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210 mil no ES usam remédio para melhorar foco e concentração

Esse é o número de pacientes que fazem uso de psicoestimulantes, como Ritalina e Venvanse, utilizados no tratamento do TDAH

Ritalina é um dos medicamentos utilizados | Foto: Fábio Nunes/AT
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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Nunca se falou tanto sobre os transtornos do neurodesenvolvimento, como o de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e do espectro autista (TEA). Segundo especialistas, houve um aumento significativo de diagnósticos, resultando na busca por tratamento.

No caso do TDAH, transtorno que provoca desatenção e impulsividade, uma das bases do tratamento está na medicação. Somente no Espírito Santo, cerca de 210 mil pessoas fazem uso de psicoestimulantes, como Ritalina e Venvanse, utilizados na terapia.

Esse número representa a estimativa de pacientes que têm o transtorno no Estado. O cálculo foi feito pela reportagem com base no Censo 2022 do IBGE.

O TDAH, segundo especialistas, afeta 7,6% de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, 5,2% de pessoas entre 18 e 44 anos, e 6,1% acima de 44 anos.

“Esses números refletem a prevalência do TDAH em diferentes faixas etárias da população brasileira. É importante destacar que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para minimizar os impactos do TDAH na vida dos indivíduos, promovendo uma melhor qualidade de vida e desenvolvimento pessoal”, destaca a neurologista Mariana Grenfell.

No entanto, esse número pode ser ainda maior, já que muitas pessoas utilizam o medicamento sem a devida prescrição médica, buscando melhorar a performance no estudo e trabalho.

Em 2023, foram 5,24 milhões de caixas vendidas de cloridrato de metilfenidato no Brasil, sendo a mais conhecida a Ritalina, contra 4,06 milhões em 2022, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A psiquiatra Michele Teles, médica na Unimed de Franca, em São Paulo, destaca que há um aumento significativo nos diagnósticos de TDAH, mas isso não significa necessariamente que mais pessoas têm o transtorno.

“O aumento é atribuído a uma maior conscientização e conhecimento dos profissionais de saúde, além da redução do estigma associado à condição”.

O neuropediatra Raphael Rangel, mestre em Neurociência, aponta que houve um aumento de 60% dos diagnósticos nas últimas duas décadas, segundo estudos publicados.

“Infelizmente muitas pessoas banalizam o TDAH e acreditam que seja apenas uma pessoa desatenta ou hiperativa e esquece que ele afeta inúmeras outras áreas”.

Déficit de Atenção: o que é e quais são os sintomas

TDAH

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas como desatenção, inquietude e impulsividade.

Sinais

O TDAH na infância, em geral, se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” e geralmente “estabanadas” ou “ligadas por um motor”, isto é, não param quietas por muito tempo.

Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como, por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Medicamentos

Hoje, segundo especialistas, são usados dois principais tipos de remédios: estimulantes e não estimulantes. Estimulantes: metilfenidato, sendo a Ritalina o mais conhecido, e lisdexanfetamina (Venvanse). Não estimulantes: atomoxetina.

Metilfenidato

De ação imediata ou prolongada, o medicamento atua alterando a quantidade de certas substâncias no cérebro para controlar impulsos e comportamentos. Serve para melhorar a atenção e a concentração, facilitar a memória e o aprendizado e deixar mais alerta.

Lisdexanfetamina

É utilizado no tratamento do TDAH, ajudando no aumento da concentração, hiperfoco e velocidade de execução.

Atomoxetina

Foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, e tem como nome comercial Atentah, da fabricante Apsen Farmacêutica. Ele não é considerado estimulante e tem um mecanismo de ação mais específico, agindo apenas no córtex pré-frontal, reduzindo o risco de dependência.

Fonte: Associação Brasileira do Déficit de Atenção.

Saiba mais

Medicamento

Pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) normalmente têm como principais indicações de medicamentos para o tratamento o metilfenidato (Ritalina), lisdexanfetamina (Venvanse) e atomoxetina (Atentah).

Brasil

4.520.313 caixas de metilfenidato foram vendidas no Brasil apenas no primeiro semestre de 2024, de acordo com a Anvisa.

2023 – 5.246.511

2022 – 4.069.172

2021 – 3.146.423

Espírito Santo

O medicamento metilfenidato é disponibilizado nas Farmácias Cidadãs Estaduais.

Pacientes atendidos com metilfenidato no Espírito Santo

2020 – 5.958

2021 – 5.984

2023 – 7.394

2024 – 8.629



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