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VIOLÊNCIA

25 pessoas morrem todo mês por causa de brigas em famílias

De março a novembro, foram registrados 221 homicídios causados por conflitos familiares ou discussões banais entre pessoas próximas

Flávio Sandro Olmo matou a mulher, Eusivania, e os três filhos, em junho deste ano, em São Domingos do Norte

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Por motivos banais ou não, as confusões dentro do ambiente familiar têm trazido muita dor e angústia para pessoas que perderam entes queridos nessa situação. Além disso, esses casos têm chamado a atenção da polícia, que vem registrando, pelo menos, 25 mortes todo mês por causa de brigas em famílias. 

No período de março a 23 de novembro deste ano, 221 pessoas foram mortas após se envolverem em algum conflito familiar, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). 

Também estão incluídas nesses números pessoas assassinadas após brigas de trânsito, bar, discussões por motivo banal e também os casos de feminicídios.

Conhecido como crime de proximidade, esse tipo de delito é motivado por “conflitos na comunidade”, “conflitos interfamiliares”, “crimes de intolerância”, “crimes de ódio”, “feminicídios” e “crimes por motivação banal”. Na maioria dos casos, autor e vítima já se conhecem e os crimes acontecem sob domínio de violenta emoção, além do fato de o autor sequer possuir histórico criminal.

Como ocorrem dentro das residências e  em momentos inesperados, boa parte dos crimes não conseguem ser impedidos pela polícia. Um exemplo foi o caso ocorrido em São Domingos do Norte, em junho.

O pedreiro Flávio Sandro Olmo, de 42 anos, matou a mulher, Eusivania, e os três filhos — Laisla, de 18 anos, Italo, de 8, e Anelise, de 4. Depois do crime, cometeu suicídio. O motivo, segundo a polícia, é que ele não aceitava o fim do relacionamento. 

“É um crime muito difícil de se  fazer a prevenção porque, no interior de uma residência,  a polícia nem sempre consegue chegar a tempo. Temos percebido não só esses crimes no seio familiar, que envolve assassinato de pais, filhos, irmão com irmão, mas também os homicídios que ocorrem após discussões banais”, disse o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho. 

De acordo com o secretário, esses delitos ocorrem em todas as classes sociais, mas é na classe baixa que os conflitos acontecem por motivos mais banais possíveis. 

“Tivemos casos em todas as classes sociais, tanto na baixa quanto na alta, mas percebemos que os crimes  de motivos fúteis, como um irmão que mata o outro por conta de uma galinha, têm atingido mais as baixas”, disse.

Para a redução dos casos, o secretário julga ser necessária a discussão do assunto nas escolas, para educar a sociedade sobre o tema.

Pessoas próximas cometem 21% dos assassinatos

Dos 982 homicídios registrados no Estado, de janeiro a novembro deste ano, pelo menos 21% deles foram crimes cometidos por assassinos que conviviam ou eram próximos de suas vítimas — os chamados crimes de proximidade. 

O aumento nesse tipo de delito, que já fez 221 vítimas no Estado, fez a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) criar uma base de dados para acompanhar os registros e buscar soluções. 

“Estamos buscando soluções em conjunto com o governo. Lembrando que não depende exclusivamente de nós e, por isso, contamos com o apoio da comunidade e das igrejas. A cultura da violência tem de ser freada”, disse o secretário da Segurança Pública, Alexandre Ramalho. 

Para Ramalho, o problema não abrange só a esfera policial, mas também a social. “É uma discussão que precisa ser levada para  a escola, para a  formação dos jovens, para tratar, principalmente, sobre a violência contra mulher, que acaba entrando nessa estatística”, disse.


CRIMES POR PROXIMIDADE


Matou ex e sogra

  • Um jovem de 27 anos foi preso após assassinar a ex-namorada, identificada como Karina de Freitas, de 20 anos, e a mãe dela, Silvanete dos Santos Freitas, de 38 anos. O acusado do crime, Denilton de Jesus Nascimento dos Santos, de 27 anos, disse que agiu “sob forte emoção” e que não tinha premeditado o crime.

Irmã e primo mortos

  • Um adolescente de 16 anos foi apreendido, suspeito de ter assassinado, a facadas, uma irmã adotiva de 11 anos e o primo dela de seis anos. O crime aconteceu em no bairro São Progresso, em São Gabriel da Palha, em outubro.
  • O adolescente assumiu a autoria do crime e disse que fez tudo isso por causa de traumas causados na infância, mas não falou por qual motivo escolheu as vítimas. O caso foi investigado na Delegacia de São Gabriel da Palha.

Briga por galinha

  • Uma briga por causa de uma galinha motivou o espancamento e a morte do idoso Oseias Honorato Campos, de 66 anos, segundo familiares da vítima.  
  • O crime, de acordo com investigação da polícia, foi cometido pelo próprio filho da vítima, Luiz Carlos Campos, de 45 anos, em Bela Vista, Cariacica, no último dia 22 de novembro.

ENTENDA


Crime de proximidade 

  • São aqueles em que o assassino tem algum tipo de relação direta com as vítimas. Pode ser de afeto ou convivência, seja ela familiar, de amizade ou vínculo profissional.

Exemplos

  • São os casos motivados por “conflitos na comunidade”, “conflitos interfamiliares”, “crimes de intolerância”, “crimes de ódio”, “feminicídios” e “crimes por motivação banal” (briga de trânsito, briga em bar etc.)
  • Na maioria das ocorrências, o autor e a vítima já se conhecem e os crimes acontecem sob domínio de violenta emoção. 
  • Muitas vezes, o autor sequer possui histórico criminal.

Relação com homicídios

  • A análise das circunstâncias dos crimes aponta que, em 2021, aproximadamente  21% dos homicídios têm características de crimes de proximidade.

Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp)

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