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Cidades

1.893 desobedecem Justiça e não mantêm distância da ex

Levantamento aponta aumento de quase 30% de descumprimento de medida protetiva em relação ao mesmo período do ano passado

1.893 desobedecem Justiça e não mantêm distância da ex
- A Agente Milena Lessa, responsável pela Patrulha Especializada da Mulher em Cariacica, com equipe de guardas municipais.

Última atualização


Os dados expõem os desafios no enfrentamento da violência doméstica. De janeiro a agosto deste ano, 1.893 agressores, mesmo proibidos por lei, desobederam a Justiça e se aproximaram das ex.

O levantamento do Observatório da Segurança Pública, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), aponta ainda um aumento de quase 30% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 1.486 ocorrências de descumprimentos de medidas protetivas no Espírito Santo – 2.306 no ano todo.

A chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, delegada Cláudia Dematté, destacou que mulheres em todo o mundo vivenciam diariamente situações de violência doméstica e familiar.

“Por vezes vemos homens, em razão dessa cultura machista, agindo como se as mulheres fossem posse e propriedade deles, e usando a violência para se manterem nessa situação de dominação e poder”.

Ela enfatizou a importância da Lei Maria da Penha como instrumento para todas as mulheres no enfrentamento dessa violência.

Segundo a delegada, o homem que descumpre uma medida protetiva – por exemplo ameaçando e perseguindo a vítima em locais que ela frequenta – comete delito, que tem pena de reclusão de dois a cinco anos, e multa. “Se o agressor for preso em flagrante pelo crime de descumprimento de medida protetiva será inafiançável na esfera policial”.

Ela enfatiza que, tendo em vista a resposta rápida que as medidas possibilitam às vítimas e o resultado efetivo que elas apresentam, o número de solicitações cresce a cada dia.

Em um reforço também nas ações contra essa violência, a Prefeitura de Cariacica lançou no último mês a Patrulha Especializada da Mulher, iniciativa desenvolvida pela Guarda Municipal em parceria com a Secretaria da Mulher e Direitos Humanos e que está sob a responsabilidade da agente Milena Lessa.

Entre as medidas previstas estão palestras, além do acompanhamento de medidas protetivas em conjunto com a Polícia Civil.

Também está em andamento a criação de uma ouvidoria para atendimento e acompanhamento de vítimas. As mulheres que precisarem de apoio podem acionar a Patrulha Especializada da Mulher pelo telefone: (27) 98148-0334.

Flagrante

Invadiu igreja

Um homem de 32 anos foi contido e agredido por populares após invadir uma igreja em João Goulart, Vila Velha, na última semana. Segundo testemunhas, ele estava armado com uma faca e queria atacar a ex e o atual companheiro dela.

O suspeito foi encontrado ferido e levado para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência. Ele foi autuado em flagrante por descumprimento de medida protetiva de urgência e ameaça, ambos na forma da Lei Maria da Penha. 

Fique por dentro

O que são medidas protetivas?

São ordens judiciais de urgência previstas na Lei Maria da Penha para proteger pessoas que sofrem violência doméstica e familiar, seja ela física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial.

As medidas protetivas buscam garantir a segurança e a integridade física, psicológica, sexual, patrimonial e moral da vítima.

O que as medidas estabelecem?

Entre as possibilidades, as medidas protetivas podem ter ferramentas que afastam o agressor, entre as quais:

Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.

Proibição de aproximação da vítima, de seus familiares e de testemunhas, fixando limite de distância.

Proibição de contato por qualquer meio (telefone, mensagens, redes sociais).

Suspensão da posse ou restrição de porte de armas.

Quem pode pedir medidas protetivas?

A própria vítima, diretamente na delegacia ou no Juizado de Violência Doméstica contra a Mulher.

O Ministério Público.

Autoridades policiais que registrarem a ocorrência.

O que acontece se o agressor descumprir?

O descumprimento de medida protetiva é crime, previsto no artigo 24-A da Lei Maria da Penha.

A pena é de 3 meses a 2 anos de detenção.

As medidas só podem ser pedidas contra o ex?

Não. A violência doméstica não se limita ao companheiro ou ex. A Lei Maria da Penha abrange também casos de violência praticada por pais, irmãos, tios, filhos, enteados ou pessoas que morem na mesma casa.

Tipos de locais (2025)

Residência: 1.149

Via Pública: 253

Pela internet: 240

Complexo

“Medida protetiva é, sem dúvida, instrumento importante de proteção. Mas é preciso reconhecer que o contexto da violência doméstica é complexo, e nem sempre a medida, por si só, é suficiente para garantir a segurança da vítima”.

Proteção

“As medidas protetivas são um instrumento fundamental de proteção. Elas salvam vidas, porque rompem o ciclo da violência. No entanto, a efetividade depende da fiscalização e da rede de proteção”.

Descumprimento

Ano — Casos

2022 — 1.637

2023 — 1.939

2024 — 2.306

2025 — 1.893


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