórico familiar de doença cardiovascular precoce, explica o cardiologista Lucas Fizzera.

Saúde da mulher

14. Teste molecular de DNA-HPV oncogênico

  • Detecta diretamente o material genético dos tipos de HPV associados ao câncer de colo do útero. Desde 2025, é o exame principal de rastreamento no Brasil para mulheres ou pessoas com colo uterino entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual. Quando o resultado é negativo, o próximo exame pode ser feito só daqui a cinco anos, explica o ginecologista Carlos Campagnaro, do Hospital São José.

15. Papanicolau

  • Coleta células do colo do útero para identificar alterações que podem evoluir para câncer. Continua sendo usado onde o teste de HPV ainda não chegou, e em situações específicas após um resultado positivo de HPV.

16. Ultrassom transvaginal

  • É muito útil, de acordo com o ginecologista Carlos Campagnaro, quando existe uma indicação, como: sangramento uterino anormal, dor pélvica, suspeita de miomas, cistos ovarianos, endometriose, alterações menstruais ou algum achado no exame ginecológico, por exemplo.

17. Mamografia

  • É uma radiografia das mamas capaz de detectar tumores muito pequenos. É recomendada anualmente a partir dos 40 anos.
  • Mas pode ser necessário investigar em idades mais precoces conforme o risco individual, sintomas ou achados ao exame clínico, destaca Jeane Pissara Monteiro, cirurgiã geral e mastologista do Hospital Santa Rita.
  • Desde o dia 1° outubro, os planos de saúde são obrigados a cobrir a mamografia digital para todas as idades, desde que haja indicação médica.

18. Ultrassom das mamas

  • Útil para investigar determinados nódulos e outras alterações, especialmente em mulheres mais jovens ou com mamas densas, e como complemento da mamografia em situações selecionadas.

Diversos públicos

19. Teste Imunoquímico Fecal (FIT)

  • A pesquisa de sangue oculto nas fezes foi incorporada ao SUS em maio. Pode substituir a colonoscopia como método de rastreamento primário em adultos assintomáticos com risco médio para câncer colorretal.

20. Colonoscopia

  • Examina o interior do intestino grosso com uma câmera, permitindo detectar e até remover pólipos antes que se transformem em câncer colorretal.
  • É um dos exames de rastreio mais eficazes para prevenir esse tipo de câncer, não apenas diagnosticá-lo. Indicada a partir dos 45 anos, podendo ser recomenda antes, a depender do fator de risco.

21. PSA

  • Exame de sangue utilizado na avaliação da próstata. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional, enquanto a Sociedade Brasileira de Urologia orienta discutir a avaliação individualmente a partir dos 50 anos, ou dos 45 anos em grupos de maior risco.

22. Hepatite B e C

  • Hepatite C: existe recomendação populacional de fazer o teste pelo menos uma vez a partir dos 40 anos.
  • Hepatite B: a recomendação está mais relacionada à situação vacinal e ao risco de exposição, não a um exame anual para toda a população.

23. TSH

  • Mede o funcionamento da tireoide. Não é exame de rastreamento para todo mundo, sendo pedido apenas diante de suspeita clínica, histórico familiar de problema de tireoide ou uso de medicamentos que afetam esse órgão.

24. Teste de HIV

  • Exame rápido e simples que detecta a infecção pelo vírus HIV, sendo recomendada sua realização pelo menos uma vez na vida.

25. Densitometria óssea

  • O rastreamento para mulheres a partir dos 65 anos e homens aos 70 anos é fundamental, pois ele mede a resistência do osso e aponta o risco de fratura anos antes dela acontecer.

26. Tomografia computadorizada de tórax de baixa dose

  • Capaz de encontrar micronódulos pulmonares em estágios iniciais, é recomendada para adultos entre 50 e 80 anos com carga tabágica significativa, que fumam atualmente ou cessaram o tabagismo nos últimos 15 anos.

27. Exame de audição

  • Indicada diante de queixas de perda auditiva ou conforme avaliação clínica, sendo especialmente relevante na população idosa.

28. Ultrassom de aorta abdominal

  • Para rastreamento e diagnóstico precoce do aneurisma de aorta abdominal, para homens de 65–75 anos que já fumaram, conforme avaliação individual.

29. Exame de fundo de olho

  • Especialmente importante para pessoas com diabetes e em situações específicas de risco ou sintomas oftalmológicos.
  • Identifica problemas como glaucoma, descolamento de retina e degeneração macular.

30. TGO e TGP

  • São enzimas presentes principalmente no fígado e ajudam a identificar possíveis lesões nas células hepáticas. Também podem estar elevadas em situações como lesões musculares, doença celíaca, hipotireoidismo, pancreatite e infarto. Sua indicação depende de sintomas, fatores de risco ou suspeita de doença hepática.



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